20 de jun. de 2015

De Corpo e Alma


Muito se fala em alma submissa. Fala-se por admirar, por desejar ter tal vivência, por desacreditar, pra ofender e fala-se até por falar. 

Falar, com conhecimento de causa ou não, fala-se de tudo. O debate é livre para todos os assuntos. 

Mas, sem vivenciar a experiência, como falar com propriedade sobre algo que precisa ser vivenciado, sentido ou, ao menos, desejado?  Nesse sentido, tudo que é dito tem pouca ou nenhuma razão de ser, é infundado.

Submissão de alma, alma submissa, entrega por necessidade da alma. Alma, alma, alma! Tudo que se refere a um prazer mais abstrato, como o prazer de servir, de obedecer, de agradar e o prazer em dar prazer, acaba sendo levado, pelos que não o praticam, para o campo do irreal, fantasioso, absurdo ou sobrenatural. 

Fico me perguntando o porque desses prazeres causarem certa aversão em alguns.

Não é porque algo não me atrai ou porque não sou capaz de fazer igual ou melhor que vou em dedicar a provar que não existe para ninguém.

Talvez o problemas não esteja na tal da alma, mas sim na submissão. 

O BDSM é vasto e variado, é impossível alguém se identificar com tudo que há nele. É natural que alguns estilos, praticas, vivências ou filosofias sejam amados por uns e ignorados por outros. Ignorado, sim; desqualificado, não .  

A entrega do corpo é comum, desejada e apreciada por todos. Afinal, é ele que é usado, tocado, torturado e marcado. São os joelhos que se dobram, são as pernas que parecem bambear diante do Dominador, é a boca que responde 'sim, Dono' e é dela que saem os gemidos  de dor e prazer causados pelas mãos Dele. É o coração que dispara com uma palavra, um olhar e até com o silêncio Dele. Dos olhos brotam as lágrimas e das entranhas que escorre o prazer provocado por Ele. É o corpo que executa os comandos, que responde aos estímulos... O corpo fala, grita, implora, seduz... ele exprime as sensações, emoções, sentimentos... é ele quem carrega um coração cheio de amor e entrega.

O BDSM é toque, é cheiro, sabor, suor, carne, dor e prazer.  Até aí, tudo bem, qualquer um entende, aceita e pratica, mas, se passar disso já é coisa de outro mundo?  

Por o coração numa busca, realização ou vivência, entregar-se com paixão é igualmente natural e real. Um coração apaixonado, coração em festa, coração submisso. Essas, entre outras colocações figurativas, são claramente entendidas por todos como estado afetivo, emocional e condição de entrega. 

Dar sangue, suor e lágrimas para alcançar algo muito desejado é facilmente entendido como dar o melhor de si, como não medir esforços e mergulhar de cabeça para ir ao fundo de um objetivo.

Mas quando se fala em por a alma na entrega, logo vem o desdém, as distorções e o assunto é levado pro campo do sobrenatural, do irreal, fantasioso. 

A necessidade de mitificar a entrega não superficial é tão forte que parece mais com uma campanha contra algo ameaçador que uma simples descrença.

Cada um pratica o que deseja e que é capaz, entrega o que tem e vai até aonde se permite, mas a incapacidade, limitação e superficialidade de uns não invalidam as vivências e os prazeres de outros.

Querendo ou não, duvidando ou não, a entrega por necessidade da alma existe, e não vem do além, mas sim de dentro. 
Ela nasce do desejo, se alimenta do orgulho e do prazer de servir e se realiza em agradar.



luah negra
escrava, RJ

17 de mai. de 2015

D/s: Uma Relação de Cumplicidade

Parte I


O último texto que postei na net rendeu muitos comentários que me deixaram feliz. Ele cumpriu o papel de incitar a participação das pessoas. Hoje em dia, as redes sociais, que poderiam ser usadas de uma forma bem mais educativa e lúdica, infelizmente, cumprem apenas o papel de aproximar pessoas.  

Quando escrevo e publico um texto, como foi a “Nova Modalidade de Dominador – O Dono Babá”, não esperava que todos ou a maioria concordasse comigo. Já dizia o escritor Nelson Rodrigues: 


“Toda unanimidade é burra.
Quem pensa com a unanimidade 
não precisa pensar.”

Tenho pra mim que das principais e nobres tarefas do ser humano na vida são aprender, ensinar, gerar discussões para, através delas, trazer à tona novas idéias e ampliar o conhecimento.

A sabedoria nos manda estar prontos para aprender e ensinar. Não importa a idade, o gênero, o status cultural ou social. Não importa se PhD, ou analfabeto, a vida nos dá, a todos, condições para aprender e ensinar. A gente aprende até com os imbecis, que estão por aí nos dando lições de “como não devemos ser”.

E só não aprendem os que estão cristalizados e os arrogantes, que pensam saber tudo e mais do que todo mundo. Estes preferem se manter na escuridão.

Quando critico a submissão que se alastra pela rede como um tsunami, oriunda dos 50 Tons é porque sei o que estou falando. E. L. James fez um desserviço para o BDSM. Mexeu covardemente no imaginário feminino de todas as idades e status social, que crêem ser possível uma relação feita de cinderelas e príncipes encantados.

Estou no BDSM desde 1998 e digo honestamente a vcs que o milagre não é assim que acontecerá. O milagre é quando as pessoas se atraem, se identificam, se respeitam e levam a relação com alegria, leveza, responsabilidade e ética.

Vejam: submissas existem para dar prazer e não trabalho. Se genuínas, dão prazer e, conseqüentemente, sentem prazer com isto. É assim que se dá o autêntico D/s. O Dono dita as regras, o sub corre e faz. Quando encontra uma dificuldade, cabe ao Dominador estudar a forma como aquele problema será equacionado. Erros serão passíveis de correção e desvios, passíveis de punição que deverá ser cuidadosamente pensada.


Aqueles que leram “1984”, do escritor George Orwel, devem lembrar-se de como o Estado escolhia torturar os desobedientes. Eles estudavam aquilo que provocava maior pavor em cada um. A pena nunca era a mesma para todos.

Eu sou masoquista. Tanto a dor física me excita, quanto o medo, a humilhação, a degradação, a mágoa... até os ciúmes me excitam... podem acreditar. Mesmo assim, garanto que tenho lá minhas dificuldades. E isto não é nenhuma vergonha... Afinal, somos, todos, frágeis criaturas em nossa imperfeita humanidade.

Não tenho nenhuma presunção de ser perfeita. Sei que não sou e que jamais serei.  Perfeito é o DONO. ELE que Domina e dita as regras. A mim cabe obedecê-las e satisfazer seu prazer. Quando isto não acontece... ah... nem queiram imaginar. O DONO não usa a alcunha de DIABLO à toa. O preço que pago é muito alto e eu posso garantir que é um tipo de dor que não desejo: o silêncio e a ausência. 

Vocês devem estar se perguntando por que então não obedeço de pronto. Explico: como toda pessoa, no BDSM ou fora dele, também tenho minhas dificuldades, que para alguns podem até ser bobas, mas que para mim são grandes limitações, mesmo que eu nunca diga, pq não diria um “Não” para aquele que tem nas mãos a guia da minha coleira. 

Voltando às críticas, é preciso lembrar que eu, Amar Yasmine SD, há tanto tempo nisso, também preciso que o DONO cuide de mim. Cuidar é uma tarefa do Dominador. Só não precisamos alardear isso aos quatro ventos como uma pré-condição. 
E este “cuidar” deve estar implícito como “tarefa” do Dominador. A submissa que for realmente submissa, terá em sua consciência:


“Se não cuido eu mesma de mim,
como exigir que o outro cuide?”

Se “cuidar” é uma tarefa implícita ao Dono, “aliviá-lo” de qualquer trabalho deverá ser uma tarefa implícita à quem se submete e a isto eu chamo “relação de cumplicidade”... como bem disse Rubem Alves em seu livro “O Retorno e Terno”. 

Afirma o escritor que existem dois jogos parecidíssimos: O Tênis e o Frescobol. Em ambos, dois jogadores interagem com raquetes e uma bola, num campo dividido ao meio por uma rede. O que difere um jogo do outro são as regras. No Tênis, deve-se derrotar o adversário. No Frescobol os participantes visam o acerto do outro.

Assim deve ser o D/s, uma relação de cumplicidade, como o Frescobol, onde Dominadores e submissos, cumprindo conscientemente os respectivos papeis, joguem um para que o outro jamais erre e, assim, a relação só poderá sair ganhando.




Amar Yasmine SD

Em breve:

D/s: Uma Relação de Cumplicidade
Parte II

21 de abr. de 2015

Observando...


Ao longo dos meus anos no BDSM venho observando os ciclos pelos quais esse nosso gueto passa. 
E é divertido ver como certas crenças vão se modificando em determinadas épocas mas, por não terem profundidade, passam, assim como as chuvas de verão. Rs
Já passamos por várias fases, a última delas, a maldita fase dos 50 Tons de coisa alguma. 
Mas esqueçamos por enquanto essa saga porque a observação aqui é outra: Os casaizinhos de namorados.
E calma, não acendam a fogueira ainda, explico: não falo dos casais formados a partir de uma relação BDSM e sim o contrário.
Tenho observado a quantidade de casaizinhos que, já namorados, noivos ou até casados, descobrem juntos esse universo cheio de novidades. 
_ Opa! Vamos virar Dono e sub, é bacana, é legal, é a onda do momento, vamos lá!
Esses casais infiltram-se no meio passando-se por Dom e sub. E ali trocam juras de amor, a sub defende seu direito de propriedade ao dono com unhas e dentes e indiretas para as "vadias" que o cercam, e as ameaçam e perseguem. 
Que tipo de D/s é esta? Não existe ali postura, disciplina, hierarquia, liturgia, domínio, nada. 
Mas são vistos, geralmente por iniciantes,  como um casal D/s e considerados como um exemplo de sucesso desse tipo de relação, afinal, a sub conseguiu "fisgar" o Dom, ter direitos sobre ele, inclusive o de proprietária.
Não estou generalizando mas por favor, não vamos misturar as coisas. 
Esse tipo de exemplo é pernicioso por passar uma noção totalmente deturpada de uma relação de Dominação e submissão, por não conter nenhum dos componentes que a identificam como tal.
Quando duas pessoas, dispostas a experimentarem e viverem uma relação D/s sentem que existe algo mais e resolvem se unir é uma coisa. 
Quando alguém chega com a finalidade de conseguir namoro e casamento ou apimentar uma relação já existente não existe ali submissão ou Dominação. O que existe é outra busca, camuflada embaixo da sigla BDSM e que, ao contrário do que muitos pensam, passa um grande mau exemplo, alimentando sonhos baunilhas que nada têm a ver com esse universo que afinal, nunca foi agência de casamentos.
Espero sinceramente que essa onda, assim como as outras, passe, em nome da Dominação e submissão honestas, pelo prazer de dominar e ser dominado(a).





William Gama - Dom



11 de abr. de 2015

Desencontros


"Não existem mais submissas."
Esta é uma fala recorrente que ouvimos por aí. 

Muitos Dons procurando submissas e não encontrando, é o que dizem a todo momento.
Concordo que para ser submissa deve haver uma predisposição, uma vontade intrínseca de servir. Sem isso, torna-se difícil, para não dizer impossível, que alguém possa ao menos intitular-se como tal, afinal, ninguém pode ser o que não quer ser.
Mas, se de um lado deve haver aptidão, do outro deve haver também disposição para extrair essa essência.

Submissas não se compram prontas em lojas. Não estarão expostas em vitrines com uma placa pendurada no pescoço indicando "obediente, servil e masoquista". 
Para que um Dom tenha uma submissa à altura de seu gosto é necessário um trabalho de lapidação, de adestramento. 

Mesmo as experientes, com anos de servidão, estiveram aptas para servir a outros Dons, com personalidades, gostos, experiências, fetiches e desejos diferentes. 
E até mesmo nesses casos, o das experientes, é preciso dar direcionamento para que elas se encontrem dentro desta nova experiência.

Sendo assim, com todo o respeito aos Srs. Dominadores, pergunto: o que o senhor tem feito para encontrar uma submissa à sua altura? Tem se empenhado em treinar, ensinar? Tem gasto seu tempo dedicando-se a lapidar alguém? Ou espera que venha pronta e sabendo de cor e salteado todos os seus gostos, suas fantasias mais secretas e até como dirigir-se à sua pessoa? 
Será que de fato não existem mais submissas ou se o que falta é a paciência para ensinar, direcionar? Será que não é a pressa, a urgência em TER que se sobrepõem à necessidade de "LEVAR A SER"?



Por outro lado, muitas submissas dizendo que não existem Dons à altura de sua submissão, procurando e esperando que o Dom perfeito apareça, montado num cavalo branco, pronto para cuidar, de posse de todos os acessórios que ELAS julgam necessários para a realização de uma boa sessão e sabedores de todos os caminhos e segredos do prazer que ELAS desejam ter, como se estes não fossem também seres humanos buscando crescer, aprimorar-se e sujeitos também a falhas.
É óbvio que as falhas aqui não referem-se a aspectos de segurança mas de falhas que podem ser administradas para que a conversação possa fluir.

Às vezes, grandes encontros poderiam acontecer se as pessoas tivessem um pouco mais de condescendência com as outras, se não se exasperassem por uma frase mal colocada, por um erro de interpretação, por algo que ainda não se aprendeu pois a vida é um grande aprendizado e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe tudo.

Grandes experiências poderiam acontecer se as pessoas se dispusessem a aprender juntas, descobrir novos prazeres, ampliar horizontes, sem exigir que os(as) parceiros(as) saibam absolutamente tudo apenas por estarem em uma relação hierárquica, um sempre achando que o outro deve vir sabendo todos os prazeres e mazelas de sua posição na relação, não importa qual seja ela.




"Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente." (Osho)

Assim, quando encontrar alguém, procure saber se esta pessoa está disposta a entrar inteira, total, nesse caminho com V/você. Isto sim, é necessário. Perfeição não existe. 
Pense nisso.


{Vita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre

4 de abr. de 2015

Das sensações e sentimentos...


Por algumas vezes me pego em questionamentos que mexem com minha convicção dentro do SM.

Sou muito segura de meus prazeres. Gosto que me enrosco de algumas práticas físicas e nem se fala, sobre as psicológicas, principalmente, as de cunho emocional como , por exemplo o exercício de minha submissão dentro de uma D/s.

Analogicamente, vejo-me como uma musicista completamente entregue a todos os sentidos intensos de alguns acordes, como: a vibração das cordas, o dedilhar dos prendedores, as oscilações do spanking... nosssaaa... as sensações das velas é extasiante! 
E nesse jogo de agudos e graves, o sentir-me posse ultrapassa toda gama de emoções cabíveis nesse tipo de relação.



Muito bem, mas minha dúvida é sobre o prazer do Dominador (especificamente de um Dominante)?! Será que é tão lascivo, tão profundo, no aspecto emocional também !?!? Ou, o que está intrinsecamente nele, se restringe apenas ao prazer carnal, ou seja, estritamente o prazer sexual?

Óbvio que meu questionamento leva em conta a posição ocupada por cada um dentro desse tipo de jogo. Talvez até a variação das próprias essências.

Mas até que ponto sentem prazer na realização de práticas físicas. Pois , na maioria das vezes, amarram, tocam, batem, machucam, castigam, exploram o corpo da submissa de uma maneira muito intensa.


Meu pensamento também questiona o prazer psicológico de domínio sobre a outra pessoa.

No fim seria Ele , o Dominador, apenas um coadjuvante sexual de toda essa melodia. Ou reinaria soberano como um galante Maestro, dando conta da orquestra toda, a junção dos prazeres carnal e emocional???

ternura


8 de mar. de 2015

Dia Internacional da Mulher



Hoje é 08 de março,
Dia Internacional da Mulher!
*o nosso dia*

Dia de todas nós: negras, loiras, morenas, ruivas, magras e gordinhas... jovens e maduras... dominadoras, escravas, masoquistas, submissas, baunilhas, hedonistas e fetichistas (pets, brats, dolls, baby girls, ... etc).

Que todos os deuses nos protejam. Concedam-nos força, coragem e muito amor para dispensarmos a vocês, Homens, o que de melhor há em nós.
Sim, pois vocês serão sempre nossos reis e nós suas servas dedicadas, fiéis, apaixonadas. Aquelas que, em sua retaguarda, cuidarão de tudo fazer para que se sintam donos do mundo.

Parabéns a todas nós pelo nosso único dia, pois todos os outros dias serão dedicados a vocês, seres maravilhosos de nossas vidas!



*escravas & submissas*

Ser mulher...

Roberta Close - ícone da feminilidade nos anos 80
"Eu nunca fui homem, sempre fui Mulher"

O conceito de mulher, atualmente, é algo muito mais complexo e abrangente do que aquela concepção de outrora, que contemplava somente quem tivesse cromossomas XX. O sexo biológico.
Falar em mulher é, antes de tudo, falar de um universo muito mais abrangente e que passa, antes de tudo, por “ser mulher”.
Ser mulher é então, pensar, exercer e vivenciar a feminilidade, independentemente da sua anatomia.
O célebre questionamento de Simone de Beauvoir - que nos torna mulheres? - nunca foi tão atual e propício à discussão.
Muitas das diferenças entre homens e mulheres nos séculos XV ou XVI, caíram por terra em função da evolução dos costumes e da própria cultura da nossa civilização. Luís XV vestia-se de uma forma extremamente feminina para os padrões atuais, inclusive pelos sapatos, cujo salto leva seu nome.
A revolução industrial abriu para as mulheres uma nova realidade, bem diferente daquela em que apenas o trabalho doméstico a elas cabia.
O advento da pílula anticoncepcional revolucionou a questão do exercício da sexualidade, como nunca fora imaginado (também para os homens), libertando a mulher e possibilitando um controle maior sobre o próprio corpo. Ser mulher não mais significaria gestar e cuidar da prole.
A conscientização e a aceitação, por parte da sociedade, em relação ao transexualismo, como algo perfeitamente normal, apesar de ainda provocar discussões, mesmo fora do âmbito religioso, corrobora a necessidade de se reconceituar o feminino.
Então,  ser mulher passou a ser visto, pelo menos até os nossos dias, como algo em constante evolução.
Até que ponto o travestismo e o crossdresserismo podem ser considerados manifestações do feminino, e não meros fetiches?
Quanto de feminilidade há em uma travesti, ou em uma crossdresser?
 Não me refiro somente ao gestual, ou à indumentária.
E este “en femme”, que significa estar montada; restringe-se apenas à roupa, ou há algo mais, como o sentir-se mulher?
A cada dia mais me convenço que este “ser feminino”, ou ser mulher, não é apenas uma questão de genitália, útero ou ovários. Mas sim de identidade!
E agora deixo a seguinte pergunta:
No dia 8 de março, a quem devemos homenagear? 
Talvez o dia internacional da mulher devesse ser chamado: 

*Dia Internacional da Feminilidade*

Werther von AY erschaffen

26 de fev. de 2015

A submissa verdadeira



Estamos sempre procurando pelo verdadeiro em nossas vidas.
Queremos sempre encontrar o amor verdadeiro, o amigo verdadeiro, a felicidade verdadeira e até o whisky verdadeiro, afinal, ninguém quer ter dor de cabeça no dia seguinte. Rs.
Mas tudo muda de figura quando a busca é por uma verdadeira submissa.



A expressão hoje em dia parece ser ofensa, falar em verdade na submissão faz as veias saltarem e logo aparecem textos, discussões e grandes teses defendendo a liberdade de opinião, de conceitos de verdadeiro e falso, de diferenças de personalidade e de busca.
Concordo que cada dom tem seu ideal de submissa assim como também tenho o meu. E isto é assunto pessoal.



Mas existem algumas características que são (ou deveriam ser) gerais, na minha opinião. E sei que isso vai desagradar algumas pessoas mas meu compromisso é com a verdade, mesmo que a verdade hoje em dia pareça ter virado um conceito subjetivo onde cada um tem a sua, mas não estou aqui para agradar ninguém ou para conseguir bocetinhas, isso encontro em qualquer lugar. 
Uma submissa verdadeira, não.





submissão 
sub.mis.são 
sf (lat submissione) 1 Ato ou efeito de submeter ou submeter-se. 2 Disposição a obedecer. 3 Humildade. 4 Sujeição. 5 Humilhação voluntária. 6 Obediência espontânea. Antôn (acepção 3): arrogância, altivez.

A definição de submissão é bem clara, não sobra espaço para dúvidas sobre o que é e o que não é. Em algumas coisas não existem meios termos.
Mas deixando de lado as definições, para mim, uma  verdadeira submissa deve ter prontidão para servir. É assim que a reconheço, por estar disposta, estar aberta por ser essa sua vontade e seu prazer.
Não por estar carente, por estar na moda, por esperar receber vantagens financeiras, exclusividade e mil outras exigências.
Exigências não fazem parte do comportamento submisso. 




Ela não espera por aquele que vai lhe dar o que precisa; espera por aquele a quem ELA vai querer dar o que tem necessidade de dar: sua submissão.
Sabe, que vai trabalhar para conquistar seu lugar aos pés do dono e até em seu coração. Que vai, talvez, até conseguir exclusividade, não por exigência mas por seu comprometimento.
Está aberta a testar seus limites e se algo realmente a incomoda vai colocar isso com docilidade e humildade e será compreendida.



Docilidade e humildade são essenciais. Nada mais broxante que a arrogância. 
Sabemos que a submissão vale ouro, mas não precisamos ser lembrados disso a todo momento. Se precisa lembrar a todo momento seu valor é um sinal claro que nem ela mesma acredita nisso; ou que escolheu a pessoa errada para servir.
Ser inteligente e proativa. Submissão e obediência não são sinônimos de personalidade fraca ou de pessoas robotizadas. São sinais de força.



O verbo para uma verdadeira submissa é conquistar, não exigir.
A qualidade para uma submissa é humildade, não arrogância.
A missão para uma submissa é servir, não ser servida, porque ela tem verdadeiro prazer nisso. 
Prazer. Satisfação. Realização.
Submissas verdadeiras existem? Sim, ainda acredito.
Apenas são difíceis de encontrar em meio a um oceano de pessoas buscando outras coisas que não o ato de servir. E isto é fácil identificar.
Centenas, talvez milhares, de rostinhos bonitos e corpos perfeitos mas, almas vazias para a submissão. 




Mas existem sim e isso se percebe na candura do olhar, na suavidade dos gestos, na brandura no falar, na humildade que a torna grande e na força que emana pois, em sua feminilidade ela é forte, corajosa, disposta.
É ela a submissa verdadeira.


William Gama
Dom

18 de fev. de 2015

Domínio - alimento de corpo e alma


Relacionamentos, sejam eles de família, de amizade, de trabalho, amorosos, sexuais ou de que tipo for, necessitam dos elementos específicos que os caracterizam.
Numa relação entre Dominador e submissa, a característica principal é o domínio e a submissão. Nela, não pode haver quedas de braço de forma alguma, sendo assim, o empenho das partes envolvidas se faz ainda mais necessário, para que um seja um, que o outro seja o outro e que se entendam como se fossem um só. 


Estando as posições bem definidas, espera-se que cada um faça a sua parte e que o comando esteja sempre nas mãos Dele. Afinal, entrega de poder é entrega de poder e ponto. 
Basicamente, a submissa, que está entrando numa D/s, espera que o Dominador exerça domínio sobre ela. Seus anseios são de ter sua submissão reconhecida, alimentada e valorizada.
Não sentir a força do controle sobre si seria no mínimo frustrante.  
Assim como o corpo, a mente submissa espera ser tocada, trabalhada, moldada e conduzida por Ele e para Ele. Mente e corpo trabalham conjuntamente e precisam ser alimentados. 


O prazer de se submeter está em sentir o prazer  do Dominador de possuir, comandar,  disciplinar, de usar sua escrava como quiser e até de não usar se não quiser.
Há satisfação na obediência, no cumprimento de tarefas e até nas proibições. Sentir a força desse poder sobre si faz brilhar os olhos, tremer as pernas e melar as entranhas.
Por-se à disposição para servir e ver a satisfação Dele em servir-se da submissa é como ter uma mesa farta para banquetear. 
Pertencer, saber-se posse, a propriedade Dele, estar ali para servir e agradar a Ele, sendo tudo ou sendo nada, mas, sendo Dele.   


Acredito...
Na entrega que não acontece apenas por modismo, capricho ou qualquer outro motivo que não o prazer de entregar-se ao Escolhido.
No poder das marcas desenhadas além da pele e na entrega além dos grandes feitos que reluzem ao longe. Mas sim que o orgulho de submeter-se exista em todos os momentos, até nas atitudes mínimas, silenciosas e invisíveis, nos momentos em que ela só pode ser sentida.
No poder do domínio em que o empunhar do chicote não seja a única forma de exercê-lo.
Que não sejam as algemas, cordas, correntes e grades as únicas formas de prender a submissa.


Desejo...
Que as afinidades em comum se façam desejo, tesão, prazer e satisfação de corpo e alma.
Que os que buscam por uma D/s completa a encontrem, e que os que desejam menos, também o tenham, mas que seja com quem busca pelo mesmo.
Que a fome não seja apenas a da carne e que ela não seja saciada apenas na cama. 
Que a submissão seja bem alimentada para que o prazer não seja fugaz e vazio.
Que as negociações não se tornem negociatas, onde as palavras são sejam meias e as verdades são  metades.
Que os limites de cada um não sejam usados como limitações, intransigências, egoísmos ou mesquinharias que impedem de ver que o outro também tem seus limites e necessidades. Mas que eles sejam compreendidos, respeitados e, se possível, que J/juntos possam superá-los.
Que não falte comprometimento entre os que se propõem a vivenciar algo e que não falte cumplicidade para solidificar os objetivos.


Sugiro...
Que não esperemos pelo homem, mulher ou cenário perfeito para vivenciarmos as nossas escolhas, pois, a perfeição é a ilusão que nos impede de tornar o imperfeito o mais perfeito possível.
Que não falte o entendimento de que, com exceção do que se pode comprar, nada vem pronto para consumo. Se a grama do vizinho é mais verde é porque ele trabalhou até que ela ficasse assim e não se descuida da manutenção da mesma. Mas quando se passa mais tempo olhando pro lado, descuida-se do que está bem diante de si.
Que se tenha, primeiramente, controle de si mesmo, para só então controlar ou buscá-lo no outro. 



Entendo...
Que, por mais glamourosa que pareça, nenhuma relação é tão perfeita que nada falte à uma das partes ou à ambas, mas, esse algo a menos pode se tornar um algo a mais, um motivador, um estímulo, uma razão ou um desafio a impulsioná-los na busca de algo mais profundo.
Se a D/s é um jogo, que seus participantes tenham em mente que é um jogo de equipe e que ou todos são vencedores ou todos saem perdedores.



luah negra


12 de fev. de 2015

Nova modalidade de Dono: “O Dono babá”


Submeter-se é entregar-se para ser aprisionada e usada ao bel prazer do Dono, como objeto sexual, inclusive. Sim, submissão é a entrega para infinitas práticas lindas e deliciosas. 
Mas, eu pensava aqui, se a submissão se resume à apenas isto? Claro que não, a submissão extrapola para além das práticas que nada têm a ver com sofisticação, beleza ou sedução. 


Como gosto de quebrar as certezas das coisas, e faço isto sempre comigo mesma, não importa o que vá ganhar ou perder depois, te faço uma pergunta. Pense bem antes de responder e seja absolutamente honesta consigo mesma:

_Você concorda que a submissão transcende a tudo isto? Se concorda então, ela também é:
- Aliviar o peso dos ombros do Dono.  
- Fazer o trabalho pesado para que Ele não se canse. 
- Ser alegre, brincalhona, às vezes meio palhaça, pra fazê-lo gargalhar. 
- Ser sua cúmplice em QUALQUER tipo de prazer


É, minha amiga, submissão vai muito além daquilo que pode entender nossa ainda tão pequena compreensão. De minha parte, é tudo que citei acima e irei além: carregarei sempre as malas do meu DONO, abrirei a porta do carro para ELE entrar e sair e, a menos que não seja SUA vontade, estarei no mínimo dois passos atrás dELE... em todos os sentidos. 


Do lado oposto desta escrava submissa está uma que reclama sempre. Reclama e exige.  Sua visão é completamente equivocada... Ela é míope para submissão. Só para ilustrar, uma das coisas que ela sempre diz é: 
“Quero um Dono que só queira a mim. Que me proteja. Que cuide de mim.”
E eu te pergunto:
_Que droga é esta? Isto é uma inversão de valores. Não é ela que serve ao Dono. É o Dono que está aos serviços dela. 

Ah... me desculpe, mas submissa que diz: Quero um Dono que cuide de mim, devia virar Domme e ter um escravo. Você não acha???



Que peso é este que ela coloca nas costas dele? Será que ela ainda não descobriu que, não obstante uma aparência frágil e delicada, a verdadeira submissa tem que ser uma mulher forte?
Não é ela que se equilibra sobre o Dono. É ele que se apóia nela. Ela é o chão e ele pisa sobre ela. Se ela não estiver firme irá tremer e, se isto acontecer, ele pode se desequilibrar e cair.

Era só o que me faltava... Submissa querendo dono que cuide dela... Pois então que coloque um anúncio no jornal com o título:


“Procura-se uma babá”

Amar Yasmine
a escrava encantada do
SENHOR DIABLO