8 de mar de 2015

Ser mulher...

Roberta Close - ícone da feminilidade nos anos 80
"Eu nunca fui homem, sempre fui Mulher"

O conceito de mulher, atualmente, é algo muito mais complexo e abrangente do que aquela concepção de outrora, que contemplava somente quem tivesse cromossomas XX. O sexo biológico.
Falar em mulher é, antes de tudo, falar de um universo muito mais abrangente e que passa, antes de tudo, por “ser mulher”.
Ser mulher é então, pensar, exercer e vivenciar a feminilidade, independentemente da sua anatomia.
O célebre questionamento de Simone de Beauvoir - que nos torna mulheres? - nunca foi tão atual e propício à discussão.
Muitas das diferenças entre homens e mulheres nos séculos XV ou XVI, caíram por terra em função da evolução dos costumes e da própria cultura da nossa civilização. Luís XV vestia-se de uma forma extremamente feminina para os padrões atuais, inclusive pelos sapatos, cujo salto leva seu nome.
A revolução industrial abriu para as mulheres uma nova realidade, bem diferente daquela em que apenas o trabalho doméstico a elas cabia.
O advento da pílula anticoncepcional revolucionou a questão do exercício da sexualidade, como nunca fora imaginado (também para os homens), libertando a mulher e possibilitando um controle maior sobre o próprio corpo. Ser mulher não mais significaria gestar e cuidar da prole.
A conscientização e a aceitação, por parte da sociedade, em relação ao transexualismo, como algo perfeitamente normal, apesar de ainda provocar discussões, mesmo fora do âmbito religioso, corrobora a necessidade de se reconceituar o feminino.
Então,  ser mulher passou a ser visto, pelo menos até os nossos dias, como algo em constante evolução.
Até que ponto o travestismo e o crossdresserismo podem ser considerados manifestações do feminino, e não meros fetiches?
Quanto de feminilidade há em uma travesti, ou em uma crossdresser?
 Não me refiro somente ao gestual, ou à indumentária.
E este “en femme”, que significa estar montada; restringe-se apenas à roupa, ou há algo mais, como o sentir-se mulher?
A cada dia mais me convenço que este “ser feminino”, ou ser mulher, não é apenas uma questão de genitália, útero ou ovários. Mas sim de identidade!
E agora deixo a seguinte pergunta:
No dia 8 de março, a quem devemos homenagear? 
Talvez o dia internacional da mulher devesse ser chamado: 

*Dia Internacional da Feminilidade*

Werther von AY erschaffen

2 comentários:

Amar do Sr. DIABLO disse...

Amado Werther,
amigo de todos os momentos,
os de sorrisos e os de lágrimas!

Quem além de vc teria ideia de lembrar dos travestis e cross dressers, estas delicadas e, ao mesmo tempo, corajosas criaturas que tão lindamente prestam uma homenagem à mulher, ao abrir mão de sua condição masculina para se tornarem o sexo frágil?

Só mesmo vc pra tecer um tema inteligente e jamais lembrado, num texto como este, na minha opinião, tão bem escrito quanto conceituado.
Obrigada por sua participação que só eleva a qualidade do *escravas & submissas*.
Beijo carinhoso!

Amar Yasmine SD
a escrava encantada do
SENHOR DIABLO

{Λїtą}_ŞT disse...

Parabéns, Werther!

Vc nos honra sempre que vem abrilhantar este espaço com seus textos inteligentes e reflexivos.
É fato que essas mulheres no sentir nunca são lembradas ou homenageadas por terem nascido com outro sexo mas que são sim mulheres em essência, às vezes mais femininas que quem assim nasceu.
Abraços por essa lembrança tão sensível.