30 de set de 2014

Lealdade canina


Cães representam a amizade, a fidelidade, o amor incondicional, e não é à toa que são considerados os melhores amigos do homem. 

Dificilmente um cão abandona seu dono, é mais comum ver o animal ser abandonado.  Mesmo em condições pouco favoráveis, como em tempos de escassez de alimento e outras necessidades, ele continua ao lado do dono, sendo o amigo leal e dócil.  

Alguns poderiam, se quisessem, escapar facilmente e não mais voltar, afinal há outros que poderiam acolhe-los, dar-lhes teto e alimento, talvez até mais confortável e abundante. Ou  apenas aproveitar a liberdade, vivendo sem regras, sem coleiras, grades ou paredes que os aprisionassem. Ao invés disso, eles ficam por ser ali o lugar em que preferem estar, por sentirem ser aquelas as melhores mãos para lhes cuidar. Eles gostam de estar ali, gostam é daquele dono e é sob os cuidados dele que desejam permanecer. Mesmo que o teto seja um viaduto ou marquise, mesmo que o alimento não seja o mais farto, é esse que os satisfaz. E simplesmente não desejam escapar. 

Coleira, paredes e grades podem aprisionar, porém não criam laços de afeto e lealdade. 

Permanecer é escolha e desejo, a lealdade está na força do laço que os une. Se houve a escolha, se há o desejo e, se a ponta racional desse laço não o desfizer, a outra ponta do laço dificilmente fará, salvo em condições extremas.

Caso dependesse da vontade cão, ele seguiria o dono a qualquer lugar, sem tempo bom ou ruim. 

Não é a toa, também, que a escrava é comparada a uma cadela. Sua lealdade ao Dono é, de fato, canina. 


Manter-se leal sob condições nada favoráveis é algo que pode parecer um feito heroico para alguns e, para outros, trata-se apenas de instinto natural, pois, a lealdade existe independente de haver razão para tal.   

Assim como alguns podem não apreciar a comparação com um cão, a comparação poderia ser injusta, também com os cães! Pois, sua lealdade é puro instinto. Ele não finge gostar e não faz exigências para permanecer leal e dócil a seu dono. Ele precisa apenas sentir-se abrigado, protegido, desejado e ter prazer de estar a seus pés.

Ambos se escolheram e criaram laços que não desatam facilmente. 

Ser tida como a cadela do Dono é orgulho e prazer, sinônimo de lealdade e submissão, de laços firmados e reafirmados a cada dia de entrega...



luah negra

26 de set de 2014

UM DOMINADOR DESTACA...

O BDSM tem regras?


Dizem que o BDSM não tem regras por não estarem escritas. 
De fato, não existe o Grande Livro das Leis do BDSM. Se existe, nunca o encontrei.
Entretanto, há regras próprias dentro de cada relacionamento, regras gerais no convívio entre os praticantes e a maior delas, para a segurança dos envolvidos, o SSC.

Diz-se de regras: são normas, preceitos, princípios ou métodos. Dessa forma, não precisam ser oficiais. Nem mesmo estarem escritas.
Basta que um grupo tenham-nas como norteadores de comportamento durante um grande espaço de tempo e assim como os fatos sociais, cristalizam-se.

Esta reflexão caminha no sentido oposto ao que chamam de "meu BDSM". 
O BDSM não é meu. Nem seu. Não é de ninguém.
Apropriamo-nos de seus preceitos para vivermos dentro de um contexto que nos é atraente e, muitas vezes, necessário a nós.
Quanto a observações acerca dessa ausência de regras, costumo dizer o seguinte:

"Imagine-se chegando com uma raquete de tênis a um campinho de futebol onde alguns amigos estão jogando uma pelada, algo que fazem há anos nos fins de semana. As regras ali não estão escritas, não existe a formalidade do futebol profissional, é apenas uma brincadeira e por isso vc entra com sua raquete e começa a rebater a bola, enquanto os outros a chutam. Eles estão jogando futebol; vc apenas pensa que está."

O que rege o BDSM está contido dentro do significado  dessas quatro letras: Bondage, Dominação, Submissão, Sadomasoquismo. O que está fora é fetiche.
Ao contrário do que muitos acreditam, as práticas BDSM estão contidas no vasto universo dos fetiches, não o contrário, por ser o fetichismo muito mais abrangente.

E, dentro dessa esfera gigante fetichista, o maior problema é a confusão em torno disso. Não basta ter um fetiche para ser Bdsmista, é preciso estar contido dentro daquelas quatro letras. É preciso jogar o jogo do poder seguindo suas regras de consensualidade, segurança, ética, bom senso, bom uso do que está em nossas mãos e cuidados em geral.

O "meu BDSM" tem causado muita confusão. Usando dessa premissa, alguns o têm utilizado pelas mais variadas intenções. E tem havido abusos, prejuízos à saúde física, mental e emocional, prejuízos financeiros, traumas, riscos de todo tipo, choro e ranger de dentes. 

Se as pessoas realmente atentassem para o perigo que representa o "meu BDSM", talvez mudassem de ideia e voltassem a considerar viver o BDSM que não é meu, nem seu... mas que é seguro PARA TODOS NÓS.



William Gama - Dom

22 de set de 2014

Comunicado



Meus queridos!

Sou Amar Yasmine, a escrava submissa do SENHOR DIABLO, adepta ao BDSM desde 1998.
Por imposição do Facebook, se eu quiser manter ativo meu perfil, tenho que usar meu nome de Carteira de Identidade.

Arbitrariedade?

Invasão de privacidade?

Dêem o nome que julgarem melhor.

Podem julgar até que é um cuidado do programa com a segurança de seus usuários..rs.. o que acreditarão os incautos que ignoram que segurança é promovida através da Educação e seu interesse é responsabilidade dos governantes. Não é um programa que impedirá a ameaça das invasões.

A mim pouco importa. 
Não me preocupa em nada que o mundo saiba que eu, Graça Fernandes, profissional da Comunicação Social, seja uma adepta ao BDSM e conhecida em seu meio pelo respeito e a seriedade com que o pratica, desde que nele se encontrou.

Sou mãe responsável. Criei meus filhos dentro da verdade. Tanto eles, quanto toda família, amigos, profissionais professores, jornalistas, publicitários, relações públicas, escritores, historiadores, músicos, os da área da saúde e até políticos com quem já trabalhei sabem da minha escolha de vida pessoal.

Já fiz palestra sobre o tema BDSM para professores coordenadores e alunos do curso de Psicologia da Faculdade Newton Paiva Ferreira, em auditório lotado.
Não me diminui ser uma escrava submissa. Isto é, na verdade, motivo de orgulho e prazer, pois minha entrega é de livre vontade e o que me encanta e fascina. Assim como me fascina a busca do Conhecimento.

Portanto, está aí meu nome como me foi exigido pelo Facebook. 
Manterei o Amar Yasmine do SENHOR DIABLO registrado nas minhas fotos pessoais, pois é o que me realiza como fêmea.
Estejam bem e felizes
Abraço caloroso a todos!

Amar Yasmine do SENHOR DIABLO

ou

Graça Fernandes

*como preferirem*


18 de set de 2014

Cuidar e ser cuidada


Se  a casa de um homem é seu castelo, o que dizer, então, da casa de um Dominador? 
Ela é o castelo, o templo, é a fortaleza que abriga Seus tesouros. E, sendo um bem precioso, do qual Ele é o Rei, Autoridade Suprema, Dono e Senhor, Ele cuidará para que sua propriedade não venha a ruir. 

Esse cuidar vem desde a construção da base, estendendo-se aos reparados dos desgastes causados pelo ação do tempo. A solidez de sua obra depende desses cuidados.

O cuidado se faz sempre necessário, afinal, quem usa, cuida.

Entretanto, vejo muitas expectativas girando em torno dos cuidados do Dom para com sua submissa. Algumas delas, parecendo-me um tanto distorcidas. Uma frase que leio muito; "quero um Dom que me cuide ". E quem não quer alguém que lhe cuide?! Seria essa a missão da escrava, a de ser cuidada e não a de servir ?! Acho que ainda é a de servir, acho!

Ainda assim, cuidar e se cuidar é uma necessidade constante, pois, alguém que não esteja bem física e mentalmente não tem condições de prestar bons serviços.

Mas afinal, o que seria esse cuidar, o que a escrava deve esperar de cuidados?

Esse cuidar é amplo, envolve nuances muito particulares, dessa forma, cada um tem definições específicas de cuidar e ser cuidado, que se enquadrem em suas  necessidades e buscas. 

De um modo em geral e dentro do contexto BDSM, o bom senso no uso é cuidar, a orientação de como se portar em determinadas  situações, os ensinamentos, o poupar a escrava em momentos difíceis, o amparo emocional, o prepará-la para situações que exigirão dela mais que o habitual, enfim, não danificar a peça e promover um crescimento mais amplo possível, são cuidados necessários e bem-vindos. 

Poderia-se dizer que esses são deveres de quem usa, pois, ainda que sejamos meros objetos de uso e prazer para o Dono, não somos algo que se usa e joga fora inutilizado. Portanto, quem usa, cuida! Dessa forma, torna-se desnecessário falar em deveres,  já que eles encontram-se inseridos no contexto geral do uso, também,  não me cabe fazê-lo.

Isso não quer dizer que escrava não precise de atenção, de carinho, compreensão e até do colinho do Dono, nem que a cadela não precise de um petisco, de um ossinho fora da  refeição ou daquele afago sempre muito bem-vindo. Precisamos, sim. 


Quando nos entregamos para o servir, estamos nos entregando, também, aos cuidados Daquele a quem servimos, porém, que não seja o ser cuidada o objetivo maior da entrega. Pois, assim o sendo, perderia-se o sentido da mesma.

Estar sob os cuidados do DONO, não nos exime de tomar os nossos próprios cuidados ou de ter responsabilidades com a nossa integridade física, mental e sentimental. Quem seria o responsável por um coração partido, por uma desilusão senão aquele o entrega e que se ilude?!   

Os cuidados são responsabilidades de quem  os recebe e também de quem os entrega.

ELE me cuida, eu me cuido, N/nós nos cuidamos... e assim seguimos. 


luah negra

14 de set de 2014

Um dia em minha vida de escrava submissa

Apenas um, porque os outros 
devem ter sempre algo diferente pra não cair na rotina

01 - Acordar de manhãzinha antes do DONO, sugá-lo mansamente, sem sobressaltos em seu sono, permanecendo assim até despertá-lo sorrindo. E tremer alegre ao ter permissão de receber sua chuva, caindo em gotas douradas em minha boca, para depois, saborear seu gozo matinal como orvalho a me banhar.


 02 - Preparar seu banho com carinho, escolher suas roupas com bom gosto, separar o que é preciso para seu trabalho, enquanto ELE descansa na cama. Lembrar de colocar um bilhete carinhoso em seu bolso, dizendo de meu encanto com sua força, seu comando e domínio, do tanto que me honra ser sua serva e nada mais.

03 - Preparar seu desjejum com alimentos saudáveis para manter sua forma e saúde, colocar junto dELE o jornal preferido e, ao me despedir à porta, transmitir, em meu aceno, o desejo de um dia produtivo, deixando que todas as minhas energias positivas sejam levadas por ELE para o trabalho.

 04 - Depois que ELE se for, ajoelhar e rezar, pedindo ao Criador que O proteja de toda maldade e inveja, e mantenha acesa sua chama de justiça e solidariedade humana. Depois, arrumar sua casa, suas roupas, engraxar seus sapatos, preparar sua comida, deixar tudo cheiroso e muito limpo para sua volta. 


05 - Sair para pagar suas contas, comprar o que ELE precisa, resolver tudo que estiver pendente, fazer o que for preciso para evitar que ELE se preocupe e perca seu tempo com coisas pequenas. Na rua, fotografar cuidadosamente alguma mulher que possa lhe agradar e arranjar uma maneira de conversar com ela, para ter como encontrá-la depois, se for da sua vontade.

 06 - Ir para o trabalho pensando em meu aprimoramento profissional, como complemento de meu desenvolvimento intelectual, para compartilhar de sua inteligência. Não deixar de procurar um filme interessante, comprar um novo CD, passar na livraria para saber dos últimos lançamentos e comprar uma revista com mulheres lindas, a última edição daquela revista de esportes que ELE adora e aquele jogo novo que está fazendo sucesso e que ELE ainda não teve tempo pra conhecer.

 07 - Voltar para casa, descansar, ler jornais e revistas para ficar bem informada. Tomar um banho relaxante e me preparar com antecedência para sua chegada. Dar os últimos retoques no jantar e esperá-lo, coração batendo forte, pulsando mais a cada minuto que me aproxima do seu retornar. E, ali, subserviente e nua, de joelhos, sorriso doce nos lábios, olhos baixos, brilhantes de emoção, recebê-lO e mais uma vez me doar.


 08 - Descalçar seus sapatos, beijar e massagear seus pés, tirar suas roupas, banhá-lO com minha língua, refrescá-lO. Depois lavar seu corpo, cuidar dos seus cabelos, vesti-lO com sua roupa íntima preferida, e ficar ouvindo atenta ao que ELE tem pra me contar. Aquietar-me e fazer do meu silêncio o bálsamo para sua leitura, pois sei, que ELE gosta de ler durante o jantar.

 09 - Esperar que ELE queira meus carinhos e cobri-lO com todos que tenho para dar. Ser criativa, me insinuar. Buscar em seu olhar se me quer mais atrevida, ou mais submissa... Se mais delicada, ou uma mundana. Satisfazer todos os seus desejos, dos mais ternos aos mais perversos. Ser seu tapete, sua almofada, sua mesa, seu cinzeiro. Ser sua cadela de estimação, buscar a bolinha quantas vezes ELE jogue, pegar suas coisas e trazê-las nos dentes. 

10 - Finalmente, entregar meu corpo, para que ELE use a seu bel prazer, oferecer meus cabelos para que ELE os puxe como rédeas ao me cavalgar. Oferecer minha carne para que ELE maltrate com todo seu sadismo. Contar e agradecer todas as suas torturas e me orgulhar das marcas em mim deixadas. Delirar de tesão quando ELE entrar em mim dilacerando-me com perversidade. Receber sua seiva quente em meu rosto, boca e em todas as partes do meu corpo e gozar desesperadamente, quando ELE ordenar, chamando-O de "meu DONO e SENHOR!". 



Assim, ao final do dia, quando ELE dormir tranquilo e em paz, zelar pelo seu sono e agradecer ao Criador por ser a mulher mais feliz de todos os tempos e de todo o universo. Também por ali estar e só por um dia tê-lO encontrado.

Bom lembrar que este comportamento poderá ser mudado inteiramente, de uma hora para outra, segundo sua vontade. As regras são dELE. A mim cabe apenas obedecer e realizar seus desejos, porque meu objetivo e meu prazer são, tão-somente, sabê-lO feliz.

AmarYasmine do SENHOR DIABLO

9 de set de 2014

Sobre o "Princípio da Submissão"


No âmbito do BDSM, há uma plêiade de comportamentos, mas focando apenas na forma como nos colocamos e participamos deste nosso universo, entendo haver dois principais grupos; os que apenas praticam, e aqueles que, além disto, semeiam suas ideias.

Considero a estas, como as filosofias do BDSM.

Obviamente que em ambos os casos, há pessoas sérias e com grande conhecimento; portanto dignas do respeito com que são consideradas. Embora alguém possa ver a isto como algo de exagero, afirmo que é justamente por estas filosofias, que o BDSM se mantém ainda íntegro em seus princípios.

Amar Yasmine do SR DIABLO, que acompanho há bastante tempo,​ tem uma sentença que considero como algo muito especial. O Princípio da Submissão.


Princípio da Submissão:

"Não sou tua submissa porque TE amo. 
Eu TE amo porque sou tua submissa."


Tenho lido este princípio muitas vezes ultimamente. E longe de discordar, posso afirmar que não alcancei, ainda, este nível de entendimento, no sentido de praticar.

Então amo à submissão, amo à condição de ser submisso (a). Será que, lá no fundo, realmente amo ao meu EU submisso?

Parece algo meio paradoxal, e que nos remete a uma condição muito centrista em si. Por outro lado, não existe a submissão sem a contra partida da Autoridade. E nesta está a questão.

O submisso(a) não cede, nem dá poder a alguém. Porque não tem, não exerce.

O que é dado é apenas o direito ao exercício de Autoridade. Então o submisso, por seus motivos, cede este direito a quem se propõe dominá-lo.

No meu caso, o principal motivo é a Personalidade. E personalidade não é sair por aí ditando ordens, nem assumindo uma postura prepotente.

Já vi submissos(as) com este perfil. Porque a personalidade está em como regemos/controlamos nosso comportamento e nossas emoções cotidianamente. Isto requer, entre ouras características, maturidade, bom senso, inteligência, criatividade, e uma boa dose de pragmatismo. Tais atributos aliados à cultura (cada um tem a sua, mas quanto mais, melhor), ditam o nível da Dominação.

A cultura aqui citada, não alude a qualquer forma de discriminação, ou preconceito. Apenas entendo que quanto mais significativa for, maiores serão as possibilidades de entender, deduzir, criar, conciliar, inferir,... etc.

Quem não se domina pode dominar outros?

E quem não se entende, pode a outros entender?

O D/s é uma arte, e é como um piano tocado a quatro mãos. Elas se completam.

Dominar é uma arte, e submeter-se não se resume a uma atitude  passiva. Não são atos simples como andar; e como toda forma de arte, tem que ser sentida.

Muitas vezes, é da reação do (a) sub que advém o tesão do Top.

Se você não percebe, ou sente o outro, como e então poderá interpretar suas reações? E como agirá, em cada situação?

Então, tem que haver uma transparência de ambos os lados, em prol de maiores entendimento e percepção.

D/S → esta barra não está aí para separar, ao contrário, é ela que une Domínio e submissão. E há de ser transparente.



 ​
Werther von AY erschaffen 


5 de set de 2014

Surtos submissos


Costuma-se falar dos prazeres e das dores da entrega, pois, é o que nela há de mais forte e evidente. O prazer que encontro na submissão é o maior que já encontrei em termos eróticos, e as dores são igualmente intensas. Entretanto, toda essa intensidade mexe muito com o nosso emocional e, embora as nossas emoções estejam sempre em pauta, existem também os surtos, dos quais pouco se fala. 

É, eles acontecem! E é pelos mais variados motivos.

Acredito que, em algum momento, toda sub tenha surtado ou venha a fazê-lo.

Estamos em contato com emoções das mais intensas e nem sempre é algo simples mantê-las sob controle. Por vezes é impossível não sair dos eixos da razão e derrapar numa das curvas da emoção. 

"Um surto ou crise emocional pode se manifestar de diferentes formas, mas, de forma geral, entende-se como sendo uma reação do sujeito frente a um acontecimento em que não se sinta preparado emocionalmente para enfrentar. É muito comum em vivências que exigem do sujeito adaptação. Dessa forma, as crises não são, necessariamente,  algo ruim ou prejudicial à vida do sujeito. Ela pode ser um processo de autoconhecimento e fortalecimento pessoal."

Logo em meu primeiro contato com o meio BDSM, passei por um momento dos mais difíceis.

Eu estava maravilhada com tudo que descobria sobre submissão, em estado constante de tesão à flor da pele e sob restrição de orgasmo, com tudo isso junto e ainda sem saber lidar com as novas e intensas sensações que se apoderavam de mim, tive um surto que a princípio foi assustador, revelador mais adiante.

A sensação era de que enlouqueceria e não voltaria mais ao normal. E, em parte é verdade, depois de conhecer a submissão não se retorna mesmo ao estado anterior. Ainda assim, aquele misto de sensações formava uma grande confusão mental, algo desesperador.   


Um depoimento 

Certo dia, adormeci brevemente no sofá da sala, havia apenas eu e mais um familiar em casa. Não me lembro de ter tido sonho erótico, é comum despertar mexida depois deles. Acordei me esfregando no sofá e quase gozando.  Mal podendo me mexer, senão, gozaria ali mesmo, eu tentava sair logo dali, precisava ficar sozinha pra me recompor. Mas a cada tentativa de me mover, uma onda de tesão tomava conta do meu corpo. Sem saber o que fazer, fiquei imóvel por um tempo e com as mãos tampando os rosto, pois, o tesão, a vergonha e a vontade de chorar estavam estampados nele, respirei fundo e, mesmo sem muita firmeza nas pernas, consegui chegar até o banheiro, que se tornou meu refúgio. 

Entrei embaixo do chuveiro, a ideia era que a água me acalmaria. Ela em nada ajudava, junto  com ela, desciam as lágrimas e lavar as partes íntimas era impossível, pois, tocá-las, só fazia aumentar o tesão. O interessante era que masturbação sequer me vinha à mente O desespero era tamanho que eu não raciocinava,  havia o choro copioso, os murros na parede, a raiva, vergonha, culpa, medo de enlouquecer... 


Depois de várias tentativas frustradas de retornar à sala e encarar a pessoa que acompanhava àquela cena patética, finalmente consegui dizer-lhe algumas palavras. Não adiantava explicar, alguém de fora jamais entenderia a situação, eu mesma não entendia.  

Ainda em estado deplorável e sem conseguir dizer o que estava acontecendo, enviei mensagens ao Interessado desistindo de tudo, porque estava enlouquecendo e não podia viver daquela forma, enfim, enviei-lhe um texto incompreensível. Enviei essa e várias outras mensagens sem conseguir dizer tudo que deveria ser dito. Tendo finalmente recobrado o juízo, expliquei tudo.

Resumindo, eu surtei mas, foi à partir daí que comecei a compreender o que é ser submissa. Teria sido tão mais fácil se eu o tivesse desobedecido e, na época, me questionei bastante por não tê-lo feito, já que evitaria vários transtornos.
Tempos depois, entendi que obedecer é difícil, mas desobedecer ao Dono é ainda mais difícil, e que, esse sentimento submisso é mais forte que eu, mais forte que a razão e que não dá pra fugir dele, pois, ele é parte de mim. Não é à toa que existe uma frase (desculpem , não sei a autoria) que diz; "Obedecer é difícil , por isso eu faço".

Esse foi o primeiro de outros surtos que ainda viriam, mas que fazem parte da vivência submissa . 

É nosso crescimento, nossa luta interna entre o que se pode e o que se deve, mas que nos torna melhores e mais  fortes.

luah negra 






luah negra

1 de set de 2014

UM DOMINADOR PONDERA...

O sonho do canil


É sonho de todo DOMINADOR ter mais que uma escrava, pois, além de alimentar o ego, as suas variações são intermináveis. 
Mas todo bônus tem seu ônus. Como determinar  de quem é a vez, o tempo para cada uma? Planejar sessões, castigos e, principalmente, direitos e deveres de cada escrava?

Tenho a opinião firme de que é cada DOM que determina os deveres e os possíveis bônus às suas escravas. Tenho no momento três escravas e criei uma hierarquia entre elas como um quartel, ou seja, antiguidade é posto. Não que a mais antiga mande nas outras, isso jamais pode ocorrer ou o caos estaria criado com o ciúme e a falta de comando imperando. Mas assim como foi a primeira a ser testada, ensinada e adestrada, ela tem o privilégio de ter o bônus dos passeios com seu DONO e uma certa preferência nas escolhas nas datas das sessões. 



Numa sessão que envolva duas escravas, deixo claro que a antiga terá preferência e que a outra deve observar e aprender para que um dia seja ela a preferida. Apesar de parecer contraditório, isso evita a guerra entre elas, pois quando todas sabem suas tarefas e seus benefícios, fica mais fácil a convivência. Também acho que o desejo do DOM ter mais de uma escrava deve ser estabelecido desde a primeira escrava, assim evita crises, pois como sabemos, há sempre algumas que "querem"ser a única.

Administrar o tempo para cada escrava é o principal problema já que envolve vários fatores como trabalho, vida pessoal, horários e, as vezes, o intervalo entre a sessão de uma privilegia ter mais com a outra. Criar um calendário  entre elas é mais saudável. 

Quanto às punições , gosto de contar para todas que uma foi punida e de que forma , assim deixo como aviso o que posso  e o que a escrava pode perder .
O que quero passar aqui é que o prazer e a DOMINAÇÃO de mais de uma escrava é belo, porém, as obrigações para com todas é trabalhosa.




DOM JH