16 de dez de 2015

Para encerrar o ano...

Fim de ano, festas se aproximando, é hora de encerrar o expediente.
Tentamos, durante o ano de 2015 passar o que pudemos de melhor sobre o tema em textos, informações, trocas proveitosas porque esse é nosso objetivo: informar a respeito para que a essência do BDSM não se perca.

Esperamos ter ajudado. Nossos números, algumas centenas de milhares de visualizações, comprovam que nosso objetivo tem sido atingido.
Nós, do escravas & submissas, estamos felizes por isso e desejamos a V/vocês, nossos leitores, um Natal de muita luz, paz e amor.

E para 2016, a esperança de muitos encontros, muitos pares - ou trios, quartetos, o que for - se formando e vivenciando muitos prazeres; muitas amizades e parcerias nascendo, muito BDSM na vida de todos N/nós!
Não poderíamos terminar o ano sem deixar um presente para nossos leitores: um conto de Natal... BDSM!

Agradecemos sua presença durante o ano de 2015 e esperamos V/vocês em 2016, de braços abertos.

Boas Festas a T/todos!

Carinhosamente,

*escravas & submissas*

O Presente


Ele não levou flores...não levou bombons , nem um bichinho de pelúcia...
Um garrafa de vinho e taças para beberem juntos ? Um presente embrulhado com um grande laço de fita ? Um cartão de boas festas , com uma bela mensagem dele ? Também , não .
Do que se espera ter num encontro comum , ele nada levou...
Para um de seus encontros incomuns , objetos , ideias e desejos nada comuns .
Ele levou velas... Mas esse ainda não era o presente .


E não era para iluminar , para aromatizar ou decorar o ambiente... não era para deixar o encontro romântico . Não .
Eles sabiam o exato propósito delas .
Ele levou velas , vendas , mordaça...Mais que isso , ele levou o melhor de si , foi acompanhado da ideia de torturá-la como nunca .
Velas para fazer arder a pele daquela que o aguardava...vendas para causar expectativa...mordaça para que não houvessem gritos ou pedidos de clemência .
Ela sabia o que a aguardava e , também , levava algo para ele ; o desejo de ser levada ao limite .

O primeiro objeto saiu da bolsa ; a coleira de sessão . E foi da bolsa , diretamente , para o pescoço dela.
Em seguida , saiu o rolo de silver tape . Braços postos para trás e atados com a fita .
E mais um pedaço de fita foi cortado , esse era para selar-lhe a boca .
A partir dali , ela não diria nem mais uma palavra...elas seriam apenas ouvidas e respondidas com sinais de sim e não , feitos com a cabeça .
A fita a calou e imobilizou . Seus olhos , no entanto , ainda podiam acompanhar a movimentação...Não por muito tempo .
Logo , nem isso lhe restou . Sua última visão fora das vendas na mão dele .
E tudo fez-se breu...silêncios...expectativas...desejos .


Ela não precisava falar...
Ele sabia exatamente do misto de sensações que a envolvia...Todo aquele clima se traduzia em umidade .
Por maior que fosse a tensão de estar ali , a mercê dele , sem saber o que viria a seguir , a umidade entre as pernas não lhe permitia negar o quanto estava excitada .
Ele não se furtava de inspecioná-la... tocava-a com uma ausência de gentileza , que não apenas revelava sua excitação , mas ainda a intensificava .

Ela não precisa ver...
Sabia exatamente o quanto Ele saboreava aquela situação .
O calor do momento fazia-se antes mesmo da vela ser acesa e não acontecia apenas para ela...
Acendê-las já fez seus olhos brilharem...eles brilhavam , mesmo não vendo , ela podia perceber tal efeito .
Eles brilhavam...não pelo efeito da chama que se encontrava em sua mão . Não .
O prazer de vê-la ali , na tensão da espera , na excitação , na restrição , produzia um brilho muito peculiar aos olhos dele...
Eles brilhavam  , ela tinha certeza disso .
Mais que brilhar , eles se tornavam misteriosos , impenetráveis , quase assustadores...
Quando podia vê-los , era assim que ela os interpretava .


Junto a esses pensamentos , recaíram-lhe os primeiros pingos...Um após o outro , a pele ia sendo testada , reações sendo analisadas , entranhas sendo inspecionadas .
A cada toque , uma nova sensação surgia ... de agradável e excitante , para o ardente , o suportável , o torturante...
A pele estava sendo levada ao limite...a distância entre a vela e a pela era mínima possível...estava  insuportável .

Seu corpo encontrava-se indefeso...e em agonia .
Cada pingo era um tormento para ela e um delírio para Ele .
Dor ? Prazer ? Dor e prazer ? Ela sequer sabia o que sentia , o que expressava ou o que queria .
Sua única certeza era que ele se deliciava com a sua agonia...essa certeza ajudava suportar a experiência...
Estar nas mãos Dele lhe dava forças para suportar até o insuportável .
Ao fim , a recompensa ; ver a satisfação em seu olhar , falar , tocar...senti-lo .
Ver o prazer que dele transbordava e ter o merecimento de lambuzar-se Nele .


E ela recebeu o seu presente ; a satisfação de dar prazer... o prazer de ter prazer com Ele .
Deu-se a comunhão da lascívia .


luah negra_DOM JH

6 de dez de 2015

Conversando sobre a espera



Devido ao crescente número de meninas que me procuram com dúvidas sobre a espera, resolvi falar um pouco do que penso sobre o assunto e assim, esclarecer de uma vez esse ponto. Não que tenha autoridade para citar normas ou regras mas pela experiência que adquiri nesses anos vivendo o BDSM, observando e ouvindo histórias, tenho opinião formada sobre o assunto. É do que vou tratar aqui, esperando ajudar algumas pessoas e lembrando que é apenas a minha opinião.
Sabemos que a espera é um dos mais difíceis itens da submissão, um verdadeiro teste de paciência, resignação, confiança, segurança, equilíbrio...
Para abordar o assunto, baseio-me em uma das últimas mensagens que recebi sobre o tema, com a devida autorização da interessada, cujo nome será suprimido por questões éticas.

-------- 27F
Sao Paulo, Brazil
written 14 days ago:
Olá vita !
Sou uma iniciante e por saber da sua experiencia vim pedir uma ajuda se não for encômodo , se não quizer me responder vou entender mas gostaria de saber quanto tempo devo esperar por meu DONO ? Nos conhecemos 4 meses atrás e negociamos falando todo dia até o primeiro encontro em outubro .
Depois do encontro ELE teve um problema grave de família e me pediu que esperasse mas agora quase 2 meses depois eu não sei se devo continuar esperando pq estou perdendo as forças e choro todos os dias sem saber o que aconteceu com ELE .

A mensagem continua dando outros detalhes mas essa parte é suficiente.
Quem me conhece sabe que tenho opiniões bem radicais sobre a submissão. Deve haver compromisso, humildade, obediência e foco. Exigências e mimimis estão fora do pacote.

Contudo, ao mesmo tempo que espero ver comprometimento em uma submissa, espero o mesmo em relação aos Donos. Inegável que eles tenham mais direitos, ou todos os direitos, mas têm também seus deveres. E é dever do Dono cuidar do que possui. Como cuidar é decisão dele mas é preciso que fique claro que quem se intitula Dono, deve cuidar.

Há pouco tempo escrevi em meu próprio blog um texto que compara plantas a escravas e onde disse que, apesar das plantas nada pedirem, elas murcham se não as regarmos.
Assim é a submissão. Se não for alimentada ela também murchará, se consumirá.

Diante de tudo isso, quanto tempo deve durar uma espera? Não sei.
Existe um tempo estipulado para uma espera? Acredito que não.
O que existem são motivos.
Que motivo você tem para esperar? Vale a pena?
Se vale, é um ponto importante a considerar... mas não fica por aí.
Sabemos que na espera a submissa deve se manter serena, equilibrada, confiante, fiel.
No entanto, quem espera, espera por alguma coisa.
Outra questão importante é: pelo que você espera? Por quanto tempo? Qual o motivo?
Alguns diriam que o Dono não tem obrigação de dar explicações sobre suas ausências.
Eu digo: tem sim!


Para manter a submissa esperando serena, confiante e fiel, é necessário dar suporte para que ela sinta-se assim.
E ninguém consegue manter-se segura e equilibrada sem saber o que espera, por quanto tempo e o que motivou a espera. Sem isso o que existe não é espera; é abandono.

Não estou afirmando aqui que um Dono deva dar minuciosas satisfações de sua vida pessoal, mas deve dar algo em que se possa confiar, se apegar no momento da ausência. Agindo assim ele estará também demonstrando confiança em sua submissa.
A confiança é uma via de mão dupla e se houve uma entrega é porque houve confiança suficiente de uma das partes... por que não pela outra?

Outro ponto importante para uma espera serena é o contato. Com toda a tecnologia a favor da comunicação entre as pessoas não há razão, a não ser em caso de morte ou doença gravíssima, para não manter contato, não dar uma notícia e uma palavra ou outra que tranquilize a submissa e a fortaleça na ausência.
Sabemos que a vontade do Dono é soberana e ele decide sobre cada um dos itens falados aqui: contato, comunicar motivo de ausência ou não, é direito dele. Mas, não fazendo isso, ele estará cuidando? O cuidado é um dever, também, legítimo.

Diante disso, minha conclusão é a seguinte: Não existe um tempo específico para uma espera. Cada uma sabe o que tem e se o que tem vale a pena. Mas deve-se refletir sempre o seguinte: o que estou esperando? Por que estou esperando? Até quando estou esperando? Se você não souber responder a nenhuma dessas perguntas, alguma coisa está errada.

Cada dia que se passa não tem volta, portanto, é uma grande responsabilidade deixar alguém esperando pois perda de tempo é perda de vida. Pense nisso e verá se sua espera tem valido a pena.

Deixo aqui um texto baunilha que, adaptando ao nosso estilo de vida, cabe na situação.

"Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.
Quem quer, arruma um jeito. Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz cinema virar motel, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer é capaz de viajar 100 quilômetros só pra te ver, e não interessa se o tempo fechou tão rápido, quem quer não vai pensar duas vezes em te ver hoje ou deixar pra próxima semana. Quem quer, não vive de conversas, não perde tempo, não arruma mil e uma desculpas pra justificar que não vai dar pra te ver hoje porque o dia foi cansativo demais.
Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um ''fica bem'' por mensagem..." (Iandê Albuquerque)


Espero ter ajudado.

{Λїtą}_ŞT

Feliz propriedade do Senhor da Torre



7 de nov de 2015

Liberdade de expressão submissa


Uma vez decidida a trilhar voluntariamente um caminho de submissão uma mulher deve procurar aperfeiçoar-se a partir dos referenciais de seu Dono. Esse processo inclui aprendizado e adestramento, palavras que sempre usamos. A riqueza da interação da submissa é que vai gerar o resultado que se pretende "ensinar" ou "adestrar". Naturalmente não é apenas com seu Dono que a submissa aprende, nessa jornada. Ela deveria ler e fazer alguns amigos pra ter percepções referenciais de boas relações de submissão. Pra crescer na sua submissão. Pra entender mais e servir melhor, inclusive.
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O problema é que cada relação é de um jeito e cada pessoa é única, processos ricos e essa coisa toda. Mas gostaria de levantar como reflexão o recorte "Doms que não permitem que suas submissas tenham contato externo ou interação com discussões de opinião".
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Vejo muitas vezes confundida nossa autoridade Dominadora com supressão do pensamento e cassação do direito da submissa a ser entendida como pessoa que também está em uma jornada de busca voluntária por felicidade. Ou seja, como um ser humano que tem suas demandas, mesmo que uma delas seja servir. Ou ainda; ela não se anula como ser humano por ter a demanda de servidão voluntária dentro de si.
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Durante o ano em que foi minha a natasha conversava e opinava no meio BDSMer livremente. Os resultados que colhi disso sempre foram os melhores possíveis e sempre tive gratas surpresas e grande orgulho do seu comportamento. Ela cresceu como submissa nessas interações, fez amizades, discutiu. E nunca me envergonhou ou me diminuiu em nada por isso. É evidente que respeito a maneira como os outros vivem e o tipo de limitações que impõem, dentro da negociação. Estou apenas dividindo que sempre foi a política que adotei e sempre foi ótimo.
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Isso é apenas um depoimento de que minha severidade nunca foi alterada pela suposta liberalidade de que minha sub tinha liberdade de dizer o que pensava abertamente e sem censura.
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Se um dia ela se comportasse mal eu lhe daria justo, merecido e justificado castigo. E ela ia entender porque é uma boa menina. Mas nunca aconteceu. Com isso eu tive ainda mais orgulho da minha obediente cadela. Pretendo ter orgulho de ver uma submissa minha discutindo abertamente com inteligência uma série de questões em comunidades, como prevejo ser bastante provável que aconteça. A sub é o espelho do Dono, costumamos dizer. Gosto que uma submissa saiba que é depositária da confiança de que não me envergonhará. Que ela tenha essa responsabilidade. A liberdade e o peso dessa liberdade.
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Você pode brincar de afogar sua putinha na privada da sua casa, mas você não pode deixar de entendê-la como um ser com uma busca legítima. O que há é uma relação entre dois seres humanos e entender que o outro tem demandas, expressões e expectativas é ser realista e justo. Isto posto o pau come.
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E se se comportar mal leva castigo brabo.


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Particularmente entendo como mau comportamento ser desatenta em relação ao empoderamento do Dono em qualquer interação com o meio, por exemplo. Deve falar livremente sem causar vergonha ao Dono, ser educada e gentil em contraponto a submissas que arrumam encrenca e fofocam. Manter um comportamento geral virtuoso, honrado, dirigido ao Dono no sentimento e intenção verdadeiras. Se eu tiver isto tudo, que sentido faria tentar controlar as interações e percepções que a submissa tem do meio? O direito do castigo é ainda a cereja do bolo das minhas garantias. E das suas, como Dom.
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Sendo assim é ótimo que ela interaja e opine, aprendendo e desenvolvendo sua submissão. Seu auto-conhecimento, sua busca de referenciais que a ajudem a servir melhor e melhor. É um orgulho ser servido fielmente por uma fêmea que seja exuberante na sua inteligência e ainda assim um brinquedinho de foder na sua mão mais forte.
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Isto é apenas para fazer pensar em relação a limitação de opiniões fora de sua relação bilateral com o Dono a que vejo honrados Doms submetendo suas peças. Outro bom argumento pra fazer pensar é senso comunitário: com a participação restringida todo meio BDSMer se empobrece. E o ponto é que rigidez proposta na relação de transferência de poder não é afetada porque você deixa sua sub participar e aprender mais. Pra te servir melhor.
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A restrição do direito da fala é um poderoso recurso de nossas práticas sexuais. A gente se diverte amordaçando uma mocinha, for sure. Mas isso tem mesmo a ver com fazer lobotomia em nossas submissas?
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daysofsodom:

hush
 gagged ball gag actress celebrity liv tyler

Isso não envia um sinal a elas de que não confiamos de que são capazes de nos surpreender ou orgulhar com um comportamento exemplar?
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As melhores demonstrações de submissão que recebo são as voluntárias, que partem de alguma iniciativa livre da submissa. Esse é um bom exemplo de como liberdade concedida reforça a autoridade inicial consessora da liberdade.
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Deixem as borboletas voarem, rapaziada. Se fizeram um bom trabalho vocês vão ter orgulho do resultado.
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Marte 
Dominador, RJ


Texto publicado no blog O Sagrado Masculino e gentilmente cedido pelo autor para publicação neste blog.

14 de set de 2015

A puta e a submissa


Ela não sabia, ela tinha se escondido a vida toda para que ninguém tivesse acesso àquela que julgava tudo o que não queria ser. Se transformou, se moldou, se condicionou a tudo o que os outros queriam dela.

Altiva, imponente, autoritária, alegre, diziam até mesmo que tinha sua própria definição e categoria. Ela era admirada, cortejada, era mais que isso... ela era temida, ninguém ousava confrontá-la, ela só se dobrava à quem queria, desejava, mas só àqueles que não fossem capazes de ultrapassar a linha invisível... ela sabia que poucos poderiam ver, afinal, as pessoas não enxergam além, elas vão até certo ponto, elas não vão além, dá trabalho... era um corredor muito escuro a sua alma, e tinha uma porta escrito NÃO ULTRAPASSE, ninguém ultrapassava, ninguém sabia o que tinha lá dentro, apenas ela...


Era aquela pessoa, naquele quarto, completamente escuro, e ela ficou lá, se acostumou com o escuro, seus olhos se adaptaram, ela ficava ali, sentada, a vida toda abraçada aos seus próprios joelhos, no cantinho escuro, ali ela estava tão sozinha, e ao mesmo tempo tão protegida, enquanto a outra dançava, se mostrava, ia na frente; a outra a encantava, era tudo o que ela precisava, a outra não chorava, apenas se virava e continuava... a outra era sua armadura, sua proteção, a outra era a parte indestrutível dela... essa outra podia ser o que quisesse, essa outra era a versão do inferno, e queimava.

A outra tinha, muitas vezes, que ser a puta, mas ela não se dobrava, mesmo quando puta se impunha e fazia com que os homens a quisessem, eles a dominavam enquanto ela queria, ela dava prazer, ela não precisava de prazer, o prazer era apenas o poder que ela tinha de tirar o prazer, ela sabia que não era o suficiente, sabia que não a nutria, mas ela precisava continuar, ela não podia parar, aquela bebê medrosa e sem graça não podia sair de onde estava.

Eles diziam tantas coisas, a puta sorria, dizia que era isso mesmo, diziam que iam mostrar o que ela realmente era, uma puta, vadia sem vontades, submissa e escrava às  insanidades do “Dono”.... ela seria exposta, seria humilhada na frente dos amigos para que soubessem quem era ela na verdade, ela não se importava, ela se condicionava e aguentar aquilo, até acontecer ela pensaria em algo.


Mas um dia Ele chegou... Ele foi bem devagar e disse que não desistiria, ela dizia “não quero”... “não posso”... mas Ele a ignorava e foi entrando, não teve medo do corredor escuro e nem leu o que tinha na porta, ele entrou e a viu, ela foi para o outro canto, Ele ficou rondando, a acompanhava em cada canto que ela tentava se esconder, se sentou do outro lado da sala, Ele a viu e a quis... enquanto isso a outra, desesperada, tentava fugir, mas a bebê Dele não... pela primeira vez ela olhou para alguém e foi chegando perto e mais perto...

A fortaleza que se fazia de puta ficou sozinha, a vadia estava perdendo as forças, ela lutava, mas Ele dizia que a bebê Dele ganharia dela, mas elas não queriam se confrontar, a puta, a vadia, a cadela na verdade nem existiam, elas apenas eram o que os supostos donos queriam que fosse, e ela se moldava, como um camaleão frente ao perigo, Ele não quis saber, ele queria a mocinha do quarto escuro.

A outra foi na frente, o conheceu, tentou se impor, era tudo em vão, Ele ria dela...

Um dia a outra olhou e viu a mocinha no colo Dele, recebendo carinho, sendo mimada, cuidada, percebeu e sentiu o quanto ela ficava tranquila e em paz naquele colo, ela até sorria, se iluminava deitada no colo do seu Dono.


Então a puta viu que havia chegado a hora de ir, pq ela perdeu todas as forças, ela não conseguiria mais ser “a puta”, sem carinho, sem amor, sem paixão, ela não conseguiria ser a vadia que fazia tudo e não recebia nada e escondia toda a frustração que sentia na “mocinha do quarto escuro”, essa por sua vez era boa em guardar desamor, a melhor... mas ela não estava mais ali pra isso, agora ela estava ali para Ele, e a puta podia ir embora, a vadia não ia conseguir mais interpretar... a cadela não tinha mais coleira... todas elas podiam ir embora...

Elas foram desaparecendo, uma a uma e a bebê Dele, a submissa Dele, só Dele, ficou naquele colo, ela não conseguiria mais, não conseguiria ser de mais ninguém.



Não critico, não julgo, não aponto o dedo, acho que cada um deve ser como quer, como deseja, como lhe dá prazer, mas quando há alguém escondido dentro da alma da gente, aquela pessoa que não quer ser a puta ou a vadia ou mesmo a cadela. Ela quer colo, ser cuidada e se sentir em paz, sentir que pode ser ela mesma, acredite, uma hora essa pessoa vai querer sair do quarto escuro. Muitas vezes nos deparamos com a adaptação, nos deparamos com o condicionamento dos nossos próprios sentimentos, o tempo passa e condicioná-los fica cada vez mais fácil, mas em determinado momento, se encontrar quem te encontre no fundo da alma, isso não será o suficiente.

Ser puta entre quatro paredes pra alguns é fácil, pra outros nem tanto... e para algumas submissas isso é impossível, e apesar de alguns criticarem, isso não é pecado ou errado, cada um tem um jeito de ser e é necessário ser respeitado. Quando a lágrima de uma submissa escorrer no rosto, e seu desejo for deitar no peito do Dono e ali ficar, chame de entrega, quando isso acontecer é pq nenhum outro vai conseguir chegar perto, e caso aconteça, ela estará se mutilando, se matando, e em pedaços ela vai querer voltar para o colo que a completa, que a conhece, mesmo com medo ou assustada, isso não é pecado, é perigoso sim... se mostrar demais é muito perigoso, mas ser você mesmo, é, também, um sentimento pleno e de valor incalculável.

Só queria dizer que não é pq alguém não gosta de ser puta, vadia, cadela, spanking, marcas, humilhação que não seja submissa, a submissão real está na entrega, a entrega que faz chorar a ausência, que faz de cada erro uma dor sem fim, e que se comparada a dor de mil chicotadas, ainda será maior.

Sei que muitos vão criticar, e mtos vão se reconhecer... seja como for... são palavras que jogo ao vento, e que ele as leve à quem for de direito.



Alessandra (†?Noelle¿†®)

26 de ago de 2015

Sobre teorias e incertezas


É muito importante ter teorias, é importante conversar, debater, tudo que à acrescentar, é muito bem-vindo. 

Já consumi toneladas de teorias ao longo do tempo e ainda as consumo, isso me é muito útil no servir a MEU DONO. 

Mas elas só passaram a fazer sentido a partir do momento em que passaram a ser postas em prática. 

O pior é que eu achava que sabia alguma coisa de BDSM, afinal, com tanta teoria na bagagem, dava até pra acreditar nisso. Só que não!

Foi praticando que pude ver que aquela teoria toda era apenas um grão de areia nesse Universo BDSM. 

Eu não tenho a mínima intensão de trazer ninguém para o BDSM. Sei como é difícil a sobrevivência aqui. Mato, ao menos, um leão por dia nessa sobrevivência.

Não sou exemplo pra ninguém, a não ser para mim mesma, vejo quem sou, comparo com quem fui e imagino o quanto ainda posso crescer. 

Não sou veterana, não sei dar conselhos e, muito menos, encaminhar a ninguém. Mas se, ainda assim, eu puder ajudar a quem chegou depois de mim, farei com muito gosto, lembrando sempre que sou apenas uma sobrevivente, uma batalhadora. 


Todavia, para quem já atravessou o portal, se encantou com o que viu nesse maravilhoso mundo novo e almeja ter essas realizações...

Que tal sujar as patinhas de lama?! 

O BDSM tem teorias, tem certas regras, mas não tem manual...não existe um guia prático para consultas rápidas, muito menos um passo a passo de como se tornar submissa em dez dias, um mês, um ano ou seja lá em quanto tempo for!

Que tal ver com os próprios olhos, ouvir com os próprios ouvidos, sentir na própria pele?! 

Que tal se misturar a multidão e ver quem é quem?! Que tal sair da zona de conforto e ir a campo?! 

Que tal sentir o Sol e a chuva na pele?! Que tal pagar pra ver?! 

Nenhum dos que encontraram-se com as realizações, o fizeram ficando na janela, protegidinhos, não!

Atravessar o portal apenas o primeiro passo de uma longa caminhada, em que se tropeça, levanta e segue-se, levando a própria bagagem. 

Que tal derramar um pouco de sangue, suor e lágrimas nessa jornada?!

Quem o vê de fora ou acaba de chegar, tende a pintar um quadro tão belo e encantador quanto gostaria que ele fosse. A ideia de se conseguir algo fácil aqui existe e persiste nas mentes de muitos.

Sabemos que a entrega seduz, que tem seus encantos e uma beleza muito própria para quem com ela se identifica. 



Mas nunca é fácil e nem sempre as coisas dão certo. 

Quem já a vivenciou uma entrega, sabe o quanto do emocional ela exige, sabe o quanto de coragem, equilíbrio, de força interior é empregada nessa busca e na sua realização.

Assim como não adianta ter um chicote na mão se não souber usá-lo, também, não basta por os joelhos no chão e deixar a cabeça nas nuvens. Os resultados serão péssimos!

Se a busca é por sexo, entende-se estar no paraíso da luxúria, se a procura é por uma tábua de salvação, pensa-se estar num mar de rosas...

Os desavisados imaginam que aqui se encontra todo tipo de benefício, dos mais escusos aos mais ingênuos, e tudo muito facilmente. 

Entende-se poder usar o BDSM como meio para diversos fins.

Mas, D/s é um prato que, embora seja quente, se come frio. Os apressados, que o comerem cru, provavelmente não estarão apreciando seu verdadeiro sabor. E os que permanecem na janela, nem o cheiro sentem.

Não importa de que lado chicote estejamos, se iniciantes ou experientes, mas sim o quão adultos somos para superar os obstáculos da vida, assumir as nossas escolhas, superar dificuldades e crescer com elas.

É vivendo que se aprende a viver.

Ah, só pra constar... não sou mártir, não estou  num altar pra sacrifício, nem sendo crucificada. As  batalhas são minhas e os prazeres tbm são todos meus! 




luah negra_DOM JH



26 de jul de 2015

Christian Grey



Passado o dia 24/07, Dia Internacional do BDSM, assim criado em 2003 pelos proprietários do clube BDSM de Barcelona, Rosas 5, para celebrá-lo na data que corresponde ao símbolo usado para as relações 24/7, venho trazer ao nosso espaço o personagem que tornou-se muito importante no cenário do BDSM: Christian Grey. 
O assunto já está meio desgastado, mas devido a recente conversa com algumas iniciantes, achei necessário falarmos um pouco mais sobre ele.
Christian Grey acabou tornando-se mais famoso que o BDSM em si, mais conhecido, mais cobiçado, dominou literalmente a cabeça das mulheres. Todos os dias mais perfis de submissas são criados nas redes sociais, em busca desse personagem. Por mais que, envergonhadas, escondam essa realidade, é o que no fundo buscam, confessam algumas.



Mas quem é esse Christian Grey na vida real? Será que ele existe mesmo?
Na literatura, assim como na tela, Christian Grey é o protótipo do príncipe encantado. Lindo, rico, charmoso, cheio de glamour à sua volta, conseguiria submissas se arrastando a seus pés apenas com um estalar de dedos (pensando bem, será que ele precisaria mesmo desse pequeno esforço?).
Os Christian Greys da vida real não têm uma vida tão mansa. Eles superlotam os chats, as redes sociais, as festas e encontros BDSM em busca de uma submissa e geralmente não encontram.
Podem ser Josés, Paulos, Fernandos, Antônios, Pedros e até Amarildos...
Nem sempre sarados, alguns já ostentam uma barriguinha, cabelos grisalhos ou até brancos e há os que nem têm mais cabelos.
Outros, ainda, são muito jovens e inexperientes mas com potencial... e são também descartados por isso, ficando assim, sem chance de crescerem na Dominação.



Nem sempre tão bem-sucedidos, é pouco provável que algum deles tenha um helicóptero para te levar a um jantar e que deem Audis de presente.
Raríssimos terão um quarto vermelho da dor... talvez seus acessórios estejam guardados em uma pequena maleta, uma caixa ou até em uma sacola que eles carregarão consigo para o motel onde irão te levar, por não terem outro local.
Alguns poderão até ter uma patroa em casa e filhos para criar.
E em que isso os denigre?
Em nada, eles são reais, você pode sentir-lhes o toque, a respiração, tremer com a voz, com o olhar e derreter-se com um afago.



Entretanto, todo esse glamour embutido no romance torna muito mais difícil a esses senhores encontrarem a sua Anastasia Steele dos sonhos, mesmo que não exijam que ela seja uma ruiva linda e virgem de vinte e um anos, que aceitem uns (ou muitos) anos a mais, algumas ruguinhas, cicatrizes, estrias e celulites, coisas normais em mulheres normais.
Apesar disso têm a obrigação de suprirem a fantasia de alguém, de dizerem exatamente o que a "submissa" quer ouvir, de fazer as práticas que ela gostaria de experimentar, de dar os ensinamentos que ela quer receber para que venha a ser "a jóia preciosa dele", sob pena de, caso não satisfaçam essas exigências, serem massacrados nas discussões das redes sociais por não serem "dominadores de verdade". 
Óbvio que o "dominador de verdade" é aquele que faz tudo que ela quer.


Então, se entre esses senhores você, submissa, encontrar alguém que lhe faça tremer com o olhar, dobrar os joelhos com uma simples frase, se sentir verdade em suas ações, firmeza no caráter e em sua dominação, este pode ser o seu Christian Grey, não o que você sonhou depois de olhar aquele monumento na tela, mas o que vai te fazer sentir o que a pobre Anastasia jamais sentiu: a essência da verdadeira dominação, a beleza de servir e sentir-se cuidada, não por ganhar presentes caros, mas coisas que não têm preço porque será levada a um mundo rico em sensações e emoções. por alguém que é tão "de verdade" quanto você, com todas as imperfeições de um ser humano real.



Não é fácil encontrar esses Dominadores da vida real também. Há muitos Christian Greys de araque por aí, mas, quando encontrar o seu, esqueça aquele que você viu na telona; pode ser que você esteja trocando uma bela realidade por uma fantasia que nunca irá se realizar.


{Vita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre



2 de jul de 2015

Convicções de Um DOMINADOR


Me considero um jurássico no BDSM, tenho convicções que ter uma escrava, é adestrá-la a MEU BEL PRAZER, sem negociações e sem mudanças durante seu encoleiramento. Também está fora de cogitação ALUGAR E PAGAR por isso. 

Antes de querer DOMINAR alguém é necessário ter DOMÍNIO de si mesmo! Uma frase feita, diriam alguns, mas extremamente exata. 

O DOM precisa saber o exato motivo para o qual quer uma sub, e não ME refiro ao sexo. Quero frisar que o sexo pode ser algo incluso no BDSM mas é a conclusão e não o ponto de partida.

Mas tenho visto muita coisa no BDSM atual e o que mais me incomoda é o modismo. O efeito dos tais 50 tons de besteiras ainda está presente. 

Não sou adepto de eventos BDSM, embora ache importante e muito interessante. 

Incoerência? Não, apenas tenho em meta que DEVO dedicar meu escasso tempo ao adestramento de minha escrava. E, o que vi nos eventos em que estive e o que leio atualmente, só ressaltam que MINHA opção é acertada! 




É obrigação do DOMINADOR conduzir e fazer sua sub desejar a obediência, ter a exata função que o DONO lhe der. Não é simplesmente ordenar, O DOM precisa saber o final daquele comando. E cabe a ELE, somente a ELE, decidir quando usá-la e de que forma. Esse é o verdadeiro prazer dela. 

Encontrei poucas dessas nessa minha jornada no BDSM, CONTO nos dedos de uma mão, mas encontrei verdadeiras, abnegados em SERVIR, AGRADAR, SUBMETER-SE Á MINHA VONTADE! 

Não se pode querer que, quem nunca sentiu esse desejo, o entenda. Não é simplesmente acordar e resolver servir! É desejar ter como vital importância o agradar, o prazer de ter seu DONO SATISFEITO, isso é algo que somente uma sub de alma tem.

Nem mesmo o melhor DOM pode ensinar, pode-se lapidar (algo que faço com a MINHA cadelinha) mas criar uma alma submissa nunca! E Para aqueles que não acreditam, continuem assim, sempre terão a sensação que algo faltará .



Tenho uma cadela que, entre idas e vindas está sobre meu cabresto há 3 anos! É a segunda que está há mais tempo à MINHA DISPOSIÇÃO, e por um motivo muito simples: DEVOÇÃO, OBEDIÊNCIA... palavras que hoje em dia são ditas ao léu, sem o menor significado para a maioria. 

FAÇO O QUERO, QUANDO QUERO e por que? Porque POSSO FAZER e ela anseia por isso! Foi adestrada dessa forma e assim será sua condição. 



DOM JH
Dominador, RJ


20 de jun de 2015

De Corpo e Alma


Muito se fala em alma submissa. Fala-se por admirar, por desejar ter tal vivência, por desacreditar, pra ofender e fala-se até por falar. 

Falar, com conhecimento de causa ou não, fala-se de tudo. O debate é livre para todos os assuntos. 

Mas, sem vivenciar a experiência, como falar com propriedade sobre algo que precisa ser vivenciado, sentido ou, ao menos, desejado?  Nesse sentido, tudo que é dito tem pouca ou nenhuma razão de ser, é infundado.

Submissão de alma, alma submissa, entrega por necessidade da alma. Alma, alma, alma! Tudo que se refere a um prazer mais abstrato, como o prazer de servir, de obedecer, de agradar e o prazer em dar prazer, acaba sendo levado, pelos que não o praticam, para o campo do irreal, fantasioso, absurdo ou sobrenatural. 

Fico me perguntando o porque desses prazeres causarem certa aversão em alguns.

Não é porque algo não me atrai ou porque não sou capaz de fazer igual ou melhor que vou em dedicar a provar que não existe para ninguém.

Talvez o problemas não esteja na tal da alma, mas sim na submissão. 

O BDSM é vasto e variado, é impossível alguém se identificar com tudo que há nele. É natural que alguns estilos, praticas, vivências ou filosofias sejam amados por uns e ignorados por outros. Ignorado, sim; desqualificado, não .  

A entrega do corpo é comum, desejada e apreciada por todos. Afinal, é ele que é usado, tocado, torturado e marcado. São os joelhos que se dobram, são as pernas que parecem bambear diante do Dominador, é a boca que responde 'sim, Dono' e é dela que saem os gemidos  de dor e prazer causados pelas mãos Dele. É o coração que dispara com uma palavra, um olhar e até com o silêncio Dele. Dos olhos brotam as lágrimas e das entranhas que escorre o prazer provocado por Ele. É o corpo que executa os comandos, que responde aos estímulos... O corpo fala, grita, implora, seduz... ele exprime as sensações, emoções, sentimentos... é ele quem carrega um coração cheio de amor e entrega.

O BDSM é toque, é cheiro, sabor, suor, carne, dor e prazer.  Até aí, tudo bem, qualquer um entende, aceita e pratica, mas, se passar disso já é coisa de outro mundo?  

Por o coração numa busca, realização ou vivência, entregar-se com paixão é igualmente natural e real. Um coração apaixonado, coração em festa, coração submisso. Essas, entre outras colocações figurativas, são claramente entendidas por todos como estado afetivo, emocional e condição de entrega. 

Dar sangue, suor e lágrimas para alcançar algo muito desejado é facilmente entendido como dar o melhor de si, como não medir esforços e mergulhar de cabeça para ir ao fundo de um objetivo.

Mas quando se fala em por a alma na entrega, logo vem o desdém, as distorções e o assunto é levado pro campo do sobrenatural, do irreal, fantasioso. 

A necessidade de mitificar a entrega não superficial é tão forte que parece mais com uma campanha contra algo ameaçador que uma simples descrença.

Cada um pratica o que deseja e que é capaz, entrega o que tem e vai até aonde se permite, mas a incapacidade, limitação e superficialidade de uns não invalidam as vivências e os prazeres de outros.

Querendo ou não, duvidando ou não, a entrega por necessidade da alma existe, e não vem do além, mas sim de dentro. 
Ela nasce do desejo, se alimenta do orgulho e do prazer de servir e se realiza em agradar.



luah negra
escrava, RJ

17 de mai de 2015

D/s: Uma Relação de Cumplicidade

Parte I


O último texto que postei na net rendeu muitos comentários que me deixaram feliz. Ele cumpriu o papel de incitar a participação das pessoas. Hoje em dia, as redes sociais, que poderiam ser usadas de uma forma bem mais educativa e lúdica, infelizmente, cumprem apenas o papel de aproximar pessoas.  

Quando escrevo e publico um texto, como foi a “Nova Modalidade de Dominador – O Dono Babá”, não esperava que todos ou a maioria concordasse comigo. Já dizia o escritor Nelson Rodrigues: 


“Toda unanimidade é burra.
Quem pensa com a unanimidade 
não precisa pensar.”

Tenho pra mim que das principais e nobres tarefas do ser humano na vida são aprender, ensinar, gerar discussões para, através delas, trazer à tona novas idéias e ampliar o conhecimento.

A sabedoria nos manda estar prontos para aprender e ensinar. Não importa a idade, o gênero, o status cultural ou social. Não importa se PhD, ou analfabeto, a vida nos dá, a todos, condições para aprender e ensinar. A gente aprende até com os imbecis, que estão por aí nos dando lições de “como não devemos ser”.

E só não aprendem os que estão cristalizados e os arrogantes, que pensam saber tudo e mais do que todo mundo. Estes preferem se manter na escuridão.

Quando critico a submissão que se alastra pela rede como um tsunami, oriunda dos 50 Tons é porque sei o que estou falando. E. L. James fez um desserviço para o BDSM. Mexeu covardemente no imaginário feminino de todas as idades e status social, que crêem ser possível uma relação feita de cinderelas e príncipes encantados.

Estou no BDSM desde 1998 e digo honestamente a vcs que o milagre não é assim que acontecerá. O milagre é quando as pessoas se atraem, se identificam, se respeitam e levam a relação com alegria, leveza, responsabilidade e ética.

Vejam: submissas existem para dar prazer e não trabalho. Se genuínas, dão prazer e, conseqüentemente, sentem prazer com isto. É assim que se dá o autêntico D/s. O Dono dita as regras, o sub corre e faz. Quando encontra uma dificuldade, cabe ao Dominador estudar a forma como aquele problema será equacionado. Erros serão passíveis de correção e desvios, passíveis de punição que deverá ser cuidadosamente pensada.


Aqueles que leram “1984”, do escritor George Orwel, devem lembrar-se de como o Estado escolhia torturar os desobedientes. Eles estudavam aquilo que provocava maior pavor em cada um. A pena nunca era a mesma para todos.

Eu sou masoquista. Tanto a dor física me excita, quanto o medo, a humilhação, a degradação, a mágoa... até os ciúmes me excitam... podem acreditar. Mesmo assim, garanto que tenho lá minhas dificuldades. E isto não é nenhuma vergonha... Afinal, somos, todos, frágeis criaturas em nossa imperfeita humanidade.

Não tenho nenhuma presunção de ser perfeita. Sei que não sou e que jamais serei.  Perfeito é o DONO. ELE que Domina e dita as regras. A mim cabe obedecê-las e satisfazer seu prazer. Quando isto não acontece... ah... nem queiram imaginar. O DONO não usa a alcunha de DIABLO à toa. O preço que pago é muito alto e eu posso garantir que é um tipo de dor que não desejo: o silêncio e a ausência. 

Vocês devem estar se perguntando por que então não obedeço de pronto. Explico: como toda pessoa, no BDSM ou fora dele, também tenho minhas dificuldades, que para alguns podem até ser bobas, mas que para mim são grandes limitações, mesmo que eu nunca diga, pq não diria um “Não” para aquele que tem nas mãos a guia da minha coleira. 

Voltando às críticas, é preciso lembrar que eu, Amar Yasmine SD, há tanto tempo nisso, também preciso que o DONO cuide de mim. Cuidar é uma tarefa do Dominador. Só não precisamos alardear isso aos quatro ventos como uma pré-condição. 
E este “cuidar” deve estar implícito como “tarefa” do Dominador. A submissa que for realmente submissa, terá em sua consciência:


“Se não cuido eu mesma de mim,
como exigir que o outro cuide?”

Se “cuidar” é uma tarefa implícita ao Dono, “aliviá-lo” de qualquer trabalho deverá ser uma tarefa implícita à quem se submete e a isto eu chamo “relação de cumplicidade”... como bem disse Rubem Alves em seu livro “O Retorno e Terno”. 

Afirma o escritor que existem dois jogos parecidíssimos: O Tênis e o Frescobol. Em ambos, dois jogadores interagem com raquetes e uma bola, num campo dividido ao meio por uma rede. O que difere um jogo do outro são as regras. No Tênis, deve-se derrotar o adversário. No Frescobol os participantes visam o acerto do outro.

Assim deve ser o D/s, uma relação de cumplicidade, como o Frescobol, onde Dominadores e submissos, cumprindo conscientemente os respectivos papeis, joguem um para que o outro jamais erre e, assim, a relação só poderá sair ganhando.




Amar Yasmine SD

Em breve:

D/s: Uma Relação de Cumplicidade
Parte II

21 de abr de 2015

Observando...


Ao longo dos meus anos no BDSM venho observando os ciclos pelos quais esse nosso gueto passa. 
E é divertido ver como certas crenças vão se modificando em determinadas épocas mas, por não terem profundidade, passam, assim como as chuvas de verão. Rs
Já passamos por várias fases, a última delas, a maldita fase dos 50 Tons de coisa alguma. 
Mas esqueçamos por enquanto essa saga porque a observação aqui é outra: Os casaizinhos de namorados.
E calma, não acendam a fogueira ainda, explico: não falo dos casais formados a partir de uma relação BDSM e sim o contrário.
Tenho observado a quantidade de casaizinhos que, já namorados, noivos ou até casados, descobrem juntos esse universo cheio de novidades. 
_ Opa! Vamos virar Dono e sub, é bacana, é legal, é a onda do momento, vamos lá!
Esses casais infiltram-se no meio passando-se por Dom e sub. E ali trocam juras de amor, a sub defende seu direito de propriedade ao dono com unhas e dentes e indiretas para as "vadias" que o cercam, e as ameaçam e perseguem. 
Que tipo de D/s é esta? Não existe ali postura, disciplina, hierarquia, liturgia, domínio, nada. 
Mas são vistos, geralmente por iniciantes,  como um casal D/s e considerados como um exemplo de sucesso desse tipo de relação, afinal, a sub conseguiu "fisgar" o Dom, ter direitos sobre ele, inclusive o de proprietária.
Não estou generalizando mas por favor, não vamos misturar as coisas. 
Esse tipo de exemplo é pernicioso por passar uma noção totalmente deturpada de uma relação de Dominação e submissão, por não conter nenhum dos componentes que a identificam como tal.
Quando duas pessoas, dispostas a experimentarem e viverem uma relação D/s sentem que existe algo mais e resolvem se unir é uma coisa. 
Quando alguém chega com a finalidade de conseguir namoro e casamento ou apimentar uma relação já existente não existe ali submissão ou Dominação. O que existe é outra busca, camuflada embaixo da sigla BDSM e que, ao contrário do que muitos pensam, passa um grande mau exemplo, alimentando sonhos baunilhas que nada têm a ver com esse universo que afinal, nunca foi agência de casamentos.
Espero sinceramente que essa onda, assim como as outras, passe, em nome da Dominação e submissão honestas, pelo prazer de dominar e ser dominado(a).





William Gama - Dom



11 de abr de 2015

Desencontros


"Não existem mais submissas."
Esta é uma fala recorrente que ouvimos por aí. 

Muitos Dons procurando submissas e não encontrando, é o que dizem a todo momento.
Concordo que para ser submissa deve haver uma predisposição, uma vontade intrínseca de servir. Sem isso, torna-se difícil, para não dizer impossível, que alguém possa ao menos intitular-se como tal, afinal, ninguém pode ser o que não quer ser.
Mas, se de um lado deve haver aptidão, do outro deve haver também disposição para extrair essa essência.

Submissas não se compram prontas em lojas. Não estarão expostas em vitrines com uma placa pendurada no pescoço indicando "obediente, servil e masoquista". 
Para que um Dom tenha uma submissa à altura de seu gosto é necessário um trabalho de lapidação, de adestramento. 

Mesmo as experientes, com anos de servidão, estiveram aptas para servir a outros Dons, com personalidades, gostos, experiências, fetiches e desejos diferentes. 
E até mesmo nesses casos, o das experientes, é preciso dar direcionamento para que elas se encontrem dentro desta nova experiência.

Sendo assim, com todo o respeito aos Srs. Dominadores, pergunto: o que o senhor tem feito para encontrar uma submissa à sua altura? Tem se empenhado em treinar, ensinar? Tem gasto seu tempo dedicando-se a lapidar alguém? Ou espera que venha pronta e sabendo de cor e salteado todos os seus gostos, suas fantasias mais secretas e até como dirigir-se à sua pessoa? 
Será que de fato não existem mais submissas ou se o que falta é a paciência para ensinar, direcionar? Será que não é a pressa, a urgência em TER que se sobrepõem à necessidade de "LEVAR A SER"?



Por outro lado, muitas submissas dizendo que não existem Dons à altura de sua submissão, procurando e esperando que o Dom perfeito apareça, montado num cavalo branco, pronto para cuidar, de posse de todos os acessórios que ELAS julgam necessários para a realização de uma boa sessão e sabedores de todos os caminhos e segredos do prazer que ELAS desejam ter, como se estes não fossem também seres humanos buscando crescer, aprimorar-se e sujeitos também a falhas.
É óbvio que as falhas aqui não referem-se a aspectos de segurança mas de falhas que podem ser administradas para que a conversação possa fluir.

Às vezes, grandes encontros poderiam acontecer se as pessoas tivessem um pouco mais de condescendência com as outras, se não se exasperassem por uma frase mal colocada, por um erro de interpretação, por algo que ainda não se aprendeu pois a vida é um grande aprendizado e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe tudo.

Grandes experiências poderiam acontecer se as pessoas se dispusessem a aprender juntas, descobrir novos prazeres, ampliar horizontes, sem exigir que os(as) parceiros(as) saibam absolutamente tudo apenas por estarem em uma relação hierárquica, um sempre achando que o outro deve vir sabendo todos os prazeres e mazelas de sua posição na relação, não importa qual seja ela.




"Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente." (Osho)

Assim, quando encontrar alguém, procure saber se esta pessoa está disposta a entrar inteira, total, nesse caminho com V/você. Isto sim, é necessário. Perfeição não existe. 
Pense nisso.


{Vita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre

4 de abr de 2015

Das sensações e sentimentos...


Por algumas vezes me pego em questionamentos que mexem com minha convicção dentro do SM.

Sou muito segura de meus prazeres. Gosto que me enrosco de algumas práticas físicas e nem se fala, sobre as psicológicas, principalmente, as de cunho emocional como , por exemplo o exercício de minha submissão dentro de uma D/s.

Analogicamente, vejo-me como uma musicista completamente entregue a todos os sentidos intensos de alguns acordes, como: a vibração das cordas, o dedilhar dos prendedores, as oscilações do spanking... nosssaaa... as sensações das velas é extasiante! 
E nesse jogo de agudos e graves, o sentir-me posse ultrapassa toda gama de emoções cabíveis nesse tipo de relação.



Muito bem, mas minha dúvida é sobre o prazer do Dominador (especificamente de um Dominante)?! Será que é tão lascivo, tão profundo, no aspecto emocional também !?!? Ou, o que está intrinsecamente nele, se restringe apenas ao prazer carnal, ou seja, estritamente o prazer sexual?

Óbvio que meu questionamento leva em conta a posição ocupada por cada um dentro desse tipo de jogo. Talvez até a variação das próprias essências.

Mas até que ponto sentem prazer na realização de práticas físicas. Pois , na maioria das vezes, amarram, tocam, batem, machucam, castigam, exploram o corpo da submissa de uma maneira muito intensa.


Meu pensamento também questiona o prazer psicológico de domínio sobre a outra pessoa.

No fim seria Ele , o Dominador, apenas um coadjuvante sexual de toda essa melodia. Ou reinaria soberano como um galante Maestro, dando conta da orquestra toda, a junção dos prazeres carnal e emocional???

ternura


8 de mar de 2015

Dia Internacional da Mulher



Hoje é 08 de março,
Dia Internacional da Mulher!
*o nosso dia*

Dia de todas nós: negras, loiras, morenas, ruivas, magras e gordinhas... jovens e maduras... dominadoras, escravas, masoquistas, submissas, baunilhas, hedonistas e fetichistas (pets, brats, dolls, baby girls, ... etc).

Que todos os deuses nos protejam. Concedam-nos força, coragem e muito amor para dispensarmos a vocês, Homens, o que de melhor há em nós.
Sim, pois vocês serão sempre nossos reis e nós suas servas dedicadas, fiéis, apaixonadas. Aquelas que, em sua retaguarda, cuidarão de tudo fazer para que se sintam donos do mundo.

Parabéns a todas nós pelo nosso único dia, pois todos os outros dias serão dedicados a vocês, seres maravilhosos de nossas vidas!



*escravas & submissas*

Ser mulher...

Roberta Close - ícone da feminilidade nos anos 80
"Eu nunca fui homem, sempre fui Mulher"

O conceito de mulher, atualmente, é algo muito mais complexo e abrangente do que aquela concepção de outrora, que contemplava somente quem tivesse cromossomas XX. O sexo biológico.
Falar em mulher é, antes de tudo, falar de um universo muito mais abrangente e que passa, antes de tudo, por “ser mulher”.
Ser mulher é então, pensar, exercer e vivenciar a feminilidade, independentemente da sua anatomia.
O célebre questionamento de Simone de Beauvoir - que nos torna mulheres? - nunca foi tão atual e propício à discussão.
Muitas das diferenças entre homens e mulheres nos séculos XV ou XVI, caíram por terra em função da evolução dos costumes e da própria cultura da nossa civilização. Luís XV vestia-se de uma forma extremamente feminina para os padrões atuais, inclusive pelos sapatos, cujo salto leva seu nome.
A revolução industrial abriu para as mulheres uma nova realidade, bem diferente daquela em que apenas o trabalho doméstico a elas cabia.
O advento da pílula anticoncepcional revolucionou a questão do exercício da sexualidade, como nunca fora imaginado (também para os homens), libertando a mulher e possibilitando um controle maior sobre o próprio corpo. Ser mulher não mais significaria gestar e cuidar da prole.
A conscientização e a aceitação, por parte da sociedade, em relação ao transexualismo, como algo perfeitamente normal, apesar de ainda provocar discussões, mesmo fora do âmbito religioso, corrobora a necessidade de se reconceituar o feminino.
Então,  ser mulher passou a ser visto, pelo menos até os nossos dias, como algo em constante evolução.
Até que ponto o travestismo e o crossdresserismo podem ser considerados manifestações do feminino, e não meros fetiches?
Quanto de feminilidade há em uma travesti, ou em uma crossdresser?
 Não me refiro somente ao gestual, ou à indumentária.
E este “en femme”, que significa estar montada; restringe-se apenas à roupa, ou há algo mais, como o sentir-se mulher?
A cada dia mais me convenço que este “ser feminino”, ou ser mulher, não é apenas uma questão de genitália, útero ou ovários. Mas sim de identidade!
E agora deixo a seguinte pergunta:
No dia 8 de março, a quem devemos homenagear? 
Talvez o dia internacional da mulher devesse ser chamado: 

*Dia Internacional da Feminilidade*

Werther von AY erschaffen

26 de fev de 2015

A submissa verdadeira



Estamos sempre procurando pelo verdadeiro em nossas vidas.
Queremos sempre encontrar o amor verdadeiro, o amigo verdadeiro, a felicidade verdadeira e até o whisky verdadeiro, afinal, ninguém quer ter dor de cabeça no dia seguinte. Rs.
Mas tudo muda de figura quando a busca é por uma verdadeira submissa.



A expressão hoje em dia parece ser ofensa, falar em verdade na submissão faz as veias saltarem e logo aparecem textos, discussões e grandes teses defendendo a liberdade de opinião, de conceitos de verdadeiro e falso, de diferenças de personalidade e de busca.
Concordo que cada dom tem seu ideal de submissa assim como também tenho o meu. E isto é assunto pessoal.



Mas existem algumas características que são (ou deveriam ser) gerais, na minha opinião. E sei que isso vai desagradar algumas pessoas mas meu compromisso é com a verdade, mesmo que a verdade hoje em dia pareça ter virado um conceito subjetivo onde cada um tem a sua, mas não estou aqui para agradar ninguém ou para conseguir bocetinhas, isso encontro em qualquer lugar. 
Uma submissa verdadeira, não.





submissão 
sub.mis.são 
sf (lat submissione) 1 Ato ou efeito de submeter ou submeter-se. 2 Disposição a obedecer. 3 Humildade. 4 Sujeição. 5 Humilhação voluntária. 6 Obediência espontânea. Antôn (acepção 3): arrogância, altivez.

A definição de submissão é bem clara, não sobra espaço para dúvidas sobre o que é e o que não é. Em algumas coisas não existem meios termos.
Mas deixando de lado as definições, para mim, uma  verdadeira submissa deve ter prontidão para servir. É assim que a reconheço, por estar disposta, estar aberta por ser essa sua vontade e seu prazer.
Não por estar carente, por estar na moda, por esperar receber vantagens financeiras, exclusividade e mil outras exigências.
Exigências não fazem parte do comportamento submisso. 




Ela não espera por aquele que vai lhe dar o que precisa; espera por aquele a quem ELA vai querer dar o que tem necessidade de dar: sua submissão.
Sabe, que vai trabalhar para conquistar seu lugar aos pés do dono e até em seu coração. Que vai, talvez, até conseguir exclusividade, não por exigência mas por seu comprometimento.
Está aberta a testar seus limites e se algo realmente a incomoda vai colocar isso com docilidade e humildade e será compreendida.



Docilidade e humildade são essenciais. Nada mais broxante que a arrogância. 
Sabemos que a submissão vale ouro, mas não precisamos ser lembrados disso a todo momento. Se precisa lembrar a todo momento seu valor é um sinal claro que nem ela mesma acredita nisso; ou que escolheu a pessoa errada para servir.
Ser inteligente e proativa. Submissão e obediência não são sinônimos de personalidade fraca ou de pessoas robotizadas. São sinais de força.



O verbo para uma verdadeira submissa é conquistar, não exigir.
A qualidade para uma submissa é humildade, não arrogância.
A missão para uma submissa é servir, não ser servida, porque ela tem verdadeiro prazer nisso. 
Prazer. Satisfação. Realização.
Submissas verdadeiras existem? Sim, ainda acredito.
Apenas são difíceis de encontrar em meio a um oceano de pessoas buscando outras coisas que não o ato de servir. E isto é fácil identificar.
Centenas, talvez milhares, de rostinhos bonitos e corpos perfeitos mas, almas vazias para a submissão. 




Mas existem sim e isso se percebe na candura do olhar, na suavidade dos gestos, na brandura no falar, na humildade que a torna grande e na força que emana pois, em sua feminilidade ela é forte, corajosa, disposta.
É ela a submissa verdadeira.


William Gama
Dom