Entrevistas


O *escravas &submissas* inaugura hoje, 29/04/14, sua página "Entrevistas", numa agradável conversa com um casal de peso no cenário BDSM Português, e muito querido entre os adeptos brasileiros. 
Sir Lancelot LX, 43, e sua doce "cadela maria", 48, ambos de Lisboa, foram muito generosos cedendo parte do seu tempo para falar aos nossos leitores. 
Sir Lancelot LX tem, ainda, uma noviça, gata lala, a quem também muito admiramos pela linda entrega a seu Senhor.

Agradecemos a gentileza e a consideração com que atenderam ao nosso convite.


Sir LANCELOT LX & maria

Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: Quem é Sir Lancelot e como ele se define melhor: Dominador, Sádico, ou Sádico/Dominador?

Sir LLX: É difícil falarmos de nós próprios. Costumo dizer que sou uma pessoa normal num mundo cada vez mais... anormal.
Definitivamente, sou Dominador em todos os aspectos da minha vida e isso é algo que me é inato.
Sádico?! Bom, nem tanto, apesar de haver sempre uma dose de sadismo em certos momentos do que fazemos. No entanto, não é o sofrimento das minhas subs que me dá prazer e realização, mas principalmente a capacidade de moldar a sua mente e conseguir levá-las a fazer aquilo que eu desejo.

Blog e&s: Menina, quem é a cadela maria, o que mais a encanta numa relação BDSM e o que mais a atemoriza?

cad mª: A cadela maria é uma sub que descobriu há uns anos atrás a oportunidade de conseguir viver harmoniosamente o seu lado submisso e de entrega a alguém, sem limites ou medos.   
Fiquei encantada com a descoberta do meu corpo e alma e da minha capacidade de me entregar a alguém, e isto não é frase feita, com total submissão e com total prazer.
Aterroriza-me deixar de desejar, deixar de gozar, deixar de querer, deixar de me entregar.


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: Sir Lancelot, a prática da Dominação têm a ver com a cultura de um povo. Considerando que nós, brasileiros, temos uma interferência multirracial, interferência esta que envolve europeus - entre os quais os portugueses, que foram nossos colonizadores - também africanos, asiáticos e os índios nativos. O que o Senhor tem a dizer sobre as diferenças entre o BDSM praticado em Portugal e o praticado no Brasil?

Sir LLX: Julgo não ser a pessoa ideal para responder a esta pergunta pois não sou um frequentador do meio BDSM.
Aquilo que posso transmitir são apenas ideias pessoais do que me vou apercebendo e observando de diferentes fontes...
Numa sociedade muito individualista como aquela em que vivemos, as relações humanas nunca são fáceis e, num meio pequeno, acabam por surgir sempre personagens oportunistas que encontram no BDSM a solução para dois dos seus principais males (falta de educação e falta de sexo).
Penso que em Portugal é isso que acontece, apesar de nos últimos anos terem surgido pessoas de muito valor e referência nas mais diversas práticas.
A principal diferença que encontro no BDSM praticado no Brasil diz respeito ao seu sentido estético.
No Brasil, o culto do corpo é sagrado e a mulher ocupa uma posição de destaque, com a inevitável conotação sexual que daí resulta.
Em Portugal, julgo que se procura dar mais relevo à técnica, embora infelizmente, muito poucos consigam dominar e falar com propriedade da mesma.

Blog E&S: maria, a prática de submissão é influenciada por várias fatores. Considerando que nós, sul americanos, temos alguns hábitos e comportamentos naturalmente diferentes dos europeus, até mesmo pela diferença climática, quais são as principais diferenças entre o BDSM praticado em Portugal e o praticado no Brasil?

cad mª: Será a prática do BDSM tão diferente do praticado em Portugal ou no Brasil? Não sei...
Penso que o que impõe as maiores diferenças serão mesmo as diferenças de comportamento na vida em geral que afectam inevitavelmente os comportamentos na vida BDSM.
Para nós, portugueses, é notório o culto extraordinário que os brasileiros fazem do seu corpo de uma forma natural e talvez esteja aí uma diferença 
É fantástico poder ver a abertura e o convivo entre a comunidade brasileira, o que não acontece aqui.
Os praticantes são mais fechados e muitas vezes confundem a busca de práticas sexuais com o BDSM


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: Sir Lancelot, levando em conta a efemeridade das relações no mundo atual qual seria, na opinião do Sir, o ponto mais importante para sustentação de uma relação BDSM?

Sir LLX: Julgo que será a frontalidade e honestidade entre DOM(ME) e sub. Sem elas, dificilmente se consegue uma relação de respeito entre ambos, que é essencial para um conhecimento profundo entre dois seres distintos.

Blog e&s: De submissa para submissa, maria, em que a submissão a ajuda e melhora como mulher em relação à família, trabalho, sociedade?

cad mª: A submissão e a descoberta de poder viver essa submissão no dia a dia melhorou-me como mulher e como pessoa.
Consigo viver intimamente mais realizada e com isso viver em plenitude, sem constrangimentos morais. 
É um lugar comum dizer que precisamos de estar bem connosco para viver bem com os outros, mas esse lugar comum é mais do que nunca o que melhor se aplica aqui.


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: O que Sir Lancelot tem a dizer sobre o viés da afetivade numa relação D/s? Tanto para o Dominador, quanto para a submissa, é possível vive-lo sem que o D/s se perca?

Sir LLX: Um ser humano gosta de receber afecto e não há nada de mal em assumirmos isso.
Numa relação D/s julgo que estaremos a escolher um caminho errado se a tentarmos distanciar de um outro tipo de relacionamento humano. E o afecto entre duas (ou mais) pessoas devem sempre fazer parte dela...
Pode parecer um contracenso (ou até insano para alguém que não compreenda o BDSM), mas eu não só adoro a mulher, como respeito imenso aquelas que assumem a sua condição de submissas e o desejo de serem subjugadas, pelo que gosto de cultivar os afectos e a ternura dentro da relação, sem que tal interfira com a relação D/s... É apenas necessário que ambos tenham certezas do que pretendem e assumam a sintonia.

Blog e&s: maria, em que momento da relação você se sente mais necessária e qual dos papéis, dos que lhe são devidos, fala mais alto à sua alma submissa?

cad mª: Pergunta com dificil resposta (ou eu entendo mal a pergunta, mas vou tentar)
Sinto-me necessária em todos os momentos da relação. A relação é vista por mim como um todo, em que devo estar inserida e... não entendo quando diz “qual dos papeis que lhe são devidos”. 


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: O que desejamos saber é se os limites físicos numa sessão são tão, mais, ou menos intransponíveis quanto os limites psicológicos. Trocando em miúdos: O que é mais difícil enfrentar: Uma surra impiedosa, ou um longo tempo de espera?  

cad mª: Não vejo nenhum momento da minha vida de sub/escrava como um sacrificio, quer mental quer fisico.
Não sou masoquista e não gosto de viver com sacrifícios, nem de levar a vida desse modo. Todos os momentos da minha vida na relação com meu Dono tento que sejam gostosos, vividos com o desejo e a vontade de tirar deles o maior prazer. Quando estou à espera de meu Dono, sei que essa espera é sempre compensada pelo desejo de o servir mais tarde, saber que ele me vai usar e que vou ser o objecto do seu prazer e das suas vontades.
As sessões são o culminar de tudo isso, a concretização de muitas esperas, de muitos anseios e sonhos, sessões onde meu amado Dono pode desfrutar de sua cadela como mais quer e deseja, e isso me deixa realizada.


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: Senhor, como entende que deve se dar o processo de desconstrução de uma submissa, para sua posterior criação nos moldes de Sir Lancelot?

Sir LLX: Confesso que é uma pergunta difícil para mim pois, ao longo da minha vida de Dominador, sempre me dediquei à educação de noviças.
Em todo o caso, defendo que o passado nunca deve ser ignorado e uma submissa deve ser respeitada em relação ao que aprendeu e ao seu estado evolutivo, pelo que o nosso trabalho de Dominador deve passar por perceber a especificidade da sub e procurar definir um novo caminho para esta em função das expectativas de ambos.
Pessoalmente, actuo em função de desafios e gosto de procurá-los em tudo o que me rodeia, adaptando-me facilmente às situações. No entanto, nunca abdicando das minhas próprias convicções!!!

Blog e&s: maria, para você o que significam limites? Onde esbarra com os seus?

cad mª: Em tese, limites para mim são algo que humanamente considero inultrapassável. Servem também como teste na minha evolução na relação.
O que hoje consigo atingir ou fazer há uns anos era impensável fazer, conseguir ou mesmo querer ou desejar.


Foto do arquivo pessoal de Sir Lancelot LX

Blog e&s: Para terminar, Senhor, gostaríamos de saber: Para o seu prazer e sua glória, o que mais o fascina e não pode faltar numa sessão, Sir Lancelot?

Sir LLX: Em termos de conceitos abstratos:
     Boa disposição,
     Alegria em servir,
     Erotismo...
Em termos de práticas (com eventuais alterações em função da temática da sessão):
     Spanking,
     Fisting,
     Humilhação...

Sir, Lancelot, agradecemos sua participação e a permissão para que sua cadela maria participasse também.
Nosso desejo é que o universo conspire a seu favor e a favor de sua linda relação. Obrigada!






Aos leitores do *escravas&submissas* avisamos que esta foi a primeira de uma série de pessoas que desejamos trazer aqui para dividir conosco suas vivências BDSM.
Aceitamos sugestões para os próximos entrevistados.


Abraço a todos!

3 comentários:

Vivviane_sub disse...

Muito boa a entrevista, muito bom ver um casal assim tão unido e com as imagens ficou show. Parabéns.

HASSAN disse...

Muito boa a entrevista, vcs estão prestando um grande serviço. O site inteiro está muito interessante.

primitiva schanna disse...

Parabéns, bela entrevista.