21 de abr de 2015

Observando...


Ao longo dos meus anos no BDSM venho observando os ciclos pelos quais esse nosso gueto passa. 
E é divertido ver como certas crenças vão se modificando em determinadas épocas mas, por não terem profundidade, passam, assim como as chuvas de verão. Rs
Já passamos por várias fases, a última delas, a maldita fase dos 50 Tons de coisa alguma. 
Mas esqueçamos por enquanto essa saga porque a observação aqui é outra: Os casaizinhos de namorados.
E calma, não acendam a fogueira ainda, explico: não falo dos casais formados a partir de uma relação BDSM e sim o contrário.
Tenho observado a quantidade de casaizinhos que, já namorados, noivos ou até casados, descobrem juntos esse universo cheio de novidades. 
_ Opa! Vamos virar Dono e sub, é bacana, é legal, é a onda do momento, vamos lá!
Esses casais infiltram-se no meio passando-se por Dom e sub. E ali trocam juras de amor, a sub defende seu direito de propriedade ao dono com unhas e dentes e indiretas para as "vadias" que o cercam, e as ameaçam e perseguem. 
Que tipo de D/s é esta? Não existe ali postura, disciplina, hierarquia, liturgia, domínio, nada. 
Mas são vistos, geralmente por iniciantes,  como um casal D/s e considerados como um exemplo de sucesso desse tipo de relação, afinal, a sub conseguiu "fisgar" o Dom, ter direitos sobre ele, inclusive o de proprietária.
Não estou generalizando mas por favor, não vamos misturar as coisas. 
Esse tipo de exemplo é pernicioso por passar uma noção totalmente deturpada de uma relação de Dominação e submissão, por não conter nenhum dos componentes que a identificam como tal.
Quando duas pessoas, dispostas a experimentarem e viverem uma relação D/s sentem que existe algo mais e resolvem se unir é uma coisa. 
Quando alguém chega com a finalidade de conseguir namoro e casamento ou apimentar uma relação já existente não existe ali submissão ou Dominação. O que existe é outra busca, camuflada embaixo da sigla BDSM e que, ao contrário do que muitos pensam, passa um grande mau exemplo, alimentando sonhos baunilhas que nada têm a ver com esse universo que afinal, nunca foi agência de casamentos.
Espero sinceramente que essa onda, assim como as outras, passe, em nome da Dominação e submissão honestas, pelo prazer de dominar e ser dominado(a).





William Gama - Dom



11 de abr de 2015

Desencontros


"Não existem mais submissas."
Esta é uma fala recorrente que ouvimos por aí. 

Muitos Dons procurando submissas e não encontrando, é o que dizem a todo momento.
Concordo que para ser submissa deve haver uma predisposição, uma vontade intrínseca de servir. Sem isso, torna-se difícil, para não dizer impossível, que alguém possa ao menos intitular-se como tal, afinal, ninguém pode ser o que não quer ser.
Mas, se de um lado deve haver aptidão, do outro deve haver também disposição para extrair essa essência.

Submissas não se compram prontas em lojas. Não estarão expostas em vitrines com uma placa pendurada no pescoço indicando "obediente, servil e masoquista". 
Para que um Dom tenha uma submissa à altura de seu gosto é necessário um trabalho de lapidação, de adestramento. 

Mesmo as experientes, com anos de servidão, estiveram aptas para servir a outros Dons, com personalidades, gostos, experiências, fetiches e desejos diferentes. 
E até mesmo nesses casos, o das experientes, é preciso dar direcionamento para que elas se encontrem dentro desta nova experiência.

Sendo assim, com todo o respeito aos Srs. Dominadores, pergunto: o que o senhor tem feito para encontrar uma submissa à sua altura? Tem se empenhado em treinar, ensinar? Tem gasto seu tempo dedicando-se a lapidar alguém? Ou espera que venha pronta e sabendo de cor e salteado todos os seus gostos, suas fantasias mais secretas e até como dirigir-se à sua pessoa? 
Será que de fato não existem mais submissas ou se o que falta é a paciência para ensinar, direcionar? Será que não é a pressa, a urgência em TER que se sobrepõem à necessidade de "LEVAR A SER"?



Por outro lado, muitas submissas dizendo que não existem Dons à altura de sua submissão, procurando e esperando que o Dom perfeito apareça, montado num cavalo branco, pronto para cuidar, de posse de todos os acessórios que ELAS julgam necessários para a realização de uma boa sessão e sabedores de todos os caminhos e segredos do prazer que ELAS desejam ter, como se estes não fossem também seres humanos buscando crescer, aprimorar-se e sujeitos também a falhas.
É óbvio que as falhas aqui não referem-se a aspectos de segurança mas de falhas que podem ser administradas para que a conversação possa fluir.

Às vezes, grandes encontros poderiam acontecer se as pessoas tivessem um pouco mais de condescendência com as outras, se não se exasperassem por uma frase mal colocada, por um erro de interpretação, por algo que ainda não se aprendeu pois a vida é um grande aprendizado e ninguém, mas ninguém mesmo, sabe tudo.

Grandes experiências poderiam acontecer se as pessoas se dispusessem a aprender juntas, descobrir novos prazeres, ampliar horizontes, sem exigir que os(as) parceiros(as) saibam absolutamente tudo apenas por estarem em uma relação hierárquica, um sempre achando que o outro deve vir sabendo todos os prazeres e mazelas de sua posição na relação, não importa qual seja ela.




"Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente." (Osho)

Assim, quando encontrar alguém, procure saber se esta pessoa está disposta a entrar inteira, total, nesse caminho com V/você. Isto sim, é necessário. Perfeição não existe. 
Pense nisso.


{Vita}_ST
Feliz Propriedade do Senhor da Torre

4 de abr de 2015

Das sensações e sentimentos...


Por algumas vezes me pego em questionamentos que mexem com minha convicção dentro do SM.

Sou muito segura de meus prazeres. Gosto que me enrosco de algumas práticas físicas e nem se fala, sobre as psicológicas, principalmente, as de cunho emocional como , por exemplo o exercício de minha submissão dentro de uma D/s.

Analogicamente, vejo-me como uma musicista completamente entregue a todos os sentidos intensos de alguns acordes, como: a vibração das cordas, o dedilhar dos prendedores, as oscilações do spanking... nosssaaa... as sensações das velas é extasiante! 
E nesse jogo de agudos e graves, o sentir-me posse ultrapassa toda gama de emoções cabíveis nesse tipo de relação.



Muito bem, mas minha dúvida é sobre o prazer do Dominador (especificamente de um Dominante)?! Será que é tão lascivo, tão profundo, no aspecto emocional também !?!? Ou, o que está intrinsecamente nele, se restringe apenas ao prazer carnal, ou seja, estritamente o prazer sexual?

Óbvio que meu questionamento leva em conta a posição ocupada por cada um dentro desse tipo de jogo. Talvez até a variação das próprias essências.

Mas até que ponto sentem prazer na realização de práticas físicas. Pois , na maioria das vezes, amarram, tocam, batem, machucam, castigam, exploram o corpo da submissa de uma maneira muito intensa.


Meu pensamento também questiona o prazer psicológico de domínio sobre a outra pessoa.

No fim seria Ele , o Dominador, apenas um coadjuvante sexual de toda essa melodia. Ou reinaria soberano como um galante Maestro, dando conta da orquestra toda, a junção dos prazeres carnal e emocional???

ternura