16 de abr de 2016

A Negociação


Na comunidade BDSM, a negociação é o tempo utilizado para conhecimento entre as partes, Dominante e submissa, que pretendem assumir uma relação D/s  e onde são feitos os acordos sobre as bases desse futuro relacionamento. Em conversas que podem ser virtuais, via telefone ou pessoalmente, as partes vão se conhecendo mutuamente e tomando ciência dos anseios, objetivos de cada um.
A negociação é uma etapa importante para quem vai iniciar uma relação de Dominação/submissão. É nesse tempo de conhecimento e muita conversa que  as partes firmam acordos sobre como a relação será conduzida: as práticas a serem utilizadas pelo Dominante, os limites da submissa, os direitos e deveres de ambos, o que esperam um do outro dentro da relação, a forma de tratamento a ser usada, a postura que a submissa deve assumir enquanto servir ao Dominante, o tempo que cada um tem para dedicar ao outro...   São inúmeros os itens a serem considerados nesse momento e é preciso total transparência de ambas as partes.


A importância da transparência na negociação

O Dominante, que vai usar a submissa, precisa estar ciente de detalhes de sua vida, de sua saúde, do que está disposta a experimentar, do que lhe causaria dano físico ou emocional, do que lhe causa medo ou pavor, do tempo que poderá disponibilizar para o Dono em virtude de compromissos de trabalho, família, etc.
Deve, também, explicitar o que deseja dela, de que forma quer ser servido, que práticas pretende utilizar e ser também transparente nas informações sobre si mesmo para gerar na submissa a confiança necessária.
A submissa, por sua vez, deve informá-lo de tudo isso com total clareza, sendo verdadeira e humilde, reconhecendo e expondo seus limites.
Inúmeros são os casos de submissas que, para impressionar o Dominante, colocam-se em risco dispondo-se a fazer práticas das quais não têm conhecimento ou não têm capacidade física ou emocional para praticar. E o resultado são traumas que podem ser levados para o resto da vida. Por isso é importante ser verdadeira e expor seus desejos mas também seus receios e inseguranças. O bom Dominante saberá compreender e aceitar, ou levá-la a despir-se desses medos para que possa servi-lo da maneira que deseja.
Para tal, reafirmamos, a conversa durante a negociação precisa ser clara e franca, com cada uma das partes colocando o que espera do outro,  respeitando-se as bases hierárquicas da relação.
O estado civil dos parceiros, se estão livres ou se têm relacionamentos baunilha ou mesmo outra relação D/s (no caso específico dos Dominantes), não deve ficar de fora. São detalhes que irão influenciar diretamente o relacionamento em relação a disponibilidade de tempo e comprometimento e por isso devem ficar claros.


"A pressa é inimiga da perfeição".

Esse dito popular vale em muito para as negociações no BDSM. Quanto mais as partes se conhecem, mais chances têm de estarem sintonizados um como outro, vindo assim a ter uma relação mais satisfatória para ambos.
Algumas pessoas, ansiosas por iniciarem a D/s, pulam a etapa da negociação e depois da relação iniciada descobrem que têm pouco ou nada em comum. E assim, a relação caminha rapidamente para o fim.
"Ele não é um bom Dominador" ou "Ela não era submissa o suficiente" são frases comuns quando uma relação assim termina. A verdade é que não se deram o tempo necessário para se  conhecerem e só depois descobriram que seus anseios  não estavam em sintonia. Ocorre aí um choque entre o que um espera e o que o outro pode ou quer dar, conflitos de opiniões, diferenças de objetivos, níveis diferentes de maturidade sexual ou de preparo para a vivência do BDSM, incompatibilidade de horários, entre outros,  o que levará o relacionamento ao fim gerando frustrações, inimizade e acusações de ambos os lados.


Cuidados durante a negociação

Quando você decide ter uma relação D/s está disposta a ser posse de alguém. Para isso, negociará com essa pessoa e ao fim da negociação, ocorre a entrega, a sua, ao Dominador tornando-se assim,  posse dele.
Você realmente já se imaginou sendo posse de alguém e em que tudo isso implica? Provavelmente não.
Ser posse de um Dominador significa que ele tornou-se seu Dono. Você entregou-se a ele de uma forma ampla e se colocou disponível em corpo e alma. É uma coisa grandiosa a entrega.
Para que essa entrega aconteça você deve ter total confiança no Dominador. Para ter confiança é preciso ter conhecimento não apenas do Dominante, do quanto ele domina as práticas, de quantos anos de experiência tem no BDSM ou do quanto sabe manejar um chicote, mas do homem por trás do Dominador, do seu caráter, sua vida.
Não são raros os casos de submissas que entregam-se sem ao menos saberem o nome real do Dominante. Nada sabem sobre sua vida, seu trabalho, onde moram...
Se você acredita que isso faz parte da submissão, saiba que não! Se vai entregar-se a alguém e colocar seu corpo e sua vida nas mãos de outra pessoa, mesmo que para um jogo de prazeres, nunca o faça para alguém que não confie em você o suficiente para lhe contar também detalhes de sua vida.
A confiança deve ser recíproca e, nesse caso específico, não há hierarquia.


Devo obedecer ao Dominante durante a negociação?

Quando uma submissa está negociando com um Dominador é comum que ele ordene que ela avise ao meio que frequenta que está em negociação. Esse aviso impedirá que outros Dominantes se aproximem na tentativa de também negociarem com ela. Durante a negociação o Dominante pode dar instruções à submissa de como proceder em relação a outros Dominantes e ao meio BDSM em geral, pois, uma vez que ela aceitou entrar em negociação, já está sob a guarda dele e deve seguir suas instruções.
Quanto a encontros, sessões ou mesmo sexo durante a negociação é da responsabilidade e consciência de cada um pois, sendo adultos, podem decidir consensualmente quanto a isto.
A negociação não tem um tempo definido, depende da vontade do Dominante ou do tempo que se leve até adquirir o conhecimento básico necessário entre as partes para que o relacionamento efetivamente se inicie.
A negociação termina quando o Dominante toma posse da submissa e dá a ela sua coleira, ou em caso de não se entenderem, dão por encerrada a negociação.


Manutenção dos acordos

Na relação D/s os acordos feitos na negociação devem ser mantidos. Alguns redigem contratos de submissão mas, por não terem valor legal, vale a palavra empenhada. Uma submissa que aceitou, durante a negociação, ter irmãs de coleira, não deverá mudar de ideia depois que a relação começa. Da mesma forma, um Dominador que prometeu exclusividade à submissa não deve, depois que a relação inicia, mudar de ideia e arrumar uma segunda escrava.
Entretanto, em se tratando de relações humanas, tudo é possível. Cabe, na intenção de alguma mudança nos acordos da negociação, o diálogo franco e honesto.
Por tudo isso é importante o conhecimento mútuo, não só da figura do Dominante ou da submissa, mas do caráter de ambos enquanto seres humanos, homem e mulher. Para isso é preciso tempo e empenho, não pular etapas e conter a ansiedade e a pressa.
Em nenhum tipo de relação homem/mulher é preciso tanto conhecimento um do outro quanto na relação D/s. Ali serão feitas práticas que envolvem riscos, serão experimentadas e vivenciadas fantasias e fetiches de toda ordem, o corpo da submissa será usado sem reservas pelo Dominador, portanto, é preciso grande conhecimento e confiança mútuas.


{Λita}_ST 
Feliz propriedade do Senhor da Torre


*Texto publicado originalmente no blog Uma Canção e Só, em 28/02/2016






3 de abr de 2016

Meu Sentir


Minha visão sobre esse mundo chamado BDSM.


Sou submissa novata. Sim, novata, e que vem aprendendo sobre si mesma e sobre o ser humano nesses últimos tempos.

No BDSM vivemos nossas fantasias e desejos plenamente, sem preconceito, podemos ser tudo que desejamos ser, No mundo baunilha somos quase sempre tolhidas por hipocrisia barata do que pode e não pode em uma sociedade praticamente machista na qual o feminismo no meu ponto de vista, vem se revestindo de traços machistas.

Em uma relação D/s somos engolidas pela magia da sexualidade livre e sem pudores, Dominadores não são deuses e submissas não são tolas, Há uma relação de cumplicidade, de entrega de ambas as partes. Para que isso aconteça a construção é lenta e muitas vezes árdua em busca dessa relação D/s "perfeita".

Não sou estereótipo de garota "boazinha", Erro, aprendo, apanho, sou castigada, e também compartilho, Todas erram um dia podendo ser por descuido, inocência ou iniquidade, sendo prontamente corrigidas e atendidas pelo aquele que a detém.

Só o que não podemos é nos tornar vítimas de circunstâncias: por exemplo uma relação mal resolvida culpar alguém pelos nossos próprios erros, covardemente imputar ao outro algo que era do nosso papel de fêmea, de submissa.


Neste ponto sei particularmente o quão complicado é o estabelecimento de um relacionamento onde preconiza-se a intensidade da entrega, a cumplicidade dos parceiros e que (in)felizmente é uma via de mão única... sou dELE, apenas isso. Por conta disso estamos expostas às mãos dos Tops, orando, que seja nas mãos certas.

Cada relação D/s é um mundo onde não existem exatamente regras que se deve seguir.

Nós submissas não somos prisioneiras, ao contrário, somos livres para pensar e vivenciar o que desejamos por isso esse mundo é encantador. Dentro da coleira, restrita, apertada, inquebrável, que a mim prende... O universo BDSM é vasto de possibilidades que encantam as todos que entram nesse mundo. Porém, os desejos ganham vida no real.

Um Dominador não é um carrasco e nem a submissa uma vítima... não venha se tornar espectadora da sua própria história, não estamos em uma guerra ou um filme em que o mocinho vence e o bandido morre, se entramos nesse mundo é por que queremos que o bandido vença, e o lobo mau nos devore... meninas, isso é BDSM!!!

Sei que nos decepcionamos, somos mulheres acima de tudo (sou a fêmea dELE e para ELE) e esperamos respeito no mínimo, mas temos também que valer este respeito, esta cumplicidade, e entrega do Dominador.... não vamos ser tolas ao ponto de pensar que é só bater e apanhar, uma velinha e um ordem por telefone, é sem dúvida algo mais contundente e profundo.

Nossa entrega também tem sentimentos e sentimentos fortes, fortes o bastante para suportar as dores e as marcas visíveis que são até um prêmio, um presente para nós submissas , mas também há marcas invisíveis guardadas no peito e que em algum momento transbordam.


Isso é emoção, isso é vida , vivida intensamente, isso é desafiador requer muitas reflexões, antes de mais nada.

Aprenda a observar os sinais, olhe em sua volta, não generalize... abra sua mente , sinta, vibre, mas tenha calma, seja paciente, espere, sei que isso não é fácil, mas a vida nada mais é que acontecimentos sucessivos de nossas escolhas , não escolha de ninguém, as nossas.

No mundo baunilha casais sonham fazem planos, juras de amor eterno, tudo muito lindo e mágico , ele jura amor eterno e fidelidade a amada ela se derrete oferecendo seu coração para aquele homem fantástico... isso quase sempre é utopia, e não falo isso como resultado de relações mal vividas, mas sim que não há no fim, quase sempre intensidade, sensibilidade, entrega.... por outro lado, não olhem como regra, mas está propicio a isso.

Na D/s sabemos exatamente qual o nosso lugar? Pense e responda para si mesma, por que para mim dominar é algo realmente para poucos o dominador tem que ter sensibilidade, paciência e perspicácia para compreender tudo que envolve uma dominação.

A submissa é uma joia nas mãos de um dominador esperando ser lapidada, ensinada e guiada. submissas são fortes e se entregam porque se sentem completas ao servir ao DONO, porém não devemos esquecer que diferente da submissão imposta, onde a submissa é vitima e se submete por medo, no mundo BDSM a submissa é livre para escolher ser prisioneira , desejando ser orientada e subjugada por um dominador.


Portanto, não vamos esperar menos de ambas a partes, a submissa e o Dominador são pessoas que buscam se descobrirem, romperem limites, transcender a felicidade ir alem.. ir além... ir além... ir além...

Os dois mundos são especiais. Não vamos nos preocupar com um ou com outro, nos preocupemos com nós mesmas para viver plenamente dentro das nossas verdades para sentirmos que ao final valeu a pena.

Queria dizer que esses são meus pensamentos porque somos eternos aprendizes eu mesma aprendi muito escrevendo esse texto, não objetivo nenhuma verdade absoluta, sendo apenas a minha verdade, que sempre busco.

Pensemos antes de pronunciar palavras que certamente ecoarão aos vento. Cuidado com nós mesmas e com o outro, não generalize, não julgue, seja auto multiplicadora e auto construtiva em um ciclo interminável, prazeroso ciclo.

Pense que vc é um objeto lindo e é inestimável, pense no seu amor próprio que mesmo na frase "eu te amo" o EU vem na frente, até a coleira esteja apertada no pescoço e vc garota sob os pés dELE.


Schanna