18 de jul de 2014

Humilhação: qual é a dose certa?



A humilhação, assim como a submissão, tem seus prazeres e seus abismos...

Humilhação, um dos principais componentes da Dominação Psicológica, é frequentemente utilizada na D/s, com diferentes propósitos.

A dose, grau, nível ou tipo de humilhação varia de acordo com quem aplica, com quem recebe e com o efeito que se deseja causar. 

A humilhação pode atingir das camadas mais superficiais às camadas mais profundas do psicológico submisso, podendo levar prazer a ambos ou levar à degradação de um pelo prazer do outro. Ela é frequentemente usada para levar o submisso a sentir e agir de acordo com o desejo do Dominante. 



Quando usada para o crescimento da sub, a humilhação ajuda a minar as defesas, as resistências, libertando a sub de pudores e outras limitações... ela é percebida e traduzida em forma de entrega e prazer... ela despe a escrava, desarma, liberta. 
Para isso, é preciso uma observação bastante atenta das reações para que a dose não seja maior que a suportável ou menor que a necessária.

A princípio, costuma-se usar uma humilhação explícita, direta, objetiva... simples xingamentos, ordens ou comandos diretos e imediatos, isso já causa um forte efeito em quem recebe. Assim  as reações ficam facilmente visíveis, fácil para ambos perceberem o que funciona melhor e o que não funciona, o que move e o que paralisa a sub .



É natural que com o tempo seja necessária uma evolução dos métodos para se obter efeitos semelhantes. 

Quando a humilhação é usada para outros propósitos, geralmente ela se dá de forma sutil, velada, quase imperceptível. Assim ela atinge as camadas mais profundas do emocional, podendo causar efeitos devastadores, podendo chegar a reduzir a sub a mero esterco ou a bem menos que isso... podendo levá-la na direção do abismo interior, de volta ao casulo, fechando-se nele pra se proteger de algo que ela nem sabe bem o que é, mas que sente esmagá-la.

A entrega permanece, porém, comprometida pela ausência do viço, do brilho, das cores de uma entrega plena. É a aniquilação de um em prol do prazer do outro.  

A humilhação se dá através do que é dito ou feito, mas se dá também através do que não é feito nem dito...



Eu, masoquista emocional que sou, faço da humilhação uma parte do meu alimento. E disse parte porque ninguém se alimenta apenas de humilhações, e também porque existem humilhações e humilhações, e nem todas elas são alimento, algumas são verdadeiros venenos. 

Uma coisa é a humilhação que durante uma cena, um momento, uma situação... uma coisa é fazer uso dela pelo direito que o Dom tem fazê-lo, pelo prazer que o ato proporciona a quem o faz, a quem recebe ou a ambos... uma coisa é utilizar-se dela para induzir a escrava a ter um determinado comportamento... uma coisa é xingar, mandar calar a boca, lamber o chão... isso é visível, é explícito, claro e objetivo, e se não for possível cumprir a ordem é só pedir dispensa da tarefa, é só usar a palavra de segurança ou se recusar a cumpri-la e pagar o preço depois, isso faz parte da vida submissa. 



Outra coisa bem diferente é ser mantido em estado constante de humilhação velada, sob o uso de subjetividades, de meias palavras, de silêncios, distanciamentos e indiferenças... ouvindo coisas que minam o emocional por minar, que enfraquecem, degradam simplesmente pq o Dom tem direito de usá-la como quiser, até mesmo dessa forma destrutiva. E tudo isso sem direito a safe porque, não importa o que seja dito, a tortura prossegue.



Não é preciso chamar de inútil pra humilhar; basta não lhe dar qualquer utilidade. 
Não precisa chamar de desprezível; basta desprezar. 
Não precisa gritar, xingar; basta ignorar a existência da pessoa.
Não é preciso mandar calar a boca; basta não dar ouvidos ao que é dito.
Há muita humilhação velada em tudo isso e o "melhor" é que o Dom nada precisa fazer, basta deixar acontecer .  

Da mesma forma que o masoquismo psicológico encontra um prato cheio na humilhação, um Sádico Psicológico encontra um prato cheio nesse masoquismo.



Há quem prefira direcionar a entrega nesse sentido. Só me pergunto: pra que tanto?!


luah negra

6 comentários:

{Λїtą}_ŞT disse...

Excelente reflexão, luah.

A humilhação é uma prática que passa pela sutileza da alma, dos estados emocionais e até da autoestima de cada um(a), por isso requer extremo cuidado quanto a seu uso.
Geralmente bem tolerada pela sub quando se trata de humilhações verbais e até punições públicas, mais palpáveis, o perigo está naquela que penetra até o fundo da alma.
E entendi, me corrija se estiver errada, que vc se refere ao Dono que se afasta, que deixa a sub sem utilidade, que a mantém a distância, com a coleira apertando o pescoço e a guia arrastando-se no chão. Essa sim, aniquila e destrói.

Beijos e parabéns.

{suu}_DOMRT disse...

Eu sempre achei a humilhação extrema um terreno perigoso , pois o DOM pode errar a dose e assim comprometer todo trabalho já feito ou ainda pior comprometer a saúde psicológica da submissa, e claro que tem a humilhação branda , aquela que faz parte da relação D/S e que não ultrapassa o limite do SSC ,as vezes a submissa/escrava por medo de perder o Dono acaba cedendo e se deixa ir ao extremo muitas das vezes com Pseudo Dominadores _falo isso pq tenho uma amiga que chegou a esse extremo e precisou se tratar por anos ,pois emfim ela viu que o prazer dele era apenas deprecia-la ..
então tenhamos cuidado com os extremos ..

Belo Texto ..

Bjs {suu}_DomRT

Anônimo disse...

Gente!!! vocês sempre postando reflexões que nutrem minha alma sub. Dando continuidade a parte final do comentário da Vita: e quando o Dono se afasta, deixa sem utilidade mas continua dizendo que a sub continua sendo Sua... nesta hora cabe a sub entregar a coleira ou se garantir na autoestima? Cabe a cada um saber pra que tanto! Obrigada luah. Beijos.
Marinha

luah negra_propriedade de DOM JH disse...

Olá ,vita_ST !

Desculpem a demora com as respostas , meninas , venho tendo uma sequência de contratempos .

Essa reflexão é o resumo de uma pesquisa que Meu Dono me nadou fazer sobre humilhação .
Optei por publicar os pontos extremos da prática .
Sim , vita , a humilhação tem seus sabores e também dissabores , é nos pequenos detalhes que ela se faz grande ...um de seus dissabores é essa sensação de coleira apertada e guia se arrasando no chão .

Eu adoro humilhação e já experimentei de vários tipos , sei que algumas podem ser realmente degradantes ,e nada acrescentam à entrega ou à pessoa .
E, opondo-se a isso , há a humilhação extremamente prazerosa , que estimula a escrava a mergulhar fundo na entrega .

Esses extremos existem e achei interessante compartilhar porque pode acrescentar algo ao entendimento de quem buscar informação .
Obrigada por compartilhar mais essa minha reflexão , vita.
Beijos em ti .

luah negra_propriedade de DOM JH disse...

Olá , {suu}_DOMRT !

Sim , tudo em excesso tende a ser nocivo .
Destaquei os extremos exatamente para chamar a atenção para questões como essa que você colocou .
Quem está de dentro tem mais dificuldade de identificá-las , daí a importância de compartilhar ideias , experiências , entendimentos , um pouco de tudo sobre o vasto universo da submissão .

Obrigada por participar e acrescentar a reflexão .
Beijos em ti .

luah negra_propriedade de DOM JH disse...

Olá , Marinha !

Sim cabe a cada um saber se é o que realmente deseja e buscar o que for melhor pra si , o que for saudável e prazeroso para ambos .

Essas são questões que aprendemos a identificar , tanto na prática quanto na observação , e colocamos aqui para uma reflexão mais ampla , todas ganhamos com essa troca .

Obrigada pela participação .
Beijos em ti .