25 de jun. de 2014

De parafilia à sugestão para se ter boa saúde... Quem diria!

Por mais paradoxal que possa parecer, a Ciência, que em épocas outras inseriu a prática do BDSM como parafilia, em seus artigos no Manual de Diagnóstico e Estatística de Saúde Mental (DSM) ou na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, da Organização Mundial de Saúde (o famoso CID-10), volta à mídia com um artigo onde  afirma que  "Atividades sexuais consideradas "depravadas" que são boas para a saúde". Incluindo neste rol, o nosso BDSM.

Não chega a ser tão estarrecedor, se lembrarmos de que discordar de "verdades científicas medievais" como o Geocentrismo, ou o fato da Terra ser apenas um plano, levou muita gente para a fogueira.

De qualquer forma, alguma coisa vem mudando de uns tempos para cá. Nem tudo está perdido!



Werther von AY erschaffen 


Atividades sexuais consideradas “depravadas” que são boas para sua saúde


Se você é daquelas pessoas que nem consegue dizer a palavra “sexo” sem ficar vermelha, não prossiga. Nesse artigo, vamos falar de tudo que as pessoas acham “tabu”, “depravado” ou “estranho”, e daí vamos piorar a situação afirmando que a ciência diz que isso é bom pra você.

5. BDSM é bom para a sua saúde psicológica



BDSM é um acrônimo para a expressão “Bandage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”, um grupo de padrões de comportamento sexual humano (…que faz algumas pessoas contorcerem o rosto em desaprovação). No entanto, dizem os estudos científicos, pessoas que curtem BDSM são psicologicamente mais saudáveis do que as pessoas que não praticam nenhum desses comportamentos. Os fãs de BDSM são mais extrovertidos e abertos a novas experiências, além de menos neuróticos, ansiosos e paranoicos. Eles também são mais seguros em seus relacionamentos, mas isso pode ser porque os seus parceiros estão acorrentados na cama (espero que vocês tenham entendido que isso foi uma piada e não tentem o mesmo em casa).

4. Poliamor torna os relacionamentos mais fortes


“Poliamor” é uma palavra grega chique para “relação aberta” (também conhecida como “fazemos o que queremos, mas nos amamos”). A ciência diz que as relações poliamorosas são boas para os casais porque exigem bastante diálogo, que é a parte mais importante de um relacionamento. Honestidade, transparência e comunicação são pilares nas relações poliamorosas. O ciúme também é quase inexistente. No entanto, mesmo quando esse sentimento aparece, casais em relações poliamorosas conversam para descobrir o que está lhes incomodando e negociam limites.

3. Sexo casual é bom (se você fizer isso pelas razões certas)


Sexo casual é um grande tabu na sociedade hoje – as mulheres taxadas de “vagabundas” que o digam. Mas a ciência diz: “Foda-se o que os outros acham”. Literalmente. De acordo com essa grande mestre do universo, fazer sexo é bom para você se você está fazendo sexo porque quer. Simples assim. Sexo casual é ruim para você se você está fazendo isso para esquecer sua própria falta de autoestima e sentimentos de inadequação. Mas se você só gosta de esfregar seus órgãos genitais em outras pessoas, então isso é de fato bom para a sua autoestima. Não parece uma distinção óbvia?

2. Fazer sexo “naqueles dias” alivia cólicas menstruais


Apesar de praticamente todas as mulheres do mundo usarem o fato de estarem menstruadas como uma razão para não fazer sexo, não há nada que apoie a ideia de que sexo não pode ser feito durante o período de menstruação. Na verdade, pode ser bom para as mulheres. Segundo a ciência, “partir o mar vermelho” pode ajudar a aliviar os sintomas mais desconfortáveis do ciclo menstrual, porque “as contrações do orgasmo no útero agem como uma massagem interna reconfortante”. Então pare de ser nojenta (ou nojento, se for o homem que não quiser encarar a situação), forre o local escolhido com uma toalha, e proceda como de costume.

1. Masturbar faz MUITO bem para a saúde


A comunidade científica é fã da masturbação. Segundo eles, ela é boa para os homens porque protege contra o câncer de próstata, e para as mulheres é incrível porque faz de tudo, como ajudar a prevenir infecções do colo do útero e a aliviar infecções do trato urinário, melhorar a saúde cardiovascular e diminuir o risco de diabetes tipo 2, além de trabalhar contra a insônia, através da liberação de hormônios. É importante notar também que a masturbação melhora o humor, e ser feliz faz você viver mais. Em suma, masturbação não deveria associada a nerds adolescentes desajeitados, mas sim com uma vida perfeitamente saudável e feliz. 

Fonte:

20 de jun. de 2014

Letras que gritam


Dessa vez o assunto vem de uma opinião minha, muito pessoal, que com toda certeza vai na contramão da opinião geral, mas acho importante ressaltar: as letras que gritam.
Há alguns anos atrás - não posso especificar quantos pois o costume já existia antes de mim -  era  comum o uso de letras maiúsculas por parte dos Dominantes no BDSM. 
O motivo não sei dizer ao certo, talvez para diferenciar, para demonstrar a superioridade da dominação mas o fato é que eles assim grafavam. E esse uso era comum e entendido por todos, principalmente pelos bottons, como um código do nosso (sub)mundo, não incorrendo em nenhuma ofensa ou abuso, afinal, se esse era o jogo não havia porque se ofender.
Chegava-se a ter diálogos - escritos, obviamente - desse tipo:

_ COMO VAI, menina?
_ Muito bem, senhor.
_ RECOMENDAÇÕES MINHAS AO DONO DE ti.

Tudo o que se referia ao bottom, inclusive os pronomes, era grafado em letras minúsculas.
Com a abertura dos portões através da mídia e da literatura chegaram mais e mais pessoas que começaram a fazer oposição a esse tipo de tratamento. 

Letras maiúsculas são gritos! - repetiam exaustivamente.


E, com o tempo essa ideia foi tomando forma dentro do meio, os DONS foram se intimidando e mudando essa forma de escrever, cedendo lugar ao que se chama de netqueta (diz-se de um código de etiqueta para os usuários da internet).
Letras maiúsculas são gritos...
E um dia me peguei pensando em como letras poderiam gritar ao ponto de ofender pessoas. 
De fato, a escrita toda em caixa alta fica mais feia visualmente. É muito melhor ler um texto em minúsculas com a devida pontuação e as maiúsculas usadas nos lugares certos. 
Mas, algumas pessoas, para ganho de tempo, preferem escrever em maiúsculas. Outras, por conservarem o antigo costume vigente no BDSM de que Dominantes escreviam assim. E são rechaçadas por isso, por estarem "gritando", segundo um código de normas trazido lá de fora.
Sem me incomodar com tal fato, entendo as frases imperativas, de ordem ou mesmo gritos, através da pontuação, e, claro, das palavras utilizadas.

_ Feche a porta! Agora! Já!!!

Nesse caso, não é o tamanho da letra que importa e sim a frase imperativa através das palavras e pontuação.
É um pequeno detalhe, algo sem qualquer importância mas que é um termômetro do quanto essas pequenas interferências vão se avolumando e descaracterizando costumes por influência de um meio externo que nada tem a ver conosco. E dá saudade do tempo em que tínhamos que nos vergar apenas ao DONO e aos códigos de conduta e postura vigentes no BDSM e não a usos e costumes trazidos do mundo lá fora e que só descaracterizam o que vivemos, não nos acrescentando em nada e tornando tudo tão banal.

Mas esta é só a minha opinião.


Vita_ST 
Feliz propriedade do Senhor da Torre.

15 de jun. de 2014

Limite Psicológico

Quase todos os dias, escrevo sobre as dificuldades de aprendizagens. Pesquiso e de certa maneira, busco alternativas, ferramentas que nada mais são do que suportes  para os educadores ajudarem os alunos a transpor suas barreiras. E, assim tornar o processo de aprendizagem mais ameno e suscetível a compreensão…

Pontualmente aqui, faço um paralelo entre a dificuldade de aprendizagem com os limites psicológicos no Universo do BDSM. Sobretudo nos primórdios de uma D/s.


Contextualizando os dois temas, temos que, quando acontece o limite psicológico, há um travamento no agir e reagir, ou seja, o psicológico não encontra ferramentas pra ajudar a submissa a transpor a barreira instalada, assim como o aluno na dificuldade de aprendizagem, são necessárias certas ‘muletas’ para alcançar o objetivo.

Diferente de um limite físico, no qual a escrava sente na pele, literalmente, a graduação da força e, desse modo, pode avançar  mais intensamente na superação. No limite psicológico é preciso outro tipo de auxilio, mais precisamente, o suporte do Outro, a guia, a benevolência, a consideração do Dono em prol da submissa para ampará-la na ruptura de tais barreiras.

No sistema de aprendizagem o educador usa o termômetro da nota pra medir o progresso deste processo. E, qual seria o termômetro do Dono para auxiliar sua condução no avanço de seu ‘sistema de ensinamento’  rumo a uma Dominação plena??


Bem, muitos não gostam de utilizar tal ferramenta, uns até  ironizam afirmando que quem usa esse medidor é fraco como Dominador. Não concordo com opiniões desse tipo. Ao entregarmos nosso corpo e nosso bem mais importante, nosso psicológico, nas mãos de Outro, ficamos a mercê do discernimento, da prudência, da ponderação e  da maturidade da parte Dominante para mostrar-nos o melhor caminho sobre nossas escolhas e decisões. Logo, o uso da safe word, primordialmente no quesito psicológico, passa a ser um importante  instrumento pra segurança emocional de A/ambos.

Intrigante essa tranposição de barreiras  no BDSM. Um é portador do limite e um Outro é acionado a ajudar nessa travessia?

Simmmmm, BDSM , um jogo para D/dois. E nesse Jogo de responsabilidades, confiança e cumplicidade o Dono, não mais um simples Dominador, tem a posse, logo usa e cuida.  Então ele se torna responsável pelos avanços psicológicos de sua propriedade também e não somente os físicos, assim como o educador que vai buscar as ferramentas necessárias para o aluno aprender mais confortavelmente.

O Dono é como um educador. Ambos  responsáveis  e atentos  ao desenvolvimento de sua ‘turma’. No caso de um Dono, ele espera que sua submissa seja capaz de aprimorar seus comportamentos físico e emocional. Já a submissa confia e espera que seu Dono tenha sabedoria de aplicar práticas condizentes com o estilo da R/relação acordada.

Assim como na relação Educador-educando o respeito, a pré-disposição de ensinar e aprender e o desenvolvimento dos envolvidos são pressupostos de fundamental importância para o processo de aprendizagem, em minha humilde opinião, na D/s acontece isso de maneira similar, pois tanto o  Dono como a submissa mantêm uma relação de cooperação sempre interagindo ativamente para o desenvolvimento de A/ambos.


No BDSM, pontualmente, na D/s. O Dono ciente da dificuldade do avanço psicológico de sua submissa a orientará com responsabilidade, conduzindo–a de maneira atenta e gentil.

Dessa maneira, fornecerá o apoio e ajudará no descobrimento de estratégias para que ela vença qualquer tipo de limite psicológico. Fazendo de sua peça, uma dedicada, honrada e orgulhosa APRENDIZ.


ternura εïз
submissa, SP

12 de jun. de 2014

Mensagem ao DONO pelo Dia dos Namorados






SENHOR meu DONO!


Neste 12 de Junho de 2014,

eu, tua escrava submissa,

aquela que existe para Te ser útil,

e que não sendo tua namorada, 

Te ama mais do que a própria fome de viver.

A mesma que arde de ciúmes de Ti, 

mas é capaz de latejar de tesão com teu prazer

mesmo que este prazer  resida em outro corpo.

Aquela que pulsa junto de quem o Senhor ame ou deseje. 


A mesma que conspira

transgride

corrompe

perjura

saqueia

e trai

a si mesma e a qualquer um

em teu nome.

A que a cada dia se torna a mais encantada das mulheres.

Te deseja um feliz "Dia dos Namorados"

onde e com quem o Senhor esteja.


Esta tua escrava  Te agradece por permitires

que de qualquer forma ela faça parte da tua vida

e que ela vivencie o mais despojado e mágico amor

que quanto menos recebe pra se alimentar,

mais dá de si pra matar tua fome.


Feliz Dia dos Namorados,

SENHOR DIABLO,

meu MESTRE,

meu SÁDICO,

meu DOMINADOR,

meu REI,

meu DEUS meu DEMÔNIO,

DONO de TUDO em mim!



Amar Yasmine do SR. DIABLO


9 de jun. de 2014

Uso


Há exatos quatro anos e quatro meses, tive a grande sorte e felicidade de receber das mãos do meu Dono a coleira que venho portando com tanto orgulho e respeito desde então.

Foi por essa época também que, por meio de um blog, conheci a lindíssima vita_ST, com quem já ri por mil motivos, a quem já confidenciei muitas coisas e por quem eu estou aqui hoje, após alguns meses de afastamento da comunidade BDSM, atendendo ao convite de contribuir com este espaço maravilhoso que, confesso, foi uma grata surpresa neste meu momento de retorno.

Assim, é com muita alegria que compartilho com vocês este meu texto, escrito em março de 2011, e aproveito para agradecer e parabenizar a iniciativa da criação desse blog, uma luz acesa e segura pelas mãos confiáveis de vita_ST, essa amiga que tanto admiro, e pela não menos maravilhosa Amar_SD.



Às vezes me pego pensando nos diferentes aspectos que certos termos e objetos de uso diário acabam adquirindo em uma relação D/s.

Adoro, por exemplo, a maneira como a palavra ciúme foi riscada do meu dicionário. Ou a coleira, que deixou de ser um simples objeto e passou a ter uma enorme carga de honra e respeito impregnada em suas letras.

Mas pouca coisa me chama tanto a atenção quanto o ponto em que delimita-se (ou expande-se?) a acepção do "uso" dentro de uma relação de Dominação e submissão.

Em termos gerais, usar pode significar, entre outros, empregar, fazer uso, servir-se de. Também é recorrente a ideia de que, ao fazermos uso de determinada coisa, ela se desgasta ou acaba por se deteriorar, até que não nos sirva mais. Partindo de um ápice, a serventia deste objeto tende a decair, mesmo que isso demore, seja por estar já inutilizado ou por simples falta de interesse. É neste ponto do percurso que nos livramos dele. 

Pois bem. Esses são os termos gerais. Partamos agora para as especificidades.

Donos usam (ou servem-se de) suas submissas. Ponto. Como e quando são fatores que também devem ser cuidadosamente pensados, mas essa já é outra história. A questão aqui são as implicações que este uso traz consigo.

Ocorre, então, uma reversão do processo acima explicitado. Se em linhas comuns um objeto é utilizado e posteriormente descartado, aqui supõe-se que, ao ser "usada", a submissa irá aperfeiçoar-se, com a devida condução de seu Dono, crescendo e superando-se com o objetivo de proporcionar mais e mais prazer àquele que a possui, o que causa felicidade a ela e satisfação a ambos. Assim, a relação segue sempre em linha crescente.

É dentro desse contexto que o usar apresenta ainda uma outra face: do "uso" em uma relação D/s deveria advir, necessariamente, o cuidado. E vice-versa. Estes termos encontram-se cada um em um dos pratos de uma mesma balança. Se um deles falta, o outro lado pende, e assim não há equilíbrio. Sem equilíbrio não há confiança... e ninguém deveria submeter-se sem confiar.



Submissas que são apenas usadas por pretensos dominadores acabam feridas e traumatizadas. São desprezadas a qualquer momento, assim que se saciam os desejos mesquinhos e egoístas daquele que deveria ter a responsabilidade de cuidar do que tomou para si.

Por mais que se queira traçar o paralelo entre uma submissa e um objeto, submissa não tem botão ON-OFF para processar esse tipo de atitude sem a ocorrência de qualquer dano. E, se for mesmo para fazer essa comparação, raciocinemos: objetos usados de maneira inadequada não cumprem corretamente com sua função, quebram, danificam-se.



Aí, lá vai a pobre catar os cacos sozinha. Em situações extremas, acaba por deixar que outro inconsequente os remende. Em casos mais felizes, o reparo fica por conta de um Dono real e responsável. Um Dono que entenda a profundidade e a beleza da entrega de uma submissa.


juliet_SS
submissa, SP

2 de jun. de 2014

A importância do alimento


O que alimenta uma escrava, sua submissão e o desejo de servir sempre mais e melhor?

Há o alimento do corpo que sacia os desejos, o gozo do seu senhor, seus fluidos, seu prazer.
Nada é mais compensador para uma escrava que dar prazeres ao seu DONO, ser usada por ele e depois, servir-se desse néctar que pode ser o líquido precioso do seu gozo ou seu olhar brilhando de contentamento e satisfação. 



O alimento da alma que a faz sentir-se sempre cativa são os cuidados do DONO, o sentir-se verdadeiramente cuidada e protegida, sentir-se posse.

O alimento da razão para que sinta vontade de continuar servindo depende dos atos de seu DONO, de sua dignidade, caráter e senso de justiça.

E finalmente, o alimento do coração, que vem da admiração e do amor que ela sente por ele e que vê recompensados ao receber um carinho, um afago, um elogio.



Tudo isso pode remeter a ideia de dependência. Seriam as escravas dependentes de seus DONOS?
Escravas são fortes. Submeter-se a alguém em um mundo onde as pessoas lutam ferozmente por igualdade, é um ato de força extrema.

Mas, toda relação depende de esforços de lado a lado e mesmo que esses esforços sejam claramente delimitados pela linha vertical da hierarquia, só com a ação de ambos pode funcionar.
A escrava submissa necessita de alimento. Sem isso, "sua submissão não encontra eco e mergulha no vazio" (Senhor da Torre).

Uma relação D/s, por mais que esteja delimitada pela verticalidade, necessita de compromisso mútuo. Não existe relação unilateral. Uma relação demanda esforços de ambos os lados para crescer, expandir-se, tornar-se forte e cúmplice.
Uma escrava bem alimentada e conduzida pode alçar vôos inimagináveis, vencer limites antes impensados. Sem alimento, seus esforços se esvaem, suas asas não se fortalecem e seus vôos não passam de fracas e débeis tentativas até que finalmente morre de inanição.

O que leva uma escrava a servir é sua própria essência mas o que a impulsiona a crescer na servidão é a ação do DONO, sua condução. De nada adianta ter uma coleira apertando o pescoço se a guia arrasta-se no chão.



Para servir é necessário ter a quem, assim como é necessário que esse alguém queira ser servido. 
A escrava depende da necessidade de seu DONO por ela para que se sinta útil.
E como fazer isso? É necessário que o DONO esteja sempre presente? Nem sempre é possível. Há os compromissos familiares, os de trabalho, os compromissos diários que impedem que essa presença seja possível, principalmente se moram em cidades ou estados diferentes. A vida real, diferente dos romances retratados nos livros, tem suas demandas.
No entanto, se não é possível estar presente, é possível fazer-se presente



Um email curto, uma ligação de alguns minutos, um sms, uma ordem inesperada, às vezes uma simples palavra podem trazer a luz, o alimento que a escrava necessita, fazendo-a sentir-se lembrada, afagada, estimulada a servir mais e melhorSão gestos simples que podem fazer uma grande diferença. A diferença entre ser Dominador e saber ser DONO.


Não existe, nos dias atuais, pretexto que justifique a falta de comunicação.
Sendo assim, fica a pergunta:


O Senhor já alimentou sua escrava hoje?




Vita_ST
Feliz propriedade do Senhor da Torre


*Agradecimentos especiais ao DONO desta escrava que a alimenta, há quase 7 anos, todos os dias.


30 de mai. de 2014

UM DOMINADOR REVELA

Gorda e submissa: Tem coisa melhor?  



Quase sempre que conheço alguma mulher e revelo meu tesão por mulheres muito gordas, vem sempre a pergunta: 

_ Sr. por que aprecia as gordas? 

Isso, quero que saibam, não tem resposta. Geralmente respondo com outra pergunta: 

_Você gosta de maçã?_quando a resposta é sim, eu indago: _E por que?

Quase sempre não conseguem dar-me uma resposta plausível. Então, tudo que você possa enumerar como razão para gostar de maçã, posso também listar como sendo motivos para gostar de mulher muito gorda. 

Certa vez, no divã do meu analista, ao saber dessa minha preferencia sexual, ele disse: 

_Sua mãe era gorda, então está explicado. 

Ele acha que Freud explica tudo. Eu, não. Ora , se ele quer chamar meu tesão por gordas de complexo de Édipo, que chame, não ligo a mínima. Desde que tenha uma boa BBW¹ para dominar e me servir!!


Obesidade e submissão

Ocorre que, além de gorda, a mulher para mim tem de ser submissa ou masoquista, uma vez que sou dominador. Para a preferência por gorda submissa, tenho uma resposta, ah, sim, se tenho! – como veremos mais adiante.

A mulher gorda de uma forma geral já tem um certo viés de submissão, ainda que não admita isso. Ela se julga inferior, porque vivemos no mundo dos magros. Qualquer propaganda na TV que utilize modelo feminino vai explorar a magreza. Qualquer conceito de beleza feminina hoje parte da magreza. Aos magros, tudo; aos gordos, o inferno! Isso é o que está valendo no nosso e em outros países, embora não em todos, felizmente. Nos países árabes, por exemplo, as gordas são muito mais apreciadas. Vejam-se as dançarinas da “dança do ventre”. São gordas, bunda grande e quadris largos, delícias de mulheres!

Contudo, há mesmo uma séria discriminação, não só contra as mulheres gordas e obesas, mas contra as pessoas gordas de uma forma geral. Negros, judeus e homossexuais sofrem discriminação ainda, mas esta não se compara com aquela contra os gordos e gordas, porque a discriminação contra as gordas não é “punida”, digamos assim. Chamar alguém de bicha louca dá processo, chamar alguém de negro equivale a um xingamento, mas rotular uma mulher de gorda não dá nada. Quando muito provoca risos e zombarias. Num mundo assim, não admira que as gordas julguem-se inferiores. Claro que falo de uma forma geral, porque sei muito bem que existem aquelas gordas e obesas que são o contrário.

Então, concordamos que a mulher gorda é uma submissa nata. Justamente pelas razões que apresentei.


A origem da magreza

A origem disso tudo, quero dizer, da criação de um mundo dos magros, creio eu, está lá atrás, no começo da Revolução Industrial. Na Idade Média e mesmo antes, o conceito de beleza sempre foi a mulher cheia, seios fartos e quadris bem largos, coxas grossas e cintura fina. Quem duvida que pesquise os pintores renascentistas e verá. Podem até dar uma olhadinha nos anjinhos barrocos: alguém já viu um deles magrinho?

Com a Revolução Industrial isso mudou. Inglaterra e França precisavam vender ao mundo o produto de suas fábricas de tecidos, mas vender tecido em grande escala para mulheres enormes, ficava difícil e caro. Então, surge um novo conceito de beleza, uma nova mulher, que pagaria cada vez mais caro por cada vez menos tecido! As magras viraram moda. E adivinhem quem ditava a moda da época? Isso mesmo: Paris e Londres!



Gorda e submissa: Mulher ideal

Depois dessas divagações, creio que já posso tentar externar minha preferência – meu fetiche - pela mulher submissa gorda.

A gorda é muito mais submissa e delicada. Obedece mais. Adora o castigo que lhe é imposto e tem uma lealdade de cão para com seu dono. Se ele for um feeder², então, ela o atenderá e não hesitará jamais em engordar mais e mais, somente para satisfazê-lo. Uma gorda entende perfeitamente a diferença entre castigo e punição. Aquele é a fonte onde a submissa bebe, é sua razão de viver; esta é desagradável, repudiada e da qual tem medo. (*)

“Ora – direis – “qualquer mulher submissa tem essas qualidades!”. E eu vos direi, no entanto, que só a gorda desempenha melhor seu papel, porque tem um corpo farto, macio, uma carne que convida ao castigo, um ser que clama por ser humilhada mais do que já é na vida real, por tudo e por todos. Só a gorda sub tem amor à corrente que a prende, ao chicote que a açoita e ela, somente ela, agradece pelo castigo e pela tortura psicológica. Contudo, não é entediosa e procura cada vez servir melhor ao seu dono e Senhor que, por sua vez, entende e professa que a beleza é comum, é medíocre, ao passo que o Feio é a maravilhosa exceção, a delícia do único, do raro.

Nota (*) 

Por castigo entende-se o que é infligido à escrava no dia a dia das sessões, de acordo com a preferência estabelecida entre Senhor e escrava, ou seja: açoite, velas, prendedores, bondage, etc; 

_Por punição entende-se tudo o que o Senhor impõe à escrava em vista de um mau comportamento ou desagrado com tarefas não cumpridas, por exemplo. Vai de uma simples proibição de orgasmo por x dias até o veto a roupas, comidas e passeios que a escrava adora.


¹BBW = Big Beautifull Woman

²Feeder = Aquele que alimenta

SR. DOM de GORDA
Dominador, MG
Email: hmedeiros1950@bol.com.br


27 de mai. de 2014

Sem limites


Etimologicamente falando, LIMITE vem do latim “limes”, “caminho entre dois campos, fronteira, sulco” e em língua portuguesa, é um substantivo que sugere fronteira, barreira. Nas relações compostas dentro do acrônimo BDSM, o conceito de limite pode ser interpretado de forma intuitiva, pelo menos parcialmente.
Poderia escrever um tratado, mas vou experimentar o lado pessoal e abrir meus espaços íntimos. 
Quando iniciei a negociação com o Dono, o primeiro passo foi definir os limites. Daí surgiram muitas vertentes entre limites que são intransponíveis e limites que podem ser vencidos. 
No primeiro momento, estávamos rodeados de objetos e de conceitos que tiveram outra história, outras histórias, e então, submissa e Dominador traçaram juntos os limites da futura relação com base em nossas vivências precedentes. 
Entretanto, surpresa da vida, essa obra inacabada e inconstante! Eis que, mesmo depois de discutida e embasada, a relação que seria mantida na tríade do “são, seguro e consensual” passou para “risco assumido”. Não sei explicar em que momento aconteceu, mas acredito que foi quando as mãos do Dominador fecharam a coleira em meu pescoço e Ele empunhou o chicote.
Ele assumiu a responsabilidade, eu assumi os riscos; não há safe, não há limites, não há espaço para discussão. O que ocorre é uma confiança irrestrita de ambas as partes. 
O Dominador confia que a submissa é capaz de trabalhar seu aprimoramento físico e emocional e a submissa confia que o Dominador terá tenacidade de aplicar práticas e desejos toleráveis.
É um conceito diferente, onde a palavra limite dá lugar à palavra TOLERÂNCIA, que provém do latim “tolerantia”, que por sua vez precede de “tolero”, e significa suportar um peso ou a constância em suportar algo.
Ainda falando na forma intuitiva própria ao BDSM, tolerar é qualidade daquele que suporta com bom humor e amor as circunstâncias que não lhe são agradáveis ou prazerosas. 
Essa diferença de abordagem necessita ser preenchida por um requisito apenas: honestidade. A submissa não pode indicar que gosta ou que suporta práticas físicas ou  psicológicas além das quais está preparada, pois não há “safe” para lhe salvar, assim como o Dominador não deve praticar atos para os quais não está apto, pois inexistindo safe, as conseqüências podem ser sérias. E há conseqüências, pois ambos assumiram os riscos. Não tem rascunho, essa relação deve ser encarada com a maturidade daqueles que respondem por seus erros e acertos. Para a falta de contentamento só há uma cura: entrega da coleira.
Eu, submissa, preciso ter o dom de observar, escutar, sentir e até me antecipar aos anseios do Dono. Trabalhar os meus pontos fracos e oferecer a Ele seu desejo encarnado. É a busca pela perfeição, não a perfeição de mulher, mas a perfeição de submissa para os padrões e quereres do Amo, porque cada Dominador deseja um tipo de submissa. A mim, cabe identificar Seu desejo e me aprimorar.
Limites? Não, não há limites. Há apenas práticas ou situações que ainda não tive tempo de vivenciar. 

Bia de Melbor
escrava, SP


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Próximo Post:

"GORDA E SUBMISSA: TEM COISA MELHOR?"

Por: 
SR. DOM de GORDA

30/05/2014

20h

Não deixe de ler!

24 de mai. de 2014

Submissão e carência caminham de mãos dadas?


Quando escolhemos a submissão buscamos o prazer da entrega, e para isso acontecer, precisamos nos libertar das amarras da vida baunilha, de antigos conceitos, preconceitos, de vícios que não cabem nesse novo estilo de vida . 
Quando aprendemos a conter ou suavizar sentimentos negativos, encontramos o equilíbrio na nossa vida submissa e também fora dela. E assim nos moldamos, não apenas para estar mais próximas do que o DONO deseja e merece de nós, como também, para evoluirmos como pessoas. Há uma troca entre mulher e escrava, que permite à uma, fazer uso do que houver de melhor na outra e vice-versa, de forma que ambas cresçam. 

A entrega nos proporciona momentos de prazeres inimagináveis anteriormente, ela também nos traz amadurecimento, resistência, persistência, paciência... nos traz muito de bom. Mas ,também , pode trazer à tona emoções e sentimentos negativos .
A carência afetiva é um mal que pode surgir e abater a escrava, mas não necessariamente será assim !  

Nosso dia a dia é repleto de situações que nos levam à dependência , à instabilidade emocional, que, por sua vez, podem  nos levar a um estado de carência afetiva. 
Adoraríamos passar um pouco mais de tempo com ELES, ter um pouco de atenção,  mais carinho, mais compreensão ... enfim, um pouco mais do que é bom e todo mundo quer.
Não fosse a ciência que temos de que a entrega passa, em muito, por renúncias, por longas esperas, por adiamentos de planos, por dores em suas mais diversas formas, seria fácil nos deixarmos abater por sentimentos dos mais negativos e destrutivos.
Mas isso, apenas se não tivéssemos total clareza de que quem decide o que teremos é o DONO, seja a atenção de sempre ou algo especial, é ELE quem decide quanto e quando teremos esse algo. E é mais que natural e esperado que seja assim, afinal, trata-se de uma D/s, onde a troca de poder e a hierarquia prevalecem, ELES mandam e nós, não apenas obedecemos, como também, respeitamos e apreciamos que seja assim .
   
Sabemos que submissão não é uma tábua de salvação para ninguém, muito pelo contrário, para quem já vinha se afogando, ela pode ser a pedra que leva ao fundo do poço.
Carência é algo pessoal e intransferível, cada um deve cuidar da sua. Ninguém tira ninguém da carência, ou a pessoa sai sozinha ou continua la.
Munir-se de todo amor do mundo, achando que vai descarregá-lo em alguém e ser feliz para sempre é uma doce ilusão que termina amargamente.
Muitas vezes, somos nós mesmos quem nos enganamos e não o outro, é o nosso desejo e nossa mente que criam o cenário e nos coloca no centro dele, tornando-o quase real para quem está imerso nele .
Separar a ilusão da realidade, não é uma questão de ser submissa ou não, mas sim, de ser uma pessoa adulta que não pretende viver fora da realidade. 

Mas é cada um é que sabe de suas buscas e necessidades. E o BDSM abraça a todos, aqui temos liberdade para ser exatamente quem somos, aqui pode-se acreditar e tentar ser o que quiser.
Continuamos não tendo o direito de fazer com o outro que ele não permitir, mas conosco  podemos tudo, inclusive melhorar como pessoa ou permanecer sem dar um passo adiante!
Quem vem em busca da quebra das correntes baunilhas, encontra essa libertação. Quem vem em busca de vivências, encontra vivências. Quem vem em busca de aventuras, de sexo fácil, encontra também. Mas quem vem em busca de descarregar suas carências, não encontra quem aceite tal carga.

Somos humanas, mulheres com direito a erros, acertos, desejos e tudo que acompanha o universo feminino, incluindo a carência. Porém, quando escolhemos servir, aceitamos tudo que o acompanha, e temos que aprender a lidar com situações bem mais complexas que as habituais. 
Com a carências não é diferente, ela nos acompanha na entrega .
Entretanto, aprender a conviver em harmonia com a submissão é um pouco questão de escolha, de objetivo, de vontade, persistência, capacidade e de muito comprometimento com as escolhas feitas.
O que diferencia o nosso antes e o depois é capacidade que desenvolvemos para ressaltar o nosso melhor e suavizar o que não nos favorece. 

Somos todos compostos dos mesmos sentimentos que, dependendo da intensidade e constância com que se manifestam, com o modo que são trabalhados dentro de cada um e como são direcionados ao outro, podem se tornar negativos e até destrutivos.
O medo pode proteger, paralisar ou nos expor a um risco desnecessário. A saudade que aguça o desejo do reencontro, pode se tornar a carência que esmaga ou se tornar esquecimento. O ciúme que tempera, pode se tornar veneno ou indiferença. A dor que excita também pode abater ou sequer ser percebida como tal. Tudo depende da medida!
Ninguém está livre de ser pego, em algum momento ou situação, por uma dose maior que a habitual de ciúmes, paixão, medo, insegurança, dúvida ou alguma outra emoção ou sentimento circulando nas veias.

O fato de não nos deixarmos dominar pelo que temos como urgências, e não nos abatermos pelo que não temos, não significa que não desejamos um pouco mais DELES, tudo que é bom sempre desperta o desejo de ter um pouco mais. Até mesmo ELES, com tudo que nos extraem, continuam buscando extrair sempre mais, essa é uma das premissas da D/s. E não é sempre que a escrava caminha na velocidade deseja pelo DONO, mas nem por isso ELE vai simplesmente empurrá-la para acelerar sua caminhada, mas sim  conduzi-la, respeitando seu ritmo. Sendo assim, o que se espera do outro deve ser proporcional ao que ele tem a oferecer, e nada a mais .
Momentos de carência podem acontecer a todos, é o viver em estado de carência que pode ser destrutivo.     


luah negra
submissa, RJ
                                                                                                                                                                                     

21 de mai. de 2014

Refletindo sobre a submissão

A separação entre a realidade e a fantasia



Conhecendo as histórias de verdadeiras submissas sinto um acalento muito grande em meu coração. Vejo o fervor de sua entrega, o amor e a dedicação a seu Senhor, a devoção e a servidão acima de tudo e de todos, e concluo que tudo isto não é apenas como os versos de um poema que se escreve por admirar algo. É uma oração.

É muito diferente  quando nos colocamos abaixo da vida de alguém. Requer tenacidade e coragem para neutralizar a própria vontade, os próprios desejos e sentimentos por quem quer que seja, para fazer prevalecer o que sentimos pelo Dono. Esta vivência não se constrói do dia para noite, é algo que nasce conosco e, se genuíno, vai se desenvolvendo e se apurando, se aprimorando até se transformar em puro desprendimento de si mesma. 

Quando me descobri parte deste mundo a única coisa que vinha à minha cabeça eram as práticas. Ainda ignorava como seria na alma a entrega de uma submissa a seu Dono. Hoje, descubro que o BDSM vai muito além daquilo que imaginei viver e às vezes me pergunto: serei submissa? Serei masoquista? Onde me encaixo neste mundo de prazeres? 

Em um ano de BDSM, não sou e nem sei nada. A cada momento me descubro e me redescubro. A cada instante percebo em mim novos sentimentos e sensações que nunca senti, ou sequer imaginei possíveis de acontecer comigo. Ao escutar e ler os relatos das verdadeiras submissas (pois da mesma forma que existem os pseuDOMs, existem também as pseudoSUBs e em ambos os lados há pessoas falsas e aproveitadoras, pessoas que brincam com os sentimentos das outras), ao escutar essas mulheres que vivem o prazer na submissão, afirmo que são elas dignas do meu mais profundo respeito.

Não cabe fazer da submissão um cano de escape para frustrações vividas no cotidiano. Não cabe viver tudo isso como se fosse apenas um jogo. A submissa, por mais cuidados que receba do seu dono, viverá momentos que terá de cuidar de si mesma e dos próprios sentimentos, coisas que nem toda hora ao Dono deve mostrar, para não ser maçante.

Mas, não tem o Dominador que cuidar da sua sub? Realmente. E ele cuida. No entanto, será que esta submissa deverá revelar a ele todos seus anseios? Este é um dos inúmeros questionamentos que me faço, enquanto no meu mundinho fico a admirar as relações com suas belezas, seus brilhos, também com suas dificuldades, pois em todas as rosas, além da beleza e do perfume, existem também os espinhos. 

Assim  são as relações entre verdadeiros Dominadores e suas verdadeiras submissas. Não são fantasias, nem contos de fadas. São relações reais, com pessoas reais, com suas virtudes e defeitos, sujeitas a erros e acertos, tentando com honestidade e respeito, pois só assim podem se aproximar do ideal.

Vivi Escarlate
submissa, AL