11 de mai. de 2016

A DIVERSIDADE E A VERDADE DE CADA UM

O BDSM, ao longo do tempo, vem se metamorfoseando. O que era inicialmente definido em uma ótica muito crua e restrita, apenas o SM, evoluiu com a inserção das duas outras consoantes; isso, no meu entender, trouxe um sentido mais abrangente, significativo e apropriado, afinal o BDSM atual é muito mais do que reflete a dualidade Sadismo e Masoquismo.

O que temos atualmente inserido sob a égide dessas quatro letras é uma infinidade de Fetiches e Comportamentos, que desde a época das listas até hoje, nas redes sociais, tem sido motivo de constantes questionamentos, pareceres e discussões. O BDSM ficou departamentalizado, embora não se trate de “setores estanques”.


Com bom senso e respeito, consegue-se permear por estes e conviver com as diversas opiniões, sem choques. Aliás, choques é o que não falta por aqui.
O BDSM passou a ser como a impressão digital. Cada um tem a sua, mas todas com aquelas ranhuras e linhas concêntricas como significado de “uma só essência”.

Apesar dessa diversidade, temos algo em comum, que deveria ser um fator de união.
Somos considerados diferentes; somos (todos) a exceção. Somos contracultura.
Somos estereotipados, criticados, marginalizados... E outros tantos “ados”. Além disso, não temos visibilidade social, como há em outras “civilizações”, especialmente na seara norte-americana, ou na europeia.

Por aqui, os conceitos da moral vigente não permitem que sejamos respeitados e entendidos como um grupo de pessoas normais, que trabalha, paga seus impostos, assume responsabilidades, etc. Há o “status quo”, de uma falsa moralidade, impregnado na mídia, que permeia a sociedade cerceando a visão, o entendimento e a razão.


Neste ponto, até que o contestado "50 Tons de Cinza" serviu para mostrar que existimos e que não somos um bicho de sete cabeças, ou a besta do Apocalipse. É muito certinho e bonitinho, é bem romanceado, mas tem lá o seu valor; afinal o BDSM real não exclui a passionalidade.
Muito das relações primam por esta vertente. A gente se apaixona por aquilo que faz, ou pelo outro lado, seja a pessoa, o personagem, ou ambos.
Quanto a mim, jamais saí totalmente ileso de uma relação, nem tenho a pretensão de que isso aconteça.


Penso que certas coisas na vida não admitem o meio termo, ou você entra inteiro, ou é melhor não se aventurar. Por outro lado algumas flores têm espinhos, então...
Amo ao que tenho e principalmente ao que conquisto; então a minha escrava não seria a exceção.
É assim: O BDSM tem os bônus e também os ônus!
Mesmo assim, sou daqueles que acreditam que o melhor é manter o BDSM na obscuridade, pois quanto maior for sua exposição, maior será a pressão. Isso sem contar com o assédio de curiosos, e pior, dos arautos da hipocrisia, que sempre aproveitam para criticar.

Eu gosto é assim, na obscuridade, no gueto. O BDSM é fascinante, e continua fascinante mesmo depois de tanto tempo. Por que há pessoas fascinantes, essa é a questão. Pessoas inexpressivas, que não fascinam, simplesmente desaparecem com o tempo. Aqui não é diferente do que ocorre na natureza, há sim, uma seleção natural. A força de cada um está na sua autenticidade e só os autênticos sobrevivem.

Certamente a metamorfose do BDSM não chegou ao fim, as combinações das quatro letras tem um limite, mas não a imaginação e a criatividade do ser humano, ou a diversidade de novos e inimagináveis comportamentos. Conviver nessa verdadeira galáxia, em que todos brilham é fácil, basta ter a noção do próprio brilho e respeitar os demais.


Werther von AY erschaffen


*Texto publicado originalmente no blog WERTHER e {W_[amar yasmine]}, em 10/05/2016.




16 de abr. de 2016

A Negociação


Na comunidade BDSM, a negociação é o tempo utilizado para conhecimento entre as partes, Dominante e submissa, que pretendem assumir uma relação D/s  e onde são feitos os acordos sobre as bases desse futuro relacionamento. Em conversas que podem ser virtuais, via telefone ou pessoalmente, as partes vão se conhecendo mutuamente e tomando ciência dos anseios, objetivos de cada um.
A negociação é uma etapa importante para quem vai iniciar uma relação de Dominação/submissão. É nesse tempo de conhecimento e muita conversa que  as partes firmam acordos sobre como a relação será conduzida: as práticas a serem utilizadas pelo Dominante, os limites da submissa, os direitos e deveres de ambos, o que esperam um do outro dentro da relação, a forma de tratamento a ser usada, a postura que a submissa deve assumir enquanto servir ao Dominante, o tempo que cada um tem para dedicar ao outro...   São inúmeros os itens a serem considerados nesse momento e é preciso total transparência de ambas as partes.


A importância da transparência na negociação

O Dominante, que vai usar a submissa, precisa estar ciente de detalhes de sua vida, de sua saúde, do que está disposta a experimentar, do que lhe causaria dano físico ou emocional, do que lhe causa medo ou pavor, do tempo que poderá disponibilizar para o Dono em virtude de compromissos de trabalho, família, etc.
Deve, também, explicitar o que deseja dela, de que forma quer ser servido, que práticas pretende utilizar e ser também transparente nas informações sobre si mesmo para gerar na submissa a confiança necessária.
A submissa, por sua vez, deve informá-lo de tudo isso com total clareza, sendo verdadeira e humilde, reconhecendo e expondo seus limites.
Inúmeros são os casos de submissas que, para impressionar o Dominante, colocam-se em risco dispondo-se a fazer práticas das quais não têm conhecimento ou não têm capacidade física ou emocional para praticar. E o resultado são traumas que podem ser levados para o resto da vida. Por isso é importante ser verdadeira e expor seus desejos mas também seus receios e inseguranças. O bom Dominante saberá compreender e aceitar, ou levá-la a despir-se desses medos para que possa servi-lo da maneira que deseja.
Para tal, reafirmamos, a conversa durante a negociação precisa ser clara e franca, com cada uma das partes colocando o que espera do outro,  respeitando-se as bases hierárquicas da relação.
O estado civil dos parceiros, se estão livres ou se têm relacionamentos baunilha ou mesmo outra relação D/s (no caso específico dos Dominantes), não deve ficar de fora. São detalhes que irão influenciar diretamente o relacionamento em relação a disponibilidade de tempo e comprometimento e por isso devem ficar claros.


"A pressa é inimiga da perfeição".

Esse dito popular vale em muito para as negociações no BDSM. Quanto mais as partes se conhecem, mais chances têm de estarem sintonizados um como outro, vindo assim a ter uma relação mais satisfatória para ambos.
Algumas pessoas, ansiosas por iniciarem a D/s, pulam a etapa da negociação e depois da relação iniciada descobrem que têm pouco ou nada em comum. E assim, a relação caminha rapidamente para o fim.
"Ele não é um bom Dominador" ou "Ela não era submissa o suficiente" são frases comuns quando uma relação assim termina. A verdade é que não se deram o tempo necessário para se  conhecerem e só depois descobriram que seus anseios  não estavam em sintonia. Ocorre aí um choque entre o que um espera e o que o outro pode ou quer dar, conflitos de opiniões, diferenças de objetivos, níveis diferentes de maturidade sexual ou de preparo para a vivência do BDSM, incompatibilidade de horários, entre outros,  o que levará o relacionamento ao fim gerando frustrações, inimizade e acusações de ambos os lados.


Cuidados durante a negociação

Quando você decide ter uma relação D/s está disposta a ser posse de alguém. Para isso, negociará com essa pessoa e ao fim da negociação, ocorre a entrega, a sua, ao Dominador tornando-se assim,  posse dele.
Você realmente já se imaginou sendo posse de alguém e em que tudo isso implica? Provavelmente não.
Ser posse de um Dominador significa que ele tornou-se seu Dono. Você entregou-se a ele de uma forma ampla e se colocou disponível em corpo e alma. É uma coisa grandiosa a entrega.
Para que essa entrega aconteça você deve ter total confiança no Dominador. Para ter confiança é preciso ter conhecimento não apenas do Dominante, do quanto ele domina as práticas, de quantos anos de experiência tem no BDSM ou do quanto sabe manejar um chicote, mas do homem por trás do Dominador, do seu caráter, sua vida.
Não são raros os casos de submissas que entregam-se sem ao menos saberem o nome real do Dominante. Nada sabem sobre sua vida, seu trabalho, onde moram...
Se você acredita que isso faz parte da submissão, saiba que não! Se vai entregar-se a alguém e colocar seu corpo e sua vida nas mãos de outra pessoa, mesmo que para um jogo de prazeres, nunca o faça para alguém que não confie em você o suficiente para lhe contar também detalhes de sua vida.
A confiança deve ser recíproca e, nesse caso específico, não há hierarquia.


Devo obedecer ao Dominante durante a negociação?

Quando uma submissa está negociando com um Dominador é comum que ele ordene que ela avise ao meio que frequenta que está em negociação. Esse aviso impedirá que outros Dominantes se aproximem na tentativa de também negociarem com ela. Durante a negociação o Dominante pode dar instruções à submissa de como proceder em relação a outros Dominantes e ao meio BDSM em geral, pois, uma vez que ela aceitou entrar em negociação, já está sob a guarda dele e deve seguir suas instruções.
Quanto a encontros, sessões ou mesmo sexo durante a negociação é da responsabilidade e consciência de cada um pois, sendo adultos, podem decidir consensualmente quanto a isto.
A negociação não tem um tempo definido, depende da vontade do Dominante ou do tempo que se leve até adquirir o conhecimento básico necessário entre as partes para que o relacionamento efetivamente se inicie.
A negociação termina quando o Dominante toma posse da submissa e dá a ela sua coleira, ou em caso de não se entenderem, dão por encerrada a negociação.


Manutenção dos acordos

Na relação D/s os acordos feitos na negociação devem ser mantidos. Alguns redigem contratos de submissão mas, por não terem valor legal, vale a palavra empenhada. Uma submissa que aceitou, durante a negociação, ter irmãs de coleira, não deverá mudar de ideia depois que a relação começa. Da mesma forma, um Dominador que prometeu exclusividade à submissa não deve, depois que a relação inicia, mudar de ideia e arrumar uma segunda escrava.
Entretanto, em se tratando de relações humanas, tudo é possível. Cabe, na intenção de alguma mudança nos acordos da negociação, o diálogo franco e honesto.
Por tudo isso é importante o conhecimento mútuo, não só da figura do Dominante ou da submissa, mas do caráter de ambos enquanto seres humanos, homem e mulher. Para isso é preciso tempo e empenho, não pular etapas e conter a ansiedade e a pressa.
Em nenhum tipo de relação homem/mulher é preciso tanto conhecimento um do outro quanto na relação D/s. Ali serão feitas práticas que envolvem riscos, serão experimentadas e vivenciadas fantasias e fetiches de toda ordem, o corpo da submissa será usado sem reservas pelo Dominador, portanto, é preciso grande conhecimento e confiança mútuas.


{Λita}_ST 
Feliz propriedade do Senhor da Torre


*Texto publicado originalmente no blog Uma Canção e Só, em 28/02/2016






3 de abr. de 2016

Meu Sentir


Minha visão sobre esse mundo chamado BDSM.


Sou submissa novata. Sim, novata, e que vem aprendendo sobre si mesma e sobre o ser humano nesses últimos tempos.

No BDSM vivemos nossas fantasias e desejos plenamente, sem preconceito, podemos ser tudo que desejamos ser, No mundo baunilha somos quase sempre tolhidas por hipocrisia barata do que pode e não pode em uma sociedade praticamente machista na qual o feminismo no meu ponto de vista, vem se revestindo de traços machistas.

Em uma relação D/s somos engolidas pela magia da sexualidade livre e sem pudores, Dominadores não são deuses e submissas não são tolas, Há uma relação de cumplicidade, de entrega de ambas as partes. Para que isso aconteça a construção é lenta e muitas vezes árdua em busca dessa relação D/s "perfeita".

Não sou estereótipo de garota "boazinha", Erro, aprendo, apanho, sou castigada, e também compartilho, Todas erram um dia podendo ser por descuido, inocência ou iniquidade, sendo prontamente corrigidas e atendidas pelo aquele que a detém.

Só o que não podemos é nos tornar vítimas de circunstâncias: por exemplo uma relação mal resolvida culpar alguém pelos nossos próprios erros, covardemente imputar ao outro algo que era do nosso papel de fêmea, de submissa.


Neste ponto sei particularmente o quão complicado é o estabelecimento de um relacionamento onde preconiza-se a intensidade da entrega, a cumplicidade dos parceiros e que (in)felizmente é uma via de mão única... sou dELE, apenas isso. Por conta disso estamos expostas às mãos dos Tops, orando, que seja nas mãos certas.

Cada relação D/s é um mundo onde não existem exatamente regras que se deve seguir.

Nós submissas não somos prisioneiras, ao contrário, somos livres para pensar e vivenciar o que desejamos por isso esse mundo é encantador. Dentro da coleira, restrita, apertada, inquebrável, que a mim prende... O universo BDSM é vasto de possibilidades que encantam as todos que entram nesse mundo. Porém, os desejos ganham vida no real.

Um Dominador não é um carrasco e nem a submissa uma vítima... não venha se tornar espectadora da sua própria história, não estamos em uma guerra ou um filme em que o mocinho vence e o bandido morre, se entramos nesse mundo é por que queremos que o bandido vença, e o lobo mau nos devore... meninas, isso é BDSM!!!

Sei que nos decepcionamos, somos mulheres acima de tudo (sou a fêmea dELE e para ELE) e esperamos respeito no mínimo, mas temos também que valer este respeito, esta cumplicidade, e entrega do Dominador.... não vamos ser tolas ao ponto de pensar que é só bater e apanhar, uma velinha e um ordem por telefone, é sem dúvida algo mais contundente e profundo.

Nossa entrega também tem sentimentos e sentimentos fortes, fortes o bastante para suportar as dores e as marcas visíveis que são até um prêmio, um presente para nós submissas , mas também há marcas invisíveis guardadas no peito e que em algum momento transbordam.


Isso é emoção, isso é vida , vivida intensamente, isso é desafiador requer muitas reflexões, antes de mais nada.

Aprenda a observar os sinais, olhe em sua volta, não generalize... abra sua mente , sinta, vibre, mas tenha calma, seja paciente, espere, sei que isso não é fácil, mas a vida nada mais é que acontecimentos sucessivos de nossas escolhas , não escolha de ninguém, as nossas.

No mundo baunilha casais sonham fazem planos, juras de amor eterno, tudo muito lindo e mágico , ele jura amor eterno e fidelidade a amada ela se derrete oferecendo seu coração para aquele homem fantástico... isso quase sempre é utopia, e não falo isso como resultado de relações mal vividas, mas sim que não há no fim, quase sempre intensidade, sensibilidade, entrega.... por outro lado, não olhem como regra, mas está propicio a isso.

Na D/s sabemos exatamente qual o nosso lugar? Pense e responda para si mesma, por que para mim dominar é algo realmente para poucos o dominador tem que ter sensibilidade, paciência e perspicácia para compreender tudo que envolve uma dominação.

A submissa é uma joia nas mãos de um dominador esperando ser lapidada, ensinada e guiada. submissas são fortes e se entregam porque se sentem completas ao servir ao DONO, porém não devemos esquecer que diferente da submissão imposta, onde a submissa é vitima e se submete por medo, no mundo BDSM a submissa é livre para escolher ser prisioneira , desejando ser orientada e subjugada por um dominador.


Portanto, não vamos esperar menos de ambas a partes, a submissa e o Dominador são pessoas que buscam se descobrirem, romperem limites, transcender a felicidade ir alem.. ir além... ir além... ir além...

Os dois mundos são especiais. Não vamos nos preocupar com um ou com outro, nos preocupemos com nós mesmas para viver plenamente dentro das nossas verdades para sentirmos que ao final valeu a pena.

Queria dizer que esses são meus pensamentos porque somos eternos aprendizes eu mesma aprendi muito escrevendo esse texto, não objetivo nenhuma verdade absoluta, sendo apenas a minha verdade, que sempre busco.

Pensemos antes de pronunciar palavras que certamente ecoarão aos vento. Cuidado com nós mesmas e com o outro, não generalize, não julgue, seja auto multiplicadora e auto construtiva em um ciclo interminável, prazeroso ciclo.

Pense que vc é um objeto lindo e é inestimável, pense no seu amor próprio que mesmo na frase "eu te amo" o EU vem na frente, até a coleira esteja apertada no pescoço e vc garota sob os pés dELE.


Schanna



8 de mar. de 2016

A vc, mulher...

No Dia Internacional da Mulher, nós, do blog  *escravas & submissas* não poderíamos deixar de homenagear a estas mulheres tão especiais, as escravas e submissas, que servem com amor e dedicação a seus Senhores, exercendo a feminilidade em sua forma mais doce e sutil. Parabéns a todas estas que dobram seus joelhos! Sabemos o quanto de força é preciso para isto.
Parabenizamos também às Sras. Dominadoras pelo pulso firme com que conduzem seus escravos, é também preciso ter força, é preciso ter raça; às Switchers também, pela coragem em transitar dos dois lados, muitas vezes sofrendo preconceitos no próprio meio, enfim, a todas essas mulheres guerreiras que, mesmo tendo uma vida lá fora e todas as obrigações de qualquer mulher, têm a coragem de viver suas fantasias e desejos... Parabéns pelo dia!

Feliz Dia Internacional da Mulher!



Para V/vocês, um lindo poema de Bruno Kampel...


MULHER
Bruno Kampel 

Não quero uma mulher
Que seja gorda ou magra
Ou alta ou baixa
Ou isto e aquilo.

Não quero uma mulher
Mas sim um porto, uma esquina
Onde virar a vida e olhá-la
De dentro para fora.

Não espero uma mulher
Mas um barco que me navegue
Uma tempestade que me aflija
Uma sensualidade que me altere
Uma serenidade que me nine.


Não sonho uma mulher
Mas um grito de prazer
Saindo da boca pendurada
No rosto emoldurado
No corpo que se apoie
Nas pernas que me abracem.

Não sonho nem espero
Nem quero uma mulher
Mas exijo aos meus devaneios
Que encontrem a única
Que quero sonho e espero
Não uma, mas ela.

E sei onde se esconde
E conheço-lhe as senhas
Que a definem. O sexo
Ardente, a volúpia estridente
A carência do espasmo
O Amor com o dedo no gatilho.


Só quero essa mulher
Com todos seus desertos
Onde descansar a minha pele
Exausta e a minha boca sedenta
E a minha vontade faminta
E a minha urgência aflita
E a minha lágrima austera
E a minha ternura eloquente.

Sim, essa mulher que me excite
Os vinte e nove sentidos
A única a saber
O que dizer
Como fazer
Quando parar
Onde Esperar.

Essa a mulher que espero
E não espero
Que quero e não quero
Essa mulherportoesquina
Que desejo e não desejo
Que outro a tenha.


Que seja alta ou baixa
Isto ou aquilo
Mas que seja ela
Aquela que seja minha
E eu seja dela
Que seja eu e ela
Euela eu lá nela
Que sejamos ela.

E eu então terei encontrado
A mulher que não procuro
O barco, a esquina, Você.
Sim, você, que espreita
Do outro lado da esquina, no cais,
A chegada do marinheiro
Como quem apenas me espera.

Então nos amarraremos sem vergonha
À luz dos holofotes dos teus olhos,
E procriaremos gritos e gemidos
Que iluminarão todas as esquinas.


Será o momento de dizer
Achei/achamos amei/amamos
E por primeira vez vocalizar o
Somos, pluralizando-nos
Na emoção do encontro.

Essa a mulher
que não procuro
nem espero.
Você, viu? Você!






13 de fev. de 2016

UM PASSADO SEMPRE PRESENTE


Nós vamos ensinar a você o fervor.
Nossos atos se prendem a nós, como ao fósforo sua luz.
Nos consome
é verdade,
mas fazem nosso esplendor.
E se nossa alma valeu alguma coisa
é por ter ardido mais intensamente do que outras.


Vamos ensinar a você o fervor.
Uma existência patética.
Ser tranquilo é ser trágico.
Eu não almejo outro repouso que o sono da morte.
Espero, depois que tiver exprimido nesta terra tudo que havia em mim,
satisfeito, morrer completamente,
Desesperado por fazer ainda mais.


Nossa vida há de ser diante de nós, como um copo de água gelada.
O copo úmido nas mãos de quem tem febre e quer beber,
e bebe tudo de uma vez.
Sabendo que devia guardar.
Mas, não podendo tirar dos lábios o copo delicioso.
Tão fresca é a água
e tão apaziguadora da sede.

(André Gide- O Copo de Água)


Assim como a amada amiga sub-ísis, que fez parte do nosso passado e fará sempre parte do nosso presente, continuam também em nossa lembrança como merecedores da nossa admiração, afeto e respeito, os amigos que se permitiram o prazer e a felicidade:

rosa vermelha

Rainha Roxanne

Falcão Peregrino (T-Rex)

Maestro Alex

bionda

Loba SP

Shay, Menina Má

sub annie

Seu Dono

Abbadon

Lunne Reine

Senhor Wilson


A esses e outros que não conheci 
e aos que não soube da partida 
deixo aqui minha doce lembrança.

"O mundo é mágico. 
As pessoas não morrem, ficam encantadas"

(Guimarães Rosa)


Postado por {W_[amar yasmine]} em 31/01/2016 em WERTHER e {W_[amar yasmine]}



4 de fev. de 2016

A bela arte de Dominar



Para mim, dominar é uma arte, manusear o chicote “quase” todo mundo sabe, mas dominação é para poucos, é saber que a dominação não é castrar, muito menos abafar a personalidade da submissa, é sobretudo envolver a dominada e moldando-a para que se torne extensão e identidade do próprio Dominador.

Dominar é conduzir, instigar e mostrar o caminho, e quão belo é essa condução, assistir a evolução daquela a quem se domina, sentir que ela esta cada vez mais envolvida e tem um momento que mesmo estando longe dos olhos DELE a dominada vai ser e fazer o que o Dominador deseja.



Estava pensando, isso requer muita paciência e dedicação, não é “mandar” é conquistar, não é estabelecer uma ligação simplesmente é algo maior que transcende a barreira do ser e do poder, eu li uma frase sobre isso e achei muito bem apropriada, “o Dominador não tem que ser o todo-poderoso para ser poderoso o suficiente“.

O Dominador é um homem que vive com toda intensidade, e os seus sentimentos estão sempre em um equilíbrio entre sanidade e insanidade, entre um gesto de carinho e a rigidez de sua disciplina, Ele tem suas próprias regras de conduta, sua liturgia, Ele sabe bem o momento de trazer a tona com toda sua capacidade de ouvir e fazer com que a dominada siga não por imposição, mas sim porque ela deseja e precisa ser orgulho para o Dominador.



Bem realmente dominar é uma arte bela, e em especial para AQUELE que instiga em mim o prazer em estar sobre Seu Domínio.


schanna sub


22 de jan. de 2016

Sem coleira?


Saudações a T/todos!

Gostaria que fosse outra pessoa a iniciar os trabalhos do escravas & submissas em 2016, mas, não houve ninguém que tivesse tempo disponível para escrever para o blog, então, vocês, queridos leitores, vão ter que me engolir outra vez... rs.
Em primeiro lugar um feliz ano a T/todos. Muitas alegrias em todos os campos da vida mas aqui, em especial, desejo a todos muitas alegrias e prazeres dentro do BDSM.
Que mais pessoas possam se encontrar, formar lindas parcerias e viver os mais deliciosos prazeres. E que possam se respeitar enquanto fazem isso respeitando assim, as regras mais profundas do BDSM: o SSC, a ética e a responsabilidade.



E o assunto que vou abordar é algo que vejo que é cada dia mais frequente dentro do BDSM: a falta da coleira.
É cada dia mais comum ver escravas ou submissas dizendo "tenho Dono" e contando suas conquistas, sua evolução, felizes da vida por estarem servindo a alguém, mas... não se sabe a quem.
E por que digo isso? Interessa a mim saber a quem a pessoa está servindo? Sou tão curiosa assim a ponto de interessar-me tanto pela vida alheia?
Não, tenho a minha. E já me ocupa o suficiente para que me preocupe com as coleiras alheias.
No entanto, esse assunto deveria preocupar sim, a essas pessoas que servem sem coleira. 
E por que? - perguntariam alguns - Acaso é preciso confirmação para servir? E quem manda, afinal, não é o Dono? Se ele escolhe não dar coleira é problema dele e da submissa que aceita... esta, prova ainda mais sua submissão pois não precisa de uma coleira para estar cativa.
Essas frases quase clichê vão sendo aprendidas e repetidas.



Sabe-se que toda submissa deseja pertencer. E a coleira é a realização desse desejo materializada. É muito comum ouvir de submissas o quanto se orgulham em portar a coleira de seus Donos, seja no pescoço, seja ao assinar o nick numa publicação, seja em um chat, aquela coleira grita: EU PERTENÇO!
E, ainda assim, a cada dia se vê menos coleiras. 
Mas... e o motivo?
Se uma coleira é expressa sempre por um nick, nunca (ou quase nunca) pelo nome real do Dominador, o motivo não pode ser o risco da exposição.
Então você, submissa, na próxima vez que algum Dominador te abordar oferecendo um mundo cheio de prazeres mas sem coleira "porque vocês não precisam disso para confirmar o vínculo um com o outro", pergunte-se se é isso mesmo que você quer, se não gostaria de ter a coleira desse Dono adornando seu pescoço e te confirmando como posse dele.
Pergunte-se se ele tem orgulho suficiente em ter você a ponto de deixá-la ostentar na frente do seu nome, em seu pescoço e em sua alma, suas iniciais.



Pergunte-se, ainda, se essa ausência de coleira não é apenas um modo de esconder-se no meio BDSM, porque, um nick não justifica o risco de ser descoberto no mundo baunilha.
Pergunte-se se um verdadeiro Dominador precisa esconder-se e por quê.
Por fim, pergunte-se por que motivo você aceitaria esconder algo que, afinal, nem é a identidade real do Dominador, é apenas seu nick. Lembre-se que antes de entrar na relação você ainda pode negociar o que quiser.
E se nada disso realmente te importa, então, viva sem coleira e seja feliz.
Mas, lembre-se disso: Valorize-se!


Beijos de {Λita}_ST



16 de dez. de 2015

Para encerrar o ano...

Fim de ano, festas se aproximando, é hora de encerrar o expediente.
Tentamos, durante o ano de 2015 passar o que pudemos de melhor sobre o tema em textos, informações, trocas proveitosas porque esse é nosso objetivo: informar a respeito para que a essência do BDSM não se perca.

Esperamos ter ajudado. Nossos números, algumas centenas de milhares de visualizações, comprovam que nosso objetivo tem sido atingido.
Nós, do escravas & submissas, estamos felizes por isso e desejamos a V/vocês, nossos leitores, um Natal de muita luz, paz e amor.

E para 2016, a esperança de muitos encontros, muitos pares - ou trios, quartetos, o que for - se formando e vivenciando muitos prazeres; muitas amizades e parcerias nascendo, muito BDSM na vida de todos N/nós!
Não poderíamos terminar o ano sem deixar um presente para nossos leitores: um conto de Natal... BDSM!

Agradecemos sua presença durante o ano de 2015 e esperamos V/vocês em 2016, de braços abertos.

Boas Festas a T/todos!

Carinhosamente,

*escravas & submissas*

O Presente


Ele não levou flores...não levou bombons , nem um bichinho de pelúcia...
Um garrafa de vinho e taças para beberem juntos ? Um presente embrulhado com um grande laço de fita ? Um cartão de boas festas , com uma bela mensagem dele ? Também , não .
Do que se espera ter num encontro comum , ele nada levou...
Para um de seus encontros incomuns , objetos , ideias e desejos nada comuns .
Ele levou velas... Mas esse ainda não era o presente .


E não era para iluminar , para aromatizar ou decorar o ambiente... não era para deixar o encontro romântico . Não .
Eles sabiam o exato propósito delas .
Ele levou velas , vendas , mordaça...Mais que isso , ele levou o melhor de si , foi acompanhado da ideia de torturá-la como nunca .
Velas para fazer arder a pele daquela que o aguardava...vendas para causar expectativa...mordaça para que não houvessem gritos ou pedidos de clemência .
Ela sabia o que a aguardava e , também , levava algo para ele ; o desejo de ser levada ao limite .

O primeiro objeto saiu da bolsa ; a coleira de sessão . E foi da bolsa , diretamente , para o pescoço dela.
Em seguida , saiu o rolo de silver tape . Braços postos para trás e atados com a fita .
E mais um pedaço de fita foi cortado , esse era para selar-lhe a boca .
A partir dali , ela não diria nem mais uma palavra...elas seriam apenas ouvidas e respondidas com sinais de sim e não , feitos com a cabeça .
A fita a calou e imobilizou . Seus olhos , no entanto , ainda podiam acompanhar a movimentação...Não por muito tempo .
Logo , nem isso lhe restou . Sua última visão fora das vendas na mão dele .
E tudo fez-se breu...silêncios...expectativas...desejos .


Ela não precisava falar...
Ele sabia exatamente do misto de sensações que a envolvia...Todo aquele clima se traduzia em umidade .
Por maior que fosse a tensão de estar ali , a mercê dele , sem saber o que viria a seguir , a umidade entre as pernas não lhe permitia negar o quanto estava excitada .
Ele não se furtava de inspecioná-la... tocava-a com uma ausência de gentileza , que não apenas revelava sua excitação , mas ainda a intensificava .

Ela não precisa ver...
Sabia exatamente o quanto Ele saboreava aquela situação .
O calor do momento fazia-se antes mesmo da vela ser acesa e não acontecia apenas para ela...
Acendê-las já fez seus olhos brilharem...eles brilhavam , mesmo não vendo , ela podia perceber tal efeito .
Eles brilhavam...não pelo efeito da chama que se encontrava em sua mão . Não .
O prazer de vê-la ali , na tensão da espera , na excitação , na restrição , produzia um brilho muito peculiar aos olhos dele...
Eles brilhavam  , ela tinha certeza disso .
Mais que brilhar , eles se tornavam misteriosos , impenetráveis , quase assustadores...
Quando podia vê-los , era assim que ela os interpretava .


Junto a esses pensamentos , recaíram-lhe os primeiros pingos...Um após o outro , a pele ia sendo testada , reações sendo analisadas , entranhas sendo inspecionadas .
A cada toque , uma nova sensação surgia ... de agradável e excitante , para o ardente , o suportável , o torturante...
A pele estava sendo levada ao limite...a distância entre a vela e a pela era mínima possível...estava  insuportável .

Seu corpo encontrava-se indefeso...e em agonia .
Cada pingo era um tormento para ela e um delírio para Ele .
Dor ? Prazer ? Dor e prazer ? Ela sequer sabia o que sentia , o que expressava ou o que queria .
Sua única certeza era que ele se deliciava com a sua agonia...essa certeza ajudava suportar a experiência...
Estar nas mãos Dele lhe dava forças para suportar até o insuportável .
Ao fim , a recompensa ; ver a satisfação em seu olhar , falar , tocar...senti-lo .
Ver o prazer que dele transbordava e ter o merecimento de lambuzar-se Nele .


E ela recebeu o seu presente ; a satisfação de dar prazer... o prazer de ter prazer com Ele .
Deu-se a comunhão da lascívia .


luah negra_DOM JH

6 de dez. de 2015

Conversando sobre a espera



Devido ao crescente número de meninas que me procuram com dúvidas sobre a espera, resolvi falar um pouco do que penso sobre o assunto e assim, esclarecer de uma vez esse ponto. Não que tenha autoridade para citar normas ou regras mas pela experiência que adquiri nesses anos vivendo o BDSM, observando e ouvindo histórias, tenho opinião formada sobre o assunto. É do que vou tratar aqui, esperando ajudar algumas pessoas e lembrando que é apenas a minha opinião.
Sabemos que a espera é um dos mais difíceis itens da submissão, um verdadeiro teste de paciência, resignação, confiança, segurança, equilíbrio...
Para abordar o assunto, baseio-me em uma das últimas mensagens que recebi sobre o tema, com a devida autorização da interessada, cujo nome será suprimido por questões éticas.

-------- 27F
Sao Paulo, Brazil
written 14 days ago:
Olá vita !
Sou uma iniciante e por saber da sua experiencia vim pedir uma ajuda se não for encômodo , se não quizer me responder vou entender mas gostaria de saber quanto tempo devo esperar por meu DONO ? Nos conhecemos 4 meses atrás e negociamos falando todo dia até o primeiro encontro em outubro .
Depois do encontro ELE teve um problema grave de família e me pediu que esperasse mas agora quase 2 meses depois eu não sei se devo continuar esperando pq estou perdendo as forças e choro todos os dias sem saber o que aconteceu com ELE .

A mensagem continua dando outros detalhes mas essa parte é suficiente.
Quem me conhece sabe que tenho opiniões bem radicais sobre a submissão. Deve haver compromisso, humildade, obediência e foco. Exigências e mimimis estão fora do pacote.

Contudo, ao mesmo tempo que espero ver comprometimento em uma submissa, espero o mesmo em relação aos Donos. Inegável que eles tenham mais direitos, ou todos os direitos, mas têm também seus deveres. E é dever do Dono cuidar do que possui. Como cuidar é decisão dele mas é preciso que fique claro que quem se intitula Dono, deve cuidar.

Há pouco tempo escrevi em meu próprio blog um texto que compara plantas a escravas e onde disse que, apesar das plantas nada pedirem, elas murcham se não as regarmos.
Assim é a submissão. Se não for alimentada ela também murchará, se consumirá.

Diante de tudo isso, quanto tempo deve durar uma espera? Não sei.
Existe um tempo estipulado para uma espera? Acredito que não.
O que existem são motivos.
Que motivo você tem para esperar? Vale a pena?
Se vale, é um ponto importante a considerar... mas não fica por aí.
Sabemos que na espera a submissa deve se manter serena, equilibrada, confiante, fiel.
No entanto, quem espera, espera por alguma coisa.
Outra questão importante é: pelo que você espera? Por quanto tempo? Qual o motivo?
Alguns diriam que o Dono não tem obrigação de dar explicações sobre suas ausências.
Eu digo: tem sim!


Para manter a submissa esperando serena, confiante e fiel, é necessário dar suporte para que ela sinta-se assim.
E ninguém consegue manter-se segura e equilibrada sem saber o que espera, por quanto tempo e o que motivou a espera. Sem isso o que existe não é espera; é abandono.

Não estou afirmando aqui que um Dono deva dar minuciosas satisfações de sua vida pessoal, mas deve dar algo em que se possa confiar, se apegar no momento da ausência. Agindo assim ele estará também demonstrando confiança em sua submissa.
A confiança é uma via de mão dupla e se houve uma entrega é porque houve confiança suficiente de uma das partes... por que não pela outra?

Outro ponto importante para uma espera serena é o contato. Com toda a tecnologia a favor da comunicação entre as pessoas não há razão, a não ser em caso de morte ou doença gravíssima, para não manter contato, não dar uma notícia e uma palavra ou outra que tranquilize a submissa e a fortaleça na ausência.
Sabemos que a vontade do Dono é soberana e ele decide sobre cada um dos itens falados aqui: contato, comunicar motivo de ausência ou não, é direito dele. Mas, não fazendo isso, ele estará cuidando? O cuidado é um dever, também, legítimo.

Diante disso, minha conclusão é a seguinte: Não existe um tempo específico para uma espera. Cada uma sabe o que tem e se o que tem vale a pena. Mas deve-se refletir sempre o seguinte: o que estou esperando? Por que estou esperando? Até quando estou esperando? Se você não souber responder a nenhuma dessas perguntas, alguma coisa está errada.

Cada dia que se passa não tem volta, portanto, é uma grande responsabilidade deixar alguém esperando pois perda de tempo é perda de vida. Pense nisso e verá se sua espera tem valido a pena.

Deixo aqui um texto baunilha que, adaptando ao nosso estilo de vida, cabe na situação.

"Quem quer não adia, aparece. Quem quer te ver agora, não vai deixar pra amanhã, mesmo que a distância seja incalculável ou já seja tarde pra isso. Quem quer, não deixa pra depois o que pode ser feito agora. Quem quer ficar, fica sem que a gente precise implorar. Quem quer cuidar, simplesmente cuida. Quem quer, provavelmente não vai suportar a saudade, não vai poupar sentimento e entrega pra te ter.
Quem quer, arruma um jeito. Quem sente vontade, faz saudade virar encontro, faz cinema virar motel, faz o cansaço virar amasso, faz dias frios mais quentes. Quem quer é capaz de viajar 100 quilômetros só pra te ver, e não interessa se o tempo fechou tão rápido, quem quer não vai pensar duas vezes em te ver hoje ou deixar pra próxima semana. Quem quer, não vive de conversas, não perde tempo, não arruma mil e uma desculpas pra justificar que não vai dar pra te ver hoje porque o dia foi cansativo demais.
Quem tem saudade do teu sorriso não se contenta só em ouvir a tua voz pelo celular, quem quer estar com você sentirá necessidade de te ver pra conversar sobre como foi o seu dia, sobre todas as coisas que te fez perder a cabeça e vai entender que é melhor te abraçar nos momentos mais difíceis do que te mandar um ''fica bem'' por mensagem..." (Iandê Albuquerque)


Espero ter ajudado.

{Λїtą}_ŞT

Feliz propriedade do Senhor da Torre



7 de nov. de 2015

Liberdade de expressão submissa


Uma vez decidida a trilhar voluntariamente um caminho de submissão uma mulher deve procurar aperfeiçoar-se a partir dos referenciais de seu Dono. Esse processo inclui aprendizado e adestramento, palavras que sempre usamos. A riqueza da interação da submissa é que vai gerar o resultado que se pretende "ensinar" ou "adestrar". Naturalmente não é apenas com seu Dono que a submissa aprende, nessa jornada. Ela deveria ler e fazer alguns amigos pra ter percepções referenciais de boas relações de submissão. Pra crescer na sua submissão. Pra entender mais e servir melhor, inclusive.
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O problema é que cada relação é de um jeito e cada pessoa é única, processos ricos e essa coisa toda. Mas gostaria de levantar como reflexão o recorte "Doms que não permitem que suas submissas tenham contato externo ou interação com discussões de opinião".
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Vejo muitas vezes confundida nossa autoridade Dominadora com supressão do pensamento e cassação do direito da submissa a ser entendida como pessoa que também está em uma jornada de busca voluntária por felicidade. Ou seja, como um ser humano que tem suas demandas, mesmo que uma delas seja servir. Ou ainda; ela não se anula como ser humano por ter a demanda de servidão voluntária dentro de si.
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Durante o ano em que foi minha a natasha conversava e opinava no meio BDSMer livremente. Os resultados que colhi disso sempre foram os melhores possíveis e sempre tive gratas surpresas e grande orgulho do seu comportamento. Ela cresceu como submissa nessas interações, fez amizades, discutiu. E nunca me envergonhou ou me diminuiu em nada por isso. É evidente que respeito a maneira como os outros vivem e o tipo de limitações que impõem, dentro da negociação. Estou apenas dividindo que sempre foi a política que adotei e sempre foi ótimo.
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Isso é apenas um depoimento de que minha severidade nunca foi alterada pela suposta liberalidade de que minha sub tinha liberdade de dizer o que pensava abertamente e sem censura.
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Se um dia ela se comportasse mal eu lhe daria justo, merecido e justificado castigo. E ela ia entender porque é uma boa menina. Mas nunca aconteceu. Com isso eu tive ainda mais orgulho da minha obediente cadela. Pretendo ter orgulho de ver uma submissa minha discutindo abertamente com inteligência uma série de questões em comunidades, como prevejo ser bastante provável que aconteça. A sub é o espelho do Dono, costumamos dizer. Gosto que uma submissa saiba que é depositária da confiança de que não me envergonhará. Que ela tenha essa responsabilidade. A liberdade e o peso dessa liberdade.
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Você pode brincar de afogar sua putinha na privada da sua casa, mas você não pode deixar de entendê-la como um ser com uma busca legítima. O que há é uma relação entre dois seres humanos e entender que o outro tem demandas, expressões e expectativas é ser realista e justo. Isto posto o pau come.
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E se se comportar mal leva castigo brabo.


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Particularmente entendo como mau comportamento ser desatenta em relação ao empoderamento do Dono em qualquer interação com o meio, por exemplo. Deve falar livremente sem causar vergonha ao Dono, ser educada e gentil em contraponto a submissas que arrumam encrenca e fofocam. Manter um comportamento geral virtuoso, honrado, dirigido ao Dono no sentimento e intenção verdadeiras. Se eu tiver isto tudo, que sentido faria tentar controlar as interações e percepções que a submissa tem do meio? O direito do castigo é ainda a cereja do bolo das minhas garantias. E das suas, como Dom.
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Sendo assim é ótimo que ela interaja e opine, aprendendo e desenvolvendo sua submissão. Seu auto-conhecimento, sua busca de referenciais que a ajudem a servir melhor e melhor. É um orgulho ser servido fielmente por uma fêmea que seja exuberante na sua inteligência e ainda assim um brinquedinho de foder na sua mão mais forte.
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Isto é apenas para fazer pensar em relação a limitação de opiniões fora de sua relação bilateral com o Dono a que vejo honrados Doms submetendo suas peças. Outro bom argumento pra fazer pensar é senso comunitário: com a participação restringida todo meio BDSMer se empobrece. E o ponto é que rigidez proposta na relação de transferência de poder não é afetada porque você deixa sua sub participar e aprender mais. Pra te servir melhor.
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A restrição do direito da fala é um poderoso recurso de nossas práticas sexuais. A gente se diverte amordaçando uma mocinha, for sure. Mas isso tem mesmo a ver com fazer lobotomia em nossas submissas?
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daysofsodom:

hush
 gagged ball gag actress celebrity liv tyler

Isso não envia um sinal a elas de que não confiamos de que são capazes de nos surpreender ou orgulhar com um comportamento exemplar?
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As melhores demonstrações de submissão que recebo são as voluntárias, que partem de alguma iniciativa livre da submissa. Esse é um bom exemplo de como liberdade concedida reforça a autoridade inicial consessora da liberdade.
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Deixem as borboletas voarem, rapaziada. Se fizeram um bom trabalho vocês vão ter orgulho do resultado.
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Marte 
Dominador, RJ


Texto publicado no blog O Sagrado Masculino e gentilmente cedido pelo autor para publicação neste blog.