O que temos atualmente inserido sob a égide dessas quatro letras é uma infinidade de Fetiches e Comportamentos, que desde a época das listas até hoje, nas redes sociais, tem sido motivo de constantes questionamentos, pareceres e discussões. O BDSM ficou departamentalizado, embora não se trate de “setores estanques”.
Com bom senso e respeito, consegue-se permear por estes e conviver com as diversas opiniões, sem choques. Aliás, choques é o que não falta por aqui.
O BDSM passou a ser como a impressão digital. Cada um tem a sua, mas todas com aquelas ranhuras e linhas concêntricas como significado de “uma só essência”.
Apesar dessa diversidade, temos algo em comum, que deveria ser um fator de união.
Somos considerados diferentes; somos (todos) a exceção. Somos contracultura.
Somos estereotipados, criticados, marginalizados... E outros tantos “ados”. Além disso, não temos visibilidade social, como há em outras “civilizações”, especialmente na seara norte-americana, ou na europeia.
Por aqui, os conceitos da moral vigente não permitem que sejamos respeitados e entendidos como um grupo de pessoas normais, que trabalha, paga seus impostos, assume responsabilidades, etc. Há o “status quo”, de uma falsa moralidade, impregnado na mídia, que permeia a sociedade cerceando a visão, o entendimento e a razão.
Neste ponto, até que o contestado "50 Tons de Cinza" serviu para mostrar que existimos e que não somos um bicho de sete cabeças, ou a besta do Apocalipse. É muito certinho e bonitinho, é bem romanceado, mas tem lá o seu valor; afinal o BDSM real não exclui a passionalidade.
Muito das relações primam por esta vertente. A gente se apaixona por aquilo que faz, ou pelo outro lado, seja a pessoa, o personagem, ou ambos.
Quanto a mim, jamais saí totalmente ileso de uma relação, nem tenho a pretensão de que isso aconteça.
Penso que certas coisas na vida não admitem o meio termo, ou você entra inteiro, ou é melhor não se aventurar. Por outro lado algumas flores têm espinhos, então...
Amo ao que tenho e principalmente ao que conquisto; então a minha escrava não seria a exceção.
É assim: O BDSM tem os bônus e também os ônus!
Mesmo assim, sou daqueles que acreditam que o melhor é manter o BDSM na obscuridade, pois quanto maior for sua exposição, maior será a pressão. Isso sem contar com o assédio de curiosos, e pior, dos arautos da hipocrisia, que sempre aproveitam para criticar.
Eu gosto é assim, na obscuridade, no gueto. O BDSM é fascinante, e continua fascinante mesmo depois de tanto tempo. Por que há pessoas fascinantes, essa é a questão. Pessoas inexpressivas, que não fascinam, simplesmente desaparecem com o tempo. Aqui não é diferente do que ocorre na natureza, há sim, uma seleção natural. A força de cada um está na sua autenticidade e só os autênticos sobrevivem.
Certamente a metamorfose do BDSM não chegou ao fim, as combinações das quatro letras tem um limite, mas não a imaginação e a criatividade do ser humano, ou a diversidade de novos e inimagináveis comportamentos. Conviver nessa verdadeira galáxia, em que todos brilham é fácil, basta ter a noção do próprio brilho e respeitar os demais.
Werther von AY erschaffen
*Texto publicado originalmente no blog WERTHER e {W_[amar yasmine]}, em 10/05/2016.




































